Prévia da inflação sobe 0,59% na Grande BH, segunda maior alta do País

Alimentos e combustíveis pressionaram o índice, que ficou quase o dobro da média nacional (0,32%)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador considerado uma prévia da inflação, apresentou alta de 0,59% em outubro na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A alta foi impulsionada pelo grupo Alimentação e bebidas, que subiu 1,04% no período, com destaque para o salto de 16,7% nos preços de tubérculos, raízes e legumes.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23). Com o resultado, o índice na Grande BH acumula alta de 4,19% em 2026.

Além dos tubérculos, pesaram no bolso do consumidor os aumentos nos preços de pescados (1,6%) e carnes (1,28%). Na outra ponta, alguns itens da mesa ficaram mais baratos, como frutas (-2,78%), leite e derivados (-1,36%), além de aves e ovos (-0,6%).

No grupo Transportes, a alta de 0,89% foi influenciada principalmente pelos combustíveis, que subiram 2,19%. Também ficaram mais caros o transporte público (0,69%) e o veículo próprio (0,18%).

Já o grupo Habitação teve alta de 0,19%, puxada pelos combustíveis domésticos, que avançaram 1,57%. O resultado só não foi maior porque a energia elétrica residencial recuou 0,57% no período.

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A alta na prévia da inflação em Belo Horizonte em outubro é a segunda mais expressiva entre as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE. O ranking é liderado por Belém (0,76%), onde a prévia da inflação foi pressionada principalmente pelas altas do tomate (17,55%) e da energia elétrica residencial (3,71%).

No País, o IPCA-15 de outubro ficou em 0,32%. No ano, o indicador acumula alta de 4,15%, ligeiramente abaixo dos 4,19% registrados na Grande BH. Em 12 meses, a alta nacional chega a 4,62%, acima dos 4,47% observados nos 12 meses anteriores.

Choques pontuais pesam na cesta das famílias

Segundo a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Gabriela Martins, o comportamento dos alimentos deve ser analisado em duas partes. No caso de tubérculos, raízes e legumes, há forte influência das condições climáticas, do calendário de colheita e da oferta disponível.

“Como são produtos perecíveis, pequenas alterações na produção e no abastecimento podem provocar oscilações expressivas em curto período. Por essa razão, o salto de 16,76% observado na Grande BH não deve ser automaticamente projetado para os meses seguintes”, salienta.

De acordo com a economista, a alta foi bastante concentrada. O tomate subiu 35,46%, a batata-inglesa, 15,93%, e a cebola, 12,84%. Na contramão, a cenoura recuou 15,05%. “Isso mostra que não ocorreu uma elevação uniforme de toda a alimentação, mas choques específicos dentro da cesta de consumo das famílias”, avalia.

Para os próximos meses, Gabriela Martins afirma que a tendência de preços dos vegetais vai depender da normalização da oferta. “Se as condições de produção e abastecimento melhorarem, parte dos aumentos pode ser devolvida”, diz. Já carnes e refeições fora do domicílio, segundo ela, merecem maior atenção, já que os preços costumam responder também a custos de produção, logística e demanda.

A ecomista destaca, por fim, que o cenário mais provável para novembro e dezembro é de inflação ainda positiva, mas não necessariamente na mesma intensidade do que foi observado na prévia de outubro. A avaliação é a partir das expectativas de mercado coletadas pelo Banco Central (BC), que apontam mediana próxima de 0,35% para novembro e de 0,56% para dezembro, o que sugere aceleração no último mês do ano. “Essas projeções, porém, podem ser revistas conforme o comportamento de alimentos, combustíveis e serviços”, pondera.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024).


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