Nova Lima investe R$ 600 milhões em grandes obras de mobilidade e sonha com metrô

Município aposta em novas ligações viárias para romper a dependência de rodovias federais e estaduais; prefeitura discute metrô, VLT e uso de ferrovias desativadas
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Nova Lima investe R$ 600 milhões em grandes obras de mobilidade e sonha com metrô
Foto: Lucas Mendes/Prefeitura de Nova Lima

A cidade de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), está investindo cerca de R$ 600 milhões em grandes obras de mobilidade urbana, firmadas nos últimos cinco anos. Com a concretização das intervenções, o município projeta ampliar em mais de 35% o fluxo atendido pelo sistema viário, elevar em 17% a velocidade média dos carros e reduzir em 15% o tempo de viagem.

Os projetos são em resposta a um gargalo histórico em mobilidade que ainda afeta a qualidade de vida dos moradores. No horizonte mais distante, o município quer ser atendido por novos modais, em especial metrô .

Em entrevista ao Diário do Comércio, o prefeito de Nova Lima, João Marcelo Dieguez, afirma que a prefeitura elaborou um plano de mobilidade que contempla obras e intervenções, incluindo a realização de obras dentro de outros municípios.

A maior delas em aporte é a Via de Integração Rio de Peixe, considerada estratégica por ligar diretamente o bairro Honório Bicalho à região de Miguelão e Jardim Canadá, passando pela BR-040. O investimento é de R$ 480 milhões, custeados 70% pela Vale e 30% pelo município.

A obra foi dividida em dois trechos, com o primeiro edital já publicado, com início previsto para este ano. O segundo está na fase final do processo, com licitação também prevista para 2026.

Segundo o prefeito, a avenida promete interiorizar o desenvolvimento da cidade. “Hoje, quem sai do centro em direção ao Jardim Canadá precisa passar por Belo Horizonte para retornar a Nova Lima. A nova ligação abre espaço para novos núcleos urbanos, habitação social e atração de investimentos”, destaca.

Outra frente trabalhada é a ligação entre Nova Lima e Belo Horizonte, cujo processo de licenciamento ambiental foi iniciado junto ao governo do Estado. Orçada em R$ 250 milhões, a obra contempla ainda um parque linear entre o Belvedere e Vila da Serra.

A intervenção prevê a transformação da antiga área ferroviária desativada do ramal de Águas Claras, na divisa entre os dois municípios, em um espaço de lazer e preservação. “Vai derrubar o muro imaginário entre os dois bairros”, afirma Dieguez.

O plano prevê ainda o Viaduto Ferradura, com investimento de R$ 44 milhões e prazo de execução de 24 meses. A obra será custeada com recursos de Nova Lima, mas executada dentro do território de Belo Horizonte.

Já a avenida Dr. Flávio Guimarães, alternativa à MG-030, está 100% dentro de Nova Lima e tem 80% da execução concluída, com entrega prevista para o segundo semestre deste ano. O investimento é de R$ 98 milhões. Segundo Dieguez, hoje, a MG-030 é a única conexão entre a Capital e Nova Lima e está próxima de entrar em colapso.

Também estão previstas intervenções em outras frentes do sistema viário. Uma delas é o asfaltamento da MG-437, rodovia estadual cuja responsabilidade foi assumida pela Prefeitura de Nova Lima e que garantirá novo acesso a Sabará e à região Leste de Belo Horizonte. “Dos 12 quilômetros do traçado, 6 km já estão pavimentados. O investimento é de R$ 67 milhões, distribuídos entre os territórios de Nova Lima e Sabará. O plano contempla ainda a avenida Perimetral do Jardim Canadá, orçada em R$ 147 milhões.

Metrô, VLT e ferrovias antigas entram em discussão

Além dos aportes em rodovias, o município contratou consultorias e tem participado de grupos de discussão em mobilidade para apontar caminhos quanto aos novos modais. No entanto, barreiras orçamentárias impedem.

“Gostariamos de investir em metrô,e ferrovia, mas precisamos contar com dedicação maior do governo federal e estadual. O volume de investimentos é na casa de bilhões, o município não dá conta, de realizar investimentos desse nível”, pondera.

Para o metrô, existe o sonho da linha 3 (Savassi-Belvedere), que poderia chegar a Nova Lima, mas está em fase de estudos e discussões. “Estamos batalhando interesse de Nova Lima para ter isso, mas sendo sincero não estamos próximos disso acontecer. Só o estudo custa R$ 1 bilhão de reais, não tem como município fazer isso sozinho”, ressalta.

Segundo Dieguez, a própria topografia da cidade dificulta a implantação desse tipo de modal, mas não impede a ampliação de discussões e alternativas viáveis. “Podemos ter um metrô partindo da Savassi ao Belvedere e um VLT até Nova Lima, que conecte ao nosso centro histórico”, avalia.

Outra solução apontada pelo Executivo municipal é o uso de antigas ferrovias, inspiradas em trajetos que funcionaram no passado, como o trem de passageiros que iria até Raposos. Segundo o prefeito, essas linhas ainda existem, ainda que muito ocupadas ou deterioradas nas regiões urbanas.

“Seria alternativa discutir possibilidade dos trens de passageiros. O desafio da mobilidade ainda afeta qualidade de vida, o que queremos é melhorar significativamente nossos índices e uma cidade com qualidade de vida, sem ficar tanto tempo presa no trânsito”, relata o prefeito.

Arrecadação deve chegar a R$ 1,7 bilhão em 2026

A ampliação dos investimentos é reflexo do avanço na arrecadação municipal. Em 2021, Nova Lima registrou pouco mais de R$ 1 bilhão em receitas. Para 2026, a expectativa é chegar a R$ 1,7 bilhão, impulsionada pelo recolhimento de impostos em setores como mineração, saúde e serviços.

Paralelamente, a Prefeitura de Nova Lima busca incentivar outras vocações econômicas, como o ecoturismo e a formação de um polo de tecnologia para reduzir a dependência da mineração. “Entendemos que a atração de investimento envolve infraestrutura, planejamento urbano, segurança jurídica e qualificação de mão de obra. São pilares para os quais o poder público tem condições de contribuir”, finaliza Dieguez.

Evolução da arrecadação

  • 2021: R$ 1,036 bilhão
  • 2022: R$ 1,155 bilhão
  • 2023: R$ 1,283 bilhão
  • 2024: R$ 1,396 bilhão
  • 2025: R$ 1,539 bilhão
  • 2026: R$ 1,7 bilhão (expectativa)

Raio X

  • População: 111.697 habitantes
  • PIB total: R$ 12,4 bilhões (2023)
  • Emprego (acumulado 2026): admissões: 5.240; desligamentos: 5.066; saldo +174
  • Empregos formais: estoque: 61.042 (pessoas que estão empregadas com carteira assinada)
  • Principais atividades econômicas: serviços, consultoria, saúde (hospitais e clínicas), mineração, transportadoras
Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024). LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leomoraisj/

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