Ibovespa recua abaixo dos 176 mil pontos com exterior e preocupação com inflação
Depois de se sustentar no começo do dia na faixa dos 177 mil pontos, o Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (6) perto das mínimas, em 175 mil pontos. O índice operou pressionado principalmente pelos riscos de juros mais altos por mais tempo nas economias globais, como resultado do fortalecimento da inflação na esteira da alta do petróleo.
No fim do pregão, o Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546,36, perto da mínima de 175.514,86. Na máxima do dia, o principal índice da B3 foi aos 177.720,00 pontos.
O avanço do petróleo vem como resultado do aumento da tensão geopolítica na região do Estreito de Ormuz, que continua afetando o humor global. Luiz Mendes, chefe de alocação da Angatu Private, afirma que o mercado segue influenciado pelo tema mesmo com sinais de avanços no curto prazo diante do risco de novas interrupções na cadeia de fornecimento global e novas escaladas nas hostilidades. “O mercado está olhando para a dinâmica que está ocorrendo há meses, de olho na opcionalidade de acabar o conflito no local”, afirma.
Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, reforça o diagnóstico ao apontar que o Brent voltou a representar um prêmio de risco, um vetor que melhora a sustentação do setor de petróleo na B3, mas não necessariamente reduz a cautela do restante do mercado. O petróleo Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 3,83% (US$ 3,04), a US$ 82,49 o barril.
O movimento da bolsa também aconteceu um dia depois do Comitê de Política Monetária (Copom) decidir cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, sinalizando algum espaço para novas reduções, mas deixando o mercado dividido em relação ao futuro do ciclo de calibração.
Segundo operadores, o mercado interpretou o comunicado como mais duro e, com isso, reavaliou o espaço para cortes mais rápidos daqui para frente. A consequência para as ações é um ambiente menos favorável para tomada de risco, principalmente em companhias que dependem mais de financiamento e de demanda doméstica.
Conteúdo distribuído por Agência Estadão
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