Por que a renda subiu, mas o endividamento segue em alta no País?

Enquanto renda média bateu recorde no Brasil no último ano, número de inadimplentes também registrou expressivo aumento
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Por que a renda subiu, mas o endividamento segue em alta no País?
Foto: Reprodução Adobe Stock

Enquanto o Brasil registrou o recorde da renda média dos trabalhadores, o índice de endividamento das famílias também cresceu de forma considerável nos últimos anos. O que explica tal fator? Será que ganhar mais dinheiro não significa uma situação financeira melhor?

Especialista em educação financeira, investidor e CEO da Plano Fintech, Ricardo Hiraki explica o atual cenário do País, bem como deve se dar, de fato, a evolução dos rendimentos dos brasileiros.

Aumento da renda vs endividamento

Dados divulgados em maio deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, mostram que a renda média dos brasileiros chegou a R$ 3.367 em 2025, o maior valor da série. Em relação ao ano anterior, a alta foi de 5,4%; o valor foi de R$ 3.195.

Por outro lado, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em maio de 2026, o maior percentual da série histórica.

Diante disso, Hiraki ressalta que o aumento da renda, sozinho, não é suficiente para indicar uma melhora real na saúde financeira.

“Renda e patrimônio são coisas diferentes. Ganhar mais não significa necessariamente enriquecer. O que mostra evolução financeira é a capacidade de reduzir dívidas, construir reservas e transformar renda em patrimônio ao longo do tempo”, explica.

Ele afirma que isso se deve ao equívoco de associar evolução financeira exclusivamente ao aumento da renda. Promoções, reajustes salariais e novas fontes de receita costumam vir acompanhados pelo crescimento das despesas, o que dificulta a construção de patrimônio e reduz a percepção de avanço financeiro no longo prazo.

“O salário é apenas um dos indicadores da vida financeira. Muitas vezes a renda cresce, mas o patrimônio permanece estagnado porque o padrão de consumo aumenta na mesma velocidade. Quando isso acontece, a sensação de progresso existe, mas os resultados concretos não aparecem”, destaca o executivo.

Cinco sinais de uma evolução financeira real

Hiraki aponta que um verdadeiro salto na situação financeira deve apresentar os seguintes aspectos:

  • Dívidas diminuíram: mais do que eliminar débitos, o importante é diminuir o comprometimento da renda com parcelas e juros, como crédito pessoal e cartão de crédito;
  • Capacidade de poupança aumentou: guardar dinheiro de forma recorrente costuma representar uma mudança estrutural na relação com as finanças pessoais e na construção da saúde financeira;
  • O patrimônio cresceu: investimentos, imóveis, participação em negócios ou qualquer outro ativo acumulado ao longo do tempo oferecem uma visão mais precisa da evolução financeira e da construção de riqueza;
  • Reserva de emergência sólida: ter recursos disponíveis para lidar com imprevistos reduz a dependência de crédito e aumenta a segurança financeira, sendo um grande sinal de maturidade financeira;
  • Orçamento mais organizado: saber exatamente para onde o dinheiro está indo, acompanhar gastos e planejar objetivos futuros são hábitos que ajudam a transformar renda em resultados concretos.

“A pergunta mais importante não é quanto uma pessoa ganha hoje. É quanto ela conseguiu construir ao longo do tempo. Quando patrimônio, reserva financeira e organização do orçamento avançam juntos, a evolução financeira deixa de ser uma percepção e passa a ser um resultado concreto”, acrescenta.

Colaborador

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