Gestão

Sucessão ainda é tabu e ameaça a sobrevivência de empresas, diz especialista

Falta de planejamento sucessório pode inviabilizar a continuidade de negócios, especialmente os familiares, e gera conflitos
Sucessão ainda é tabu e ameaça a sobrevivência de empresas, diz especialista
Foto: Adobe Stock

A falta de planejamento para a sucessão empresarial pode ser um ponto importante de vulnerabilidade das empresas brasileiras, especialmente as familiares. O tema foi abordado pela embaixadora do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-MG), Regina Bentes, durante debate promovido pela instituição na divulgação do projeto “Cidades Protegidas”, na manhã dessa quarta-feira (15), em Belo Horizonte.

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Segundo ela, embora empresários se dediquem ao crescimento e à gestão cotidiana dos negócios, raramente discutem cenários críticos, como o falecimento de um dos sócios. “O melhor momento para tratar da sucessão é antes. Depois, tudo acontece em meio à dor, conflitos e interesses distintos”, afirma.

Regina Bentes destaca que, apesar do Código Civil brasileiro oferecer diretrizes gerais, cabe às empresas estabelecer regras próprias em contrato social. Isso inclui definir quem assume responsabilidades, como será a continuidade da operação e quais direitos terão os herdeiros.

Um dos principais riscos, segundo ela, está justamente na falta de alinhamento entre sócios e familiares. “Os herdeiros têm direito às cotas, mas não necessariamente à gestão. Sem planejamento, isso pode gerar conflitos e até inviabilizar a continuidade da empresa”, explica.

O cenário é ainda mais delicado nas empresas familiares. De acordo com dados apresentados pela especialista, apenas três em cada dez empresas conseguem sobreviver à transição da primeira para a segunda geração. “Uma empresa familiar sem planejamento sucessório pode quebrar não pelo mercado, mas pela mesa da sala de jantar”, diz.

Embaixadora do Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-MG), Regina Bentes. | Foto: Larissa Vidal

Regina Bentes destaca ainda que divergências emocionais e interesses distintos costumam se transformar em problemas operacionais. Para ela, o diálogo antecipado é essencial. “O planejamento não é só contratar um seguro. É sentar, conversar e definir regras claras para evitar conflitos futuros”, comenta.

A embaixadora do Sincor-MG também reforça o papel estratégico do mercado segurador nesse processo. Segundo ela, além de instrumentos financeiros, como seguros para cobertura de cotas, o setor tem a função de conscientizar empresários.

A estratégia envolve parcerias com entidades como associações comerciais e federações industriais, além da capacitação de corretores para levar o tema aos clientes. “O corretor precisa assumir esse papel de orientação. E, para quem ainda não tem acesso ao seguro, precisamos ampliar esse alcance com apoio institucional”, propõe.

Apesar da relevância do tema, a sucessão empresarial ainda é pouco discutida no ambiente corporativo. Para Regina Bentes, mudar essa cultura é um desafio que exige informação e engajamento. “O empresário precisa entender que planejar a sucessão não é pensar no fim, mas garantir a continuidade do que foi construído”, conclui.

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