Liderança disruptiva pela mineração transformadora

Laureada com o Prêmio SME Maura Menin 2026 pela Sociedade Mineira de Engenharia (SME), Vânia Lúcia de Lima Andrade é referência para mulheres na atividade
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Liderança disruptiva pela mineração transformadora
Foto: Reprodução Adobe Stock

Discutir o futuro econômico de Minas Gerais e do Brasil sem encarar de frente as transformações da mineração é ignorar a própria espinha dorsal da nossa história produtiva. É nesse entroncamento que a trajetória de Vânia Lúcia de Lima Andrade, recentemente laureada com o Prêmio SME Maura Menin 2026 pela Sociedade Mineira de Engenharia (SME), emerge não apenas como uma biografia admirável, mas como um manifesto urgente sobre o País que precisamos construir.

Aos 75 anos, Vânia Andrade personifica uma síntese rara e necessária: química por formação, engenheira por práxis e pioneira em inovação disruptiva corporativa, se tornou uma liderança com voz ativa pela sua excelência técnica e legado transformador. Em 1974, quando os laboratórios e as plantas industriais eram redutos quase exclusivamente masculinos, ela abriu caminho técnico na base da competência e da persistência. Mas sua maior contribuição não se encerrou nos parâmetros de processo ou nos ensaios de metalurgia extrativa. O legado central dela reside em ter sido uma das primeiras vozes do setor a proclamar que a eficiência operacional da mineração passa pelo desenvolvimento estruturado nos territórios.

Vale destacar que a determinação e compromisso dela serviram para ajudar a traçar um futuro próspero para nossa vocação mineral e ainda é inspiração para lideranças em diversos segmentos. E essa visão regenerativa não é poesia: é imperativo de sobrevivência institucional e econômica.

Essa mesma clareza Vânia Andrade levou para o campo da liderança feminina. Como cofundadora do Women in Mining Brasil (WIM) e coordenadora de frentes técnicas, a pesquisadora demonstra na prática que a inclusão de mulheres nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) é um oxigenar urgente na tomada de decisão com autonomia de pensamento, visão sistêmica e capacidade de diálogo transdisciplinar, habilidades sem as quais é impossível articular agronomia, meio ambiente, tecnologia e comunidade.

Chama especial atenção a coragem com que ela aborda os entraves estruturais ainda presentes nas corporações: a urgência de uma rede real de apoio à maternidade e à retenção de talentos femininos, o fortalecimento dos órgãos reguladores de Estado, como a Agência Nacional de Mineração (ANM), e a recusa ao comodismo técnico. Ao buscar a própria autonomia intelectual, ela alavanca uma emancipação que não é só dela porque ajuda a romper modelos mentais que historicamente tentaram enquadrar as mulheres a papéis subalternos ou coadjuvantes.

Celebrar o pioneirismo de Vânia Andrade é revigorar o compromisso de lideranças públicas, privadas e civis com uma nova economia. O projeto de futuro para Minas e para o Brasil demanda ciência de ponta e regeneração. O amanhã começa pela ousadia de reescrever o presente.

Leia a reportagem: Inovação e regeneração: o legado de Vânia Andrade na mineração

Sobre o autor

Adriana Muls

Presidente

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