Preços dos produtos do grupo Alimentação recuaram 0.85% na primeira quinzena deste mês - CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

Brasília – Em setembro de 2019, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) apresentou queda de 0,04% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice para a RMBH representa o segundo menor resultado mensal entre as 11 áreas pesquisadas – maior apenas que Rio de Janeiro (-0,10%) e igual a Salvador (-0,04%). As variações acumuladas em 12 meses foram de 2,99% na RMBH, o quinto menor resultado entre as áreas de abrangência da pesquisa.

Na RMBH, cinco grupos apresentaram aumentos acima da média (-0,04%): Habitação (1,06%), Vestuário (0,37%), Despesas Pessoais (0,07%), Educação (0,04%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,01%). Quatro grupos apresentaram deflações: Alimentação e Bebidas (-0,85%), Artigos de Residência (-0,56%), Comunicação (-0,19%) e Transportes (-0,15%).

O grupo Alimentação e Bebidas (-0,85%) impactou o índice geral em -0,19 pontos percentuais (p.p.), o maior impacto negativo dentre todos os grupos, influenciado principalmente pelas quedas nos preços do tomate (-37,31%), mamão (-27,78 %), cenoura (-20,30%), hortaliças e verduras (-9,16%) e carnes (-2,36%), com impactos de -0,09p.p., -0,04p.p., -0,02p.p., -0,02p.p. e -0,06p.p., respectivamente. Por outro lado, podemos destacar os aumentos da melancia (17,93%), banana prata (14,07%) e do leite longa vida (1,59%), com impactos de 0,01p.p., 0,02p.p. e 0,02p.p., respectivamente.

No grupo Transportes (-0,15%), o destaque foi para a queda de 7,71% das passagens aéreas, com impacto de -0,02p.p. no índice geral. Já no grupo Vestuário (0,37%), podemos destacar os aumentos das joias e bijuterias (2,61%) e roupas masculinas (1,16%).

O grupo Habitação (1,06%) impactou o índice geral em 0,18p.p., o maior impacto positivo dentre todos os grupos, influenciado principalmente pelos aumentos de 5,01% na taxa de água e esgoto e de 1,53% da energia elétrica, ainda decorrente da mudança para a bandeira vermelha patamar 1 em agosto. Os dois subitens impactaram o índice geral em 0,12p.p. e 0,06p.p., os maiores impactos positivos individuais da amostra.

Nacional – A prévia da inflação oficial ficou em 0,09% em setembro no Brasil. A taxa é a mesma da prévia de setembro do ano passado e maior que a de agosto deste ano (0,08%).

Segundo dados divulgados do IBGE, o IPCA-15 acumula 0,26% no terceiro trimestre, 2,6% no ano e 3,22% em 12 meses.
Em setembro, o grupo de despesas habitação foi o principal responsável pela inflação, com uma alta de preços de 0,76%, influenciado pelo aumento do custo com energia elétrica (2,31%).

Outro grupo com impacto importante na inflação foi vestuário (alta de 0,58%). Por outro lado, os alimentos e bebidas, com uma deflação (queda de preços) de 0,34%, foram os principais responsáveis por evitar uma inflação maior.

Foram observadas quedas do tomate (-24,83%), cenoura (-16,11%), hortaliças e verduras (-6,66%), frutas (-0,93%) e carnes (-0,38%). (Com informações da Agência Brasil)

BC estima que inflação acumulada perderá o ritmo

Brasília – O Banco Central destacou que a inflação acumulada em 12 meses deve recuar, mas voltará ao fim do ano para níveis próximos aos observados até agosto, reiterando mensagem de que há espaço para novo afrouxamento na taxa básica de juros, mesmo com o movimento recente do câmbio.

Em agosto, a inflação oficial medida pelo IPCA chegou a 3,43% no acumulado em 12 meses, acelerando ante o patamar de 3,22% exibido até julho, mas ainda com larga margem em relação à meta de 4,25% para este ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

“Essa trajetória de curto prazo (para a inflação) reflete, dentre outros fatores, comportamento benigno de alguns componentes mais voláteis da inflação e dinâmica da inflação importada, cujos vetores altistas têm sido moderados pela trajetória de preços externos”, assinalou o BC em sua ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada ontem.

Entre a decisão de julho do Copom e a tomada pelo colegiado na quarta-feira passada, o dólar subiu cerca de 7,5% frente ao real. Mas o BC, na ata, buscou relativizar eventual impacto nesse sentido ao mencionar que os vetores altistas da inflação importada têm sido, de certa forma, contrabalançados.

“O BC fala que vê de alguma maneira um comportamento benigno pra esses itens que vêm de fora. Tem o efeito câmbio, mas os preços de commodities têm caído, só pra falar em um tipo de preço, então isso compensa de alguma maneira” a alta do dólar, avaliou o economista da XP Investimentos, Marcos Ross, que prevê por enquanto mais dois cortes na Selic de 0,50 ponto até o fim do ano.

Ele ponderou, contudo, que o impacto do câmbio deverá seguir no radar para as próximas decisões sobre os juros. Por ora, Ross lembrou que a fraqueza da economia também tem ajudado a frear eventual influência dessa variável na inflação. Mas, especialmente com a perspectiva de melhora na atividade até o fim do ano, isso pode mudar.

Em meio a este cenário, o BC cortou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual na semana passada, a 5,50% ao ano, dando sequência ao ciclo de queda de juros, processo que indicou que deve seguir adiante diante da débil recuperação econômica.

A mensagem foi repetida ontem, com o BC lembrando que seus cenários, partindo de premissas diferentes, contêm projeções para a inflação abaixo ou ligeiramente abaixo da meta para 2020, considerado o horizonte relevante para a política monetária.

Em nota, a equipe da CM Research apontou que a ata confirmou a postura do BC favorável à continuidade do ciclo de distensão nos juros, como já havia sido indicado no comunicado da decisão do Copom.

“Ou seja, haverá no mínimo um outro corte de juros na magnitude de 50 pontos-base”, escreveu o time da casa.

De olho nas estimativas de inflação do BC, várias instituições financeiras já haviam diminuído recentemente as projeções para o juro básico para abaixo de 5% em 2019, como XP Investimentos, Citi, Bradesco, BofA, Santander Brasil, BNP Paribas e Credit Suisse.

No relatório Focus divulgado na véspera, as instituições que mais acertam as previsões para a Selic foram na mesma toada. O Top 5 de curto prazo reviu a projeção para a taxa básica ao fim de 2019 a 4,75%, pela mediana das estimativas, ante 5% na semana anterior. Para 2020, a mediana indica Selic de 4,88%, ante 5% na semana anterior.

Economia – Em relação à evolução da atividade econômica, o BC estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) deve mostrar “ligeiro crescimento” no terceiro trimestre, após ter vindo acima das expectativas no segundo trimestre.

“Os trimestres seguintes devem apresentar alguma aceleração, que deve ser reforçada pelos estímulos decorrentes da liberação de recursos do FGTS e PIS-Pasep – com impacto, em especial, no último trimestre de 2019”, prosseguiu o BC.

Quanto ao quadro externo, o BC avaliou que agora está “relativamente favorável” para economias emergentes, ante leitura de que estava benigno antes.

De um lado, BCs de economias centrais – notadamente nos Estados Unidos – têm baixado juros. De outro, riscos associados à desaceleração econômica global permanecem e incertezas ligadas a tensões comerciais e geopolíticas podem piorar esse front.

“As incertezas no cenário externo implicam riscos para ativos cuja precificação dependa sobremaneira de um cenário com taxas de juros globais baixas e manutenção do ritmo de crescimento econômico recente”, disse o BC, em um alerta novo em sua comunicação. (Reuters)