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Afiliados avançam e mudam lógica da publicidade digital

Setor movimenta hoje cerca de US$ 250 bilhões e pode chegar a US$ 480 bilhões até 2027
Afiliados avançam e mudam lógica da publicidade digital
Mercado de produção de conteúdo digital movimenta cerca de US$ 250 bi | Foto: Reprodução Adobe Stock

O avanço da chamada creator economy, que deve quase dobrar de tamanho até 2027, tem consolidado o marketing de afiliados como uma das principais portas de entrada para renda extra no Brasil. O modelo, baseado em comissões por vendas geradas, vem atraindo desde criadores iniciantes até microinfluenciadores, com impacto direto na dinâmica do consumo e da publicidade digital.

O mercado global de produção de conteúdo digital movimenta hoje cerca de US$ 250 bilhões e pode alcançar US$ 480 bilhões até 2027. Nesse cenário, atividades antes vistas apenas como produção de conteúdo, como recomendações e avaliações de produtos, passam a gerar receita de forma estruturada.
Entre os formatos que mais crescem está o marketing de afiliados. Nele, criadores divulgam produtos ou serviços por meio de links ou cupons personalizados e recebem comissões por cada venda ou ação gerada. O modelo elimina a necessidade de estoque, logística ou produto próprio, o que reduz barreiras de entrada e amplia o alcance da atividade.

Segundo o diretor regional da Awin para a América Latina, Rodrigo Genoveze, trata-se de uma lógica de publicidade baseada em performance. “Essa lógica de compartilhamento de receita beneficia tanto quem promove quanto quem produz o produto ou serviço”, afirma.

Na prática, o afiliado atua como um intermediário entre marcas e consumidores. A divulgação ocorre em diferentes canais, como YouTube, TikTok, Instagram e até grupos de WhatsApp, com formatos que vão de resenhas a tutoriais.

Além da promoção, o criador assume papel de curadoria. Em muitos casos, testa e compara produtos antes de indicá-los, o que contribui para aumentar a confiança do público. “O criador de conteúdo acaba sendo uma das pessoas que mais entende sobre o produto dentro daquela comunidade”, diz Genoveze.
Um dos vetores de crescimento do modelo é a atuação de micro e nano influenciadores. Dados da Awin indicam que criadores com menos de 10 mil seguidores podem gerar retorno médio de R$ 18 para cada R$ 1 investido, índice superior ao de influenciadores com audiências maiores.

Esse desempenho está associado ao nível de proximidade com o público. Em vez de depender de grandes volumes de audiência, o modelo privilegia relevância e capacidade de conversão.

Para o mercado, o avanço do marketing de afiliados sinaliza uma mudança estrutural na forma como produtos são promovidos e consumidos. O modelo também amplia o acesso de criadores a grandes marcas, inclusive internacionais, sem a necessidade de contratos publicitários tradicionais.

A tendência é que a atividade deixe de ser vista apenas como renda complementar e passe a integrar estratégias mais amplas de geração de receita digital. A combinação de baixo custo inicial, flexibilidade e potencial de escala mantém o modelo em expansão.

Marketing de afiliados em números e características

Investimento inicial: baixo, sem necessidade de estoque ou logística;
Modelo de remuneração: comissões por vendas ou ações;
Canais utilizados: redes sociais, vídeos, blogs e mensagens;
Retorno médio: até R$ 18 para cada R$ 1 investido em microinfluenciadores;
Principais vantagens: flexibilidade, escalabilidade e potencial de renda passiva.

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