Projeto de lei quer ampliar direitos de consumidores de jogos digitais no Brasil

Projeto quer transparência sobre jogos que dependem de conexão permanente com servidores
Projeto de lei quer ampliar direitos de consumidores de jogos digitais no Brasil
Foto: Reprodução Adobe Stock

O avanço da economia digital tem ampliado o debate sobre os direitos dos consumidores em relação a produtos adquiridos em plataformas on-line. No setor de jogos eletrônicos, o encerramento de servidores por desenvolvedoras e distribuidoras, que pode tornar títulos inacessíveis mesmo após a compra, motivou o movimento internacional Stop Killing Games e inspirou um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados.

Elaborado pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), em parceria com o presidente da Associação de Criadores de Jogos do Estado do Rio de Janeiro (ACJOGOS-RJ), Márcio Filho, o Projeto de Lei nº 3.612/2026 propõe regras para ampliar a transparência sobre jogos que dependem de conexão permanente com servidores e estabelecer procedimentos para o encerramento desses serviços.

Entre as medidas previstas no projeto estão a obrigatoriedade de informar, de forma clara, quando um jogo depender de servidores online para funcionar, a criação de mecanismos para evitar a perda total de acesso ao produto após o encerramento dos serviços e ações voltadas à preservação da memória digital, permitindo que jogos descontinuados permaneçam disponíveis para fins históricos, culturais e acadêmicos.

Segundo o presidente da ACJOGOS-RJ, Márcio Filho, a discussão ultrapassa o segmento de jogos eletrônicos e tende a alcançar outros produtos comercializados em ambiente digital.

“Quando uma pessoa compra um jogo, ela acredita que aquele produto é dela. Mas, na economia digital, essa relação nem sempre é tão simples. Hoje, empresas podem encerrar servidores, retirar conteúdos das lojas ou inviabilizar experiências que já foram pagas pelos consumidores. O projeto propõe um debate necessário: afinal, o que significa comprar um produto digital? Essa discussão começa pelos games, mas amanhã pode envolver filmes, livros, músicas e diversos outros serviços digitais que fazem parte da vida de milhões de brasileiros.”

O tema ganha relevância em um mercado em expansão. Dados da Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026 apontam que cerca de 74% dos brasileiros jogam jogos eletrônicos. No cenário global, a indústria movimenta mais de US$ 200 bilhões por ano, segundo a consultoria Newzoo. O crescimento do consumo de produtos digitais também tem intensificado discussões sobre garantias aos consumidores em serviços cada vez mais dependentes de infraestrutura on-line.

Para Filho, a proposta busca atualizar a legislação diante das transformações do mercado digital.

“Essa não é uma discussão contra a indústria de games. Pelo contrário. Regras claras aumentam a confiança do consumidor e fortalecem o mercado. Os jogos estão antecipando um debate que toda a economia digital terá de enfrentar nos próximos anos. A tecnologia evoluiu muito rápido, mas as garantias do consumidor ainda precisam acompanhar essa transformação. O Brasil tem a oportunidade de liderar essa conversa e construir um ambiente que proteja tanto quem desenvolve quanto quem consome tecnologia.”

Na avaliação da ACJOGOS-RJ, o projeto pode contribuir para a construção de um marco regulatório voltado à economia digital, conciliando inovação, segurança jurídica, preservação da memória digital e proteção aos direitos dos consumidores.

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Diário do Comércio