Autores desafiam visão consagrada sobre Juscelino Kubitschek
Lançado em maio e com sessão de autógrafos marcada para o dia 17 de junho, às 19 horas, na Livraria Leitura do Diamond Mall (região Centro-Sul), o livro “Juscelino: uma crítica ao desenvolvimentismo”, escrito por Antônio Claret Júnior e Lucas Berlanza propõe uma leitura revisionista e liberal da figura de JK.
A obra, publicada pela LVM Editora, contesta a visão de um JK que moldou um Brasil moderno e industrializado a partir do seu plano de metas “50 anos em 5”. De acordo com Claret Júnior, JK se tornou um ícone da política brasileira e pouco recebe críticas como gestor público.
“Convencionou-se entender Juscelino como um herói e pouco se relativizam os resultados das suas ações nos governos de Belo Horizonte, Minas Gerais e do Brasil. Como um liberal, entendo que JK é passível de críticas porque pouco se importou com o futuro do Brasil diante de ações bastante populistas”, afirma Claret Júnior.
Entre os principais pontos de crítica estão:
- O modelo de industrialização via intervenção estatal direta e forte endividamento adotado por JK.
- Problemas nas Contas Públicas com agravamento da dívida externa e interna e inflação.
- Distorções estruturais com o privilégio ao setor rodoviário em detrimento das ferrovias e aprofundamento das desigualdades regionais.
“Juscelino gostava de grandes obras que pudesse marcar seu nome na história, mas para isso não levava em consideração quem ia pagar a conta. A construção de Brasília talvez seja o grande exemplo. Além de não cumprir a promessa de interiorizar o Brasil, até hoje pagamos a conta daquela empreitada. JK tinha pouco compromisso fiscal e, além de aumentar impostos, aumentou perigosamente a nossa dívida interna e externa. À luz do liberalismo, o desenvolvimentismo de JK foi irresponsável e fez mais mal do que bem ao Brasil”, analisa.
A pesquisa para escrever o livro durou cerca de 1,5 ano e foram necessários mais seis meses para escrever. A maior parte da pesquisa foi feita em fontes secundárias, já que o período é bem documentado e já está disposto em outros livros.
Para evitar o risco do anacronismo – quando um personagem é julgado sob a ótica do presente sem a devida contextualização do seu período histórico – os autores usaram, além do rigor da técnica de pesquisa, a honestidade com o seu leitor, deixando claro que a análise é feita sob os pilares do liberalismo.
“Recorremos a alguns documentos originais, mas praticamente tudo já está nos livros. A maior dificuldade esteve em achar os pontos criticáveis sobre JK nessas obras nos livros. Todos os artigos são a favor. Contextualizamos o tempo todo para evitar o anacronismo. É uma análise liberal, poderíamos elogiar outras pessoas da época, como Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara, por exemplo, ou vários mineiros pouco reconhecidos como Teófilo Otoni e Milton Campos”, destaca.
2026 marca o 50º aniversário de morte de Juscelino e, por isso, o político está recebendo uma série de homenagens em Minas Gerais, como o Ano JK, o que pode ter contribuído para aflorar algumas críticas acaloradas à obra de Claret Júnior e Berlanza.
Já preparado para que isso acontecesse, já que “JK é tido como um herói, principalmente em Minas Gerais”, e sabendo que ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim, o escritor também enxerga qualidades em Juscelino Kubitschek, como carisma e coragem.
“JK era popular e carismático. Ele conseguia conversar com as massas e no poder jamais se aproximou de algo ditatorial, do autoritarismo, apesar de ter sido prefeito biônico de Belo Horizonte, no governo Vargas. Ainda assim, no poder, manteve uma postura pela democracia, o que em muitos momentos foi um ato de muita coragem”, avalia o autor.
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