Baterias de alta capacidade prometem economia para empresas e segurança contra apagões

Sistema pode trazer uma redução do custo com energia que varia entre 50% e 95%, a depender do perfil da empresa

Um sistema de armazenamento de energia em baterias de grande porte (BESS, na sigla em inglês), integrado a usinas solares, tem surgido como uma das alternativas adotadas pelo setor produtivo para mitigar a instabilidade das redes elétricas e garantir a continuidade das operações. A solução foi detalhada por empresas que atuam na implementação dessa tecnologia em Minas Gerais, durante o Imersão Indústria, evento que ocorre nos dias 29 e 30 de outubro, realizado pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.

Sistemas como os apresentados têm se tornado alternativas diante das limitações da rede tradicional de distribuição. Após o temporal do último domingo (25), por exemplo, foram necessários quatro dias para que o fornecimento de energia fosse totalmente restabelecido aos consumidores afetados. O período sem energia prejudicou o funcionamento de comércios e indústrias locais.

Desenvolvido em parceria entre a mineira Zipp Energia e a distribuidora PowerSafe (representante dos equipamentos da fabricante chinesa Huawei no Brasil), a solução já teve um primeiro exemplo do gênero homologado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para um cliente privado no Estado.

A estrutura fornece até 27 horas de autonomia contínua em caso de interrupção na rede elétrica comercial, atua no gerenciamento da demanda e do consumo no horário de ponta, e pode trazer uma redução do custo com energia que pode variar entre 50% e 95%, a depender do perfil operacional da planta.

Baterias trazem segurança e diminuem prejuízos financeiros

A busca por maior autonomia energética tem aumentado com a intensificação dos eventos climáticos, que deixam municípios desenergizados por períodos prolongados, trazendo riscos operacionais e prejuízos financeiros.

Um dos projetos pioneiros no Estado foi instalado na granja de matrizeiros da Rivelli Alimentos, localizada em Carmo do Cajuru, na região Centro-Oeste. Neste caso, que envolve estruturas de criação enclausuradas, o desligamento do sistema de ventilação forçada compromete a oxigenação dos galpões em menos de uma hora, trazendo prejuízos elevados.

O executivo de operações da PowerSafe, André Ribeiro, aponta o impacto econômico gerado por interrupções em unidades fabris com esse perfil. “Essa operação do cliente é extremamente crítica por se tratar de criação de animais. O custo de paralisação desse cliente é de R$ 3,6 milhões por hora sem energia. É um prejuízo expressivo que faz com que o retorno sobre o investimento (payback) do projeto ocorra de forma extremamente rápida”.

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Diferente dos geradores convencionais a diesel, que dependem de acionamento mecânico e estão mais sujeitos a falhas pontuais, os sistemas de bateria utilizam comutação automática para realizar a transição para a rede autônoma sem oscilações de tensão.

Além de atuar como fonte suplementar de energia (backup), o sistema opera por meio do conceito de arbitragem, ou seja, a eletricidade gerada pelos painéis solares ou captada da rede é armazenada nos períodos de menor custo e utilizada durante o horário de ponta (entre 17h e 20h), quando a tarifa da concessionária atinge seus valores mais altos.

O diretor da Zipp Energia, Arthur Pena, detalhou a configuração técnica do projeto instalado no interior de Minas Gerais. Segundo ele, é um projeto que conta com 378 kWp (quilowatt-pico) de geração solar fotovoltaica, que alimenta a operação e o sistema de armazenamento de 1.3 MWh (megawatt-hora). “O sistema trabalha gerenciando a carga. Descarrega até 60% do equipamento no horário de ponta para gerar economia na fatura e mantém 40% de margem resguardada full-time para emergências. Se houver queda na rede, o sistema assume com total autonomia”, explicou.

Pena destaca ainda a engenharia e as questões regulatórias envolvidas na instalação. “Nossa empresa é especializada em full EPC, entregando a solução completa do dimensionamento e engenharia à construção. Este sistema específico é pioneiro e um dos maiores de Minas Gerais em complexidade. Ele funciona perfeitamente conectado à concessionária, mas tem a capacidade de comutar instantaneamente para uma operação 100% independente em caso de blackout”, detalhou.

Embora o setor industrial e o agronegócio de grande porte tenham registrado retornos financeiros mais expressivos devido aos contratos em alta tensão, os sistemas de armazenamento têm sido adaptados a diferentes perfis de consumo. Segundo André Ribeiro, a tecnologia distribuída pela empresa já conta com aplicações em redes de varejo e turísticos.

“Temos operações rodando em redes de supermercados, condomínios e no setor hoteleiro, como projetos recém-comissionados em outros estados. Em comércios menores, como sorveterias, por exemplo, o retorno se dá pela prevenção de perdas de mercadorias perecíveis. Atendemos desde projetos residenciais de alto padrão até grandes complexos industriais”, explicou.

Para casos em que o desabastecimento da rede pública se estenda por prazos superiores à capacidade de autonomia das baterias e da usina fotovoltaica, a arquitetura do sistema ainda permite o acoplamento a grupos geradores a diesel como terceira camada de segurança energética.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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