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Ter os melhores executivos não garante o crescimento da empresa, diz headhunter

Tese central é de Ricardo Haag, da Wide Executive Search
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Ter os melhores executivos não garante o crescimento da empresa, diz headhunter
Foto: Adobe Stock

Ter os melhores executivos do mercado não é garantia de crescimento. Essa é a tese central de Ricardo Haag, headhunter e sócio da Wide Executive Search, butique de recrutamento focada em alta e média gestão. Para ele, a prosperidade corporativa depende cada vez menos do desempenho individual das lideranças e cada vez mais de algo mais difícil de construir: a capacidade do C-Level de jogar junto.

“Um ambiente de negócios cada vez mais complexo não tem espaço para lideranças que operam de forma isolada”, afirma Haag. “Desafios complexos exigem respostas construídas coletivamente, e não soluções fragmentadas com base nas visões de cada um.”
O argumento pode parecer óbvio, mas os números sugerem que a prática está longe de ser comum. Uma pesquisa global da plataforma Mural, divulgada em 2025, revelou que, apesar de 85% dos profissionais afirmarem que suas equipes colaboram bem, os mesmos admitem a existência de desalinhamentos frequentes em metas e prioridades. Mais grave: cerca de 90% reconheceram que a falta de colaboração impacta diretamente a retenção de clientes, conversões e lançamentos de produtos.

Para ilustrar o raciocínio, Haag recorre a um exemplo do esporte. Ele cita o histórico da seleção brasileira masculina de vôlei sob o comando de Bernardinho, que reuniu durante anos alguns dos melhores atletas do mundo em suas posições. “O diferencial não estava apenas na qualidade individual de cada jogador, mas na capacidade de todos colocarem um objetivo coletivo acima de seus interesses pessoais: vencer como equipe”, diz. “No mundo corporativo, o princípio é o mesmo.”

Quando metas individuais prevalecem sobre os objetivos estratégicos da organização, o resultado, segundo Haag, é previsível: perda de alinhamento, fragmentação das decisões e enfraquecimento dos projetos. O desafio para o líder máximo da empresa, portanto, não é apenas atrair bons nomes para o board, mas garantir que todos naveguem na mesma direção.

“O grande mérito de um bom gestor não é só atrair boas pessoas, mas engajá-las de forma que remem no mesmo sentido”, resume. “Garantir o comprometimento do C-Level com a mesma visão e que concordem com o caminho a ser seguido não é algo simples, mas é fundamental para assegurar a prosperidade corporativa.”

Haag reconhece que o conflito é inevitável quando se reúnem executivos experientes, com visões fortes e histórico de resultados. “Não há como ter a utopia de que divergências nunca acontecerão”, pondera. “Executivos experientes carregam, naturalmente, doses de ego e vaidade que fazem parte do ser humano.” Mas é justamente aí que entra o papel do líder: monitorar sinais de desalinhamento antes que se tornem fraturas na operação.

Ricardo Haag
Foto: Divulgação

Os sinais de alerta, segundo ele, raramente chegam de forma explícita. “A falta de boa vontade para colaborar, a redução da participação nas discussões, a ausência de energia para enfrentar desafios coletivos, ou comportamentos sutis como olhares de reprovação e resistência às decisões do grupo são indicadores que não devem ser ignorados”, alerta o headhunter. Diante desses sinais, a recomendação é agir com rapidez e franqueza: promover conversas abertas para compreender o que está por trás da atitude e resgatar o comprometimento com o objetivo comum antes que o desempenho de toda a organização seja comprometido.
Se o realinhamento não for possível, a decisão precisa ser outra. “No menor sinal de falta de harmonia entre esses pontos, cabe ao gestor trocar esses executivos, ou revisar o que é esperado pela empresa e por cada um ali dentro”, afirma Haag, sem meias palavras.

A conclusão do headhunter é direta: em um mercado cada vez mais dinâmico, a vantagem competitiva não reside apenas na qualidade dos executivos que compõem o board, mas na capacidade de fazê-los atuar como uma verdadeira equipe. “Criar um C-Level que jogue junto não é sobre eliminar diferenças, mas sobre construir alinhamento em torno de um propósito maior do que qualquer agenda individual”, conclui. “Empresas fortes são aquelas que conseguem transformar talentos distintos em um time coeso, capaz de debater, discordar e até mesmo confrontar ideias sem perder de vista o objetivo maior em comum.”

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