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Entre os desafios impostos pela sociedade do século XXI está a adaptação dos modelos de negócios na entrega de resultados sem deixar de lado a colaboração para um mundo melhor. Esta é também uma premissa do Capitalismo Consciente, que propõe a empresas e empreendedores a repensarem a maneira de vender, consumir e de se relacionar.

Mas, e se ao invés de agirem isoladamente, companhias, instituições, entidades, executivos e sociedade se unissem em prol do bem comum?

A proposta foi apresentada e debatida por representantes de grandes empresas e instituições mineiras durante o painel de encerramento do webinar #JuntosPelasEmpresasDeMinas, iniciativa do DIÁRIO DO COMÉRCIO.

Com o tema “Construindo Legados”, os painelistas compartilharam suas histórias e ações para vencer os desafios do mundo moderno e falaram sobre as dores e as oportunidades que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) trouxe ao mundo e ao Brasil.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, ressaltou que o papel das entidades de classes é fundamental não apenas diante de crises e desafios como os trazidos pela pandemia, mas para a construção de um legado sólido para a sociedade, a partir da união e da sinergia de ações. Para ele, esta é a melhor forma de fazer mais com menos em prol da sociedade.

“O mundo atual já não abre espaço para quem está preocupado apenas em propagar seu nome, e sim com a missão e o melhor uso de recursos. E uma entidade como a Fiemg pode contribuir com cada atuação, unindo forças para o ganho de valor”, explicou.

Para a presidente Fundação Pitágoras, Helena Neiva, a aliança intersetorial é o grande caminho para a transformação da sociedade. Ela defendeu que isso nada mais é que somar forças de governo, empresas e fundações na busca de um propósito comum.

“Esse formato de aliança é o que fundação trabalha em todos os projetos de impacto social que implementa junto à educação pública, ao sistema prisional e à primeira infância, por exemplo. Sozinhos não conseguimos fazer muita coisa”, justificou.

O fundador e presidente do Conselho Administrativo da MRV, Rubens Menin, argumentou que o capitalismo precisa ser aprimorado e que os próximos anos tendem a ser marcados por uma mudança ainda mais evidente no comportamento de pessoas e empresas. Ele destacou que enquanto cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos vão para ações de filantropia, no Brasil, este índice é de apenas 0,2%.

“A filantropia é um caminho para mudar o mundo, mas a capacidade da sociedade civil organizada intervir ainda é muito baixa. A pandemia veio apressar este processo e logo teremos um novo legado por parte daqueles que entenderem que essa é a nova regra do jogo”, defendeu.

Menin destacou ainda que o mundo atual exige que as empresas sejam competentes, eficientes, éticas, preocupadas e engajadas com causas sociais, partilhando mais e pensando mais no próximo. E falou que a união que tem ocorrido em Minas Gerais no combate ao novo coronavírus já é fruto desta mudança. Par ele, a crise imposta pela doença mostrou a capacidade de mobilização e solidariedade das empresas.

Neste sentido, o CEO da ArcelorMittal Aços Longos, Jefferson de Paula, ressaltou a importância de empresas e instituições irem além na construção de seus legados. Para ele, muitas ações, embora positivas, compõem apenas uma mobilização conjuntural que não trará ganhos sólidos no longo prazo.

“O Brasil não pode continuar com a distribuição de renda e a desigualdade social que tem. Mas não vamos sair desta situação apenas com ações conjunturais. E se podemos olhar algum lado positivo desta pandemia é a oportunidade que ela nos dá de promover uma mudança estrutural”, resumiu.

O diretor de Mineração e Matérias-Primas na Gerdau, Wendel Gomes, chamou a atenção para o período pós-pandemia e os impactos econômicos que virão. Ele lembrou que a doença chegou ao Brasil em um momento em que a economia começava a se recuperar e destacou que Minas Gerais tem se posicionado positivamente.

“O caminho do maior esforço ainda vem pela frente, quando precisaremos de segurança econômica e jurídica para voltar a investir no curto prazo, pensando, inclusive, no legado para além dos muros das empresas, que geram riqueza não apenas em empregos diretos e indiretos, mas permeando a sociedade”, defendeu.

“Construção de algo melhor” – Por fim, a presidente e diretora Editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, Adriana Muls, destacou que palavras como empatia, compaixão, cuidado e amor marcaram o painel de abertura do seminário on-line, enquanto expressões como transformar a sociedade, diminuir a desigualdade social e a necessidade de união permearam o último. “Isso é, na verdade, a abertura para a construção de algo melhor”, finalizou.