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Alan Greenspan, presidente do BC dos EUA por quase duas décadas, morre aos 100 anos

Ex-presidente do Fed morreu em decorrência de complicações da doença de Parkinson
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Alan Greenspan, presidente do BC dos EUA por quase duas décadas, morre aos 100 anos
Foto: Reuters/ Jonathan Ernst

O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Alan Greenspan morreu aos 100 anos em decorrência de complicações da doença de Parkinson, informou sua esposa, a jornalista Andrea Mitchell, nesta segunda-feira, 22. Greenspan comandou o banco central dos Estados Unidos entre agosto de 1987 e janeiro de 2006, um dos períodos mais longos da história da instituição.

Durante seus quase 20 anos à frente do Fed, tornou-se uma das figuras mais influentes da economia global, recebendo os apelidos de “Maestro” e “Oráculo” por sua capacidade de influenciar mercados e orientar expectativas sobre juros e atividade econômica.

“Para mim, ele era meu marido, que moldou minha vida desde nosso primeiro encontro, em 1984”, disse sua esposa. “Ele tinha uma ‘exuberância irracional’ por beisebol, pelo Washington Commanders, tênis, golfe e música, especialmente jazz. Será lembrado por sua genialidade e sua gentileza.”

Sua gestão no Fed coincidiu com um longo ciclo de expansão da economia norte-americana, iniciado em 1991, marcado por forte crescimento, baixa inflação e valorização dos mercados financeiros. Sob sua liderança, o Fed enfrentou episódios como o colapso das bolsas na “Segunda-Feira Negra” de 1987, a crise financeira asiática de 1997 e a quebra do fundo LTCM em 1998.

A reputação de Greenspan, porém, foi profundamente abalada após a crise financeira global de 2008. Críticos passaram a atribuir parte da responsabilidade ao ambiente de juros baixos mantido pelo Fed nos anos anteriores e à confiança excessiva na capacidade de autorregulação dos mercados financeiros.

Os juros baixos promovidos por Greenspan contribuíram para inflar a bolha imobiliária. A desregulamentação financeira que apoiou permitiu que bancos e outras instituições acumulassem riscos enormes, muitas vezes fora do alcance da supervisão governamental.

A seguradora AIG, por exemplo, precisou de um resgate de US$ 180 bilhões após perdas ligadas a derivativos. A Comissão de Investigação da Crise Financeira dos EUA concluiu que mais de três décadas de desregulamentação e confiança na autorregulação das instituições financeiras, defendidas por Greenspan e outros, eliminaram salvaguardas fundamentais que poderiam ter evitado a catástrofe.

O próprio ex-presidente do Fed admitiu posteriormente ter cometido um erro ao presumir que os bancos conseguiriam controlar adequadamente seus próprios riscos. “Cometi um erro”, reconheceu, ao avaliar as falhas que contribuíram para a crise.

Uma de suas declarações mais célebres ocorreu em dezembro de 1996, quando alertou para a possível “exuberância irracional” dos mercados acionários, expressão que se tornou um marco da história financeira moderna.

Nascido em Washington Heights, em Manhattan, Greenspan estudou economia na Universidade de Nova York (NYU), onde concluiu doutorado. Antes de chegar ao Fed, dirigiu uma consultoria econômica e atuou como assessor do presidente Gerald Ford. Em 1987, foi escolhido pelo então presidente Ronald Reagan para comandar o banco central americano.

Além da carreira econômica, Greenspan também teve uma passagem pela música. Na juventude, tocou clarinete e saxofone profissionalmente e chegou a se apresentar ao lado do futuro astro do jazz Stan Getz.

Após deixar o Fed em 2006, criou a consultoria Greenspan Associates, escreveu livros sobre economia e continuou participando do debate público sobre política monetária e mercados. Também assinou artigos e declarações em defesa da independência do Fed diante dos ataques políticos do presidente dos EUA, Donald Trump. Em janeiro de 2026, subscreveu um manifesto criticando a investigação do governo Trump contra o então presidente do Fed, Jerome Powell, classificando-a como uma tentativa sem precedentes de enfraquecer a independência do banco central.

Seu mandato, encerrado em 2006, ficou apenas cinco meses abaixo do recorde de duração de William McChesney Martin, que presidiu o Fed entre 1951 e 1970.

Em seu livro de 2013, “The Map and the Territory”, Greenspan rebateu as críticas que o responsabilizavam pela crise de 2008. Argumentou que os modelos econômicos tradicionais eram incapazes de prever os comportamentos irracionais que alimentam bolhas financeiras. “As bolhas sobem muito lentamente, à medida que a euforia cresce”, disse à Associated Press em 2013. “Então o medo aparece e tudo desaba muito rapidamente. Quando comecei a analisar isso, fiquei intelectualmente chocado.” Fonte: Associated Press.

Conteúdo distribuído por Estadão

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