Coalização Redes Minas vai capacitar mulheres da periferia
A transformação sustentável só acontece de verdade quando quem decide investir se senta à mesma mesa com quem constrói soluções cotidianas nas bases dos territórios. Em sintonia direta com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 17, que convoca o mundo a firmar parcerias reais para a implementação da Agenda 2030, chega a Minas Gerais a coalizão Redes Minas. A iniciativa reúne o Movimento Bem Maior (MBM), o Instituto Localiza e o Instituto MRV&CO em uma aliança estratégica de filantropia colaborativa para oferecer 300 vagas gratuitas de qualificação profissional, com foco na emancipação socioeconômica de mulheres.
Os projetos-piloto serão realizados ao lado de organizações que já atuam nas comunidades: a Central Única das Favelas de Minas Gerais (Cufa Minas), o coletivo Marianas Mulheres Que Inspiram e o Instituto O Grito. A meta inicial é estimular a geração de renda própria ou a conquista de uma segunda fonte de receita, com cursos previstos para outubro e novembro de 2026 e inscrições abertas até 7 de setembro.
Potência econômica
O programa responde a uma realidade que redefine o mapa econômico do País: nos últimos dez anos, o empreendedorismo feminino cresceu 27% no Brasil, avanço 16 pontos percentuais superior ao registrado entre homens empreendedores no mesmo período, segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
Nas periferias, essa força é motor de subsistência e prosperidade. Dados do Data Favela revelam que os empreendedores das favelas movimentam cerca de R$ 300 bilhões ao ano em consumo e renda própria, exercendo papel central na economia nacional.
Nessa primeira fase, serão 300 vagas em formações profissionais nos eixos de Gestão, Letramento Digital, Gastronomia e Beleza, distribuídas entre Belo Horizonte e Itabirito. As alunas serão guiadas pela metodologia “Empreender é Ressignificar:
Desenvolvimento Integral para Mulheres das Favelas de Minas Gerais”, formulada pela presidente da Cufa Minas, Marciele Delduque, tecnologia social que já capacitou cerca de 1.600 mulheres na região de Mariana.
Para Delduque, formar com raiz no território é o caminho para converter talento individual em sustentabilidade coletiva:
“Quando qualificamos uma mulher negra e periférica, estamos transformando toda a dinâmica de uma família e de uma comunidade. Vamos usar a tecnologia social de empreendedorismo que desenvolvemos em Mariana e deu certo para ajudar a pilotar um programa que pode e deve se tornar uma política pública para as cidades.”
Em Ribeirão das Neves, a atuação ganha a força do Instituto O Grito, que abre outras 160 vagas, divididas entre Moda e Vestuário (Bolsa na Tela e Bordado Criativo), Letramento Digital, Gastronomia (Confeitaria e Salgaderia) e Beleza (Tranças, Manicure e Maquiagem). O foco é ampliar competências técnicas e socioemocionais para garantir inserção produtiva e autonomia. O cofundador do Instituto O Grito, Leo Martins, ressalta a importância de reconhecer a sabedoria das bases:
“Ninguém transforma a realidade de um território sem ouvir e valorizar quem já constrói as respostas no dia a dia. Para nós, estar nessa aliança significa potencializar vozes, gerar renda e abrir portas efetivas de desenvolvimento a partir do talento que nasce nas favelas e periferias.”
Inscrições Cufa Minas (Belo Horizonte e Itabirito):
Até 7 de setembro pelo formulário on-line:
Inscrições O Grito (Ribeirão das Neves):
Até 7 de setembro pelo formulário on-line:
Ouça a rádio de Minas