Exclusivo: Bauducco vai abrir quatro novas lojas em Minas Gerais e investir mais de R$ 8 milhões no Estado
Com um plano de expansão que prevê a abertura de novas operações em Minas Gerais e investimentos superiores a R$ 8 milhões no Estado, a Bauducco aposta na experiência do consumidor para fortalecer sua presença no mercado mineiro. Nos próximos meses, a marca inaugurará a primeira loja própria em Minas, que será instalada às margens da Rodovia Papa João Paulo II (MG-010), que liga Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional de Confins, BH Airport, na Região Metropolitana (RMBH), além de duas unidades da rede de cafeterias Casa Bauducco em Belo Horizonte e uma em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Juntas, as novas operações devem gerar cerca de 60 empregos diretos.
Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, durante a 33ª edição da ABF Franchising Expo, realizada na semana passada em São Paulo, a diretora de expansão D2C da Bauducco, Renata Rouchou, detalhou a estratégia da companhia para ampliar a atuação em Minas Gerais, os investimentos previstos, os desafios do franchising e a meta de dobrar a rede de operações da Casa Bauducco no País, passando das atuais 230 para 500 unidades nos próximos anos. Veja as respostas abaixo:
A Bauducco tem planos de expansão previstos para Minas Gerais?
Hoje ainda temos uma presença pequena em Minas Gerais, mas queremos crescer muito. Dentro da estratégia de expansão do D2C, vamos inaugurar, nos próximos meses, quatro operações: três franquias da Casa Bauducco, no Boulevard Shopping e no Shopping Del Rey, em Belo Horizonte, e no Uberlândia Shopping, em Uberlândia. Além disso, vamos instalar a primeira loja própria da Bauducco no Estado. Ela estará localizada na rodovia que liga Belo Horizonte ao Aeroporto de Confins, em frente à Cidade Administrativa, em um posto de combustíveis que já reúne operações como Burger King e Subway. Será um conceito híbrido dentro da estratégia D2C e, ao lado dela, haverá uma operação da Casa Bauducco.
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Qual é a previsão para essas inaugurações?
Nosso ano fiscal começa a partir desta quarta-feira (1º) e vai até 30 de junho de 2027. As inaugurações acontecerão dentro desse período. Ainda não consigo precisar uma data para cada operação, mas a expectativa é que, até meados de 2027, essas quatro lojas já estejam funcionando. Acredito muito que elas vão aumentar ainda mais a visibilidade da marca em Minas. Para nós, é fundamental proporcionar ao consumidor essa experiência presencial. Hoje, o consumo mudou bastante: não é apenas a compra de um produto, mas toda a experiência envolvida. Temos ferramentas de CRM para aumentar a recorrência dos clientes e campanhas permanentes de marketing, como a estratégia always on, que leva produtos sazonais para diversas datas comemorativas nas lojas.
Qual o valor do investimento nas novas operações mineiras?
Uma loja da Casa Bauducco, com aproximadamente 50 metros quadrados, exige investimento entre R$ 700 mil e R$ 750 mil, dependendo das características do imóvel. Já a operação da Bauducco Loja, que terá cerca de 800 metros quadrados e será construída do zero, demandará investimento entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões. Nossa expectativa é gerar aproximadamente 60 empregos diretos com essas novas operações.
Por que Minas Gerais foi escolhida para receber esse novo ciclo de expansão?
Temos um projeto nacional de expansão do D2C que contempla a abertura de 50 Bauducco Lojas. Atualmente, temos 25, ou seja, estamos no meio do caminho. Esse plano prevê, no mínimo, uma Bauducco em cada uma das principais capitais do País. Minas Gerais, pela relevância econômica e pelo potencial de consumo, precisava estar entre os estados contemplados. Queremos ampliar significativamente nossa participação no mercado mineiro.
Por que a empresa escolheu a rodovia entre Belo Horizonte e Confins (MG-010) para instalar a primeira Bauducco Loja em Minas Gerais?
Quando estruturamos o plano de expansão da Casa Bauducco, mapeamos cerca de mil pontos comerciais para selecionar aproximadamente 500. Já para as Bauducco Lojas, que exigem investimentos maiores, realizamos um estudo que identificou 52 endereços estratégicos em todo o Brasil. Depois fizemos um novo levantamento utilizando inteligência artificial para mapear todas as rodovias brasileiras. Analisamos o fluxo de veículos, identificamos as melhores estradas em cada estado e verificamos que o volume de tráfego tende a cair após os primeiros 100 quilômetros de viagem. Assim, conseguimos definir os pontos ideais de implantação. Naturalmente, nem sempre encontramos um imóvel exatamente onde gostaríamos, mas esse trabalho tornou nossa estratégia bastante assertiva.

Como surgiu o projeto da Casa Bauducco?
A Bauducco tem mais de 70 anos de mercado. Muita gente não sabe, mas ela começou com uma loja no Brás, em São Paulo. Nossa origem foi varejista, não industrial. Depois, a empresa evoluiu até se tornar a maior produtora de panetones do mundo. Em 2012 criamos o conceito da Casa Bauducco, com o objetivo de estabelecer nosso primeiro negócio Direct to Consumer (D2C), permitindo que a indústria tivesse contato direto com o consumidor, em vários momentos de consumo. Isso inclui locais que estão abertos desde o café da manhã a shoppings, lojas de rua e operações de aeroportos 24 horas por dia. Hoje nós temos 230 lojas abertas e em implantação em todo o País. Nossa meta é chegar a 500 em um prazo de três a quatro anos, no máximo, por meio das nossas franquias, modelo de negócio que aderimos a partir de 2015.
Depois de 11 anos no franchising, quais são os principais desafios da marca?
O principal desafio é manter a marca dinâmica, atualizada e contemporânea. A inovação faz parte do DNA da Bauducco. Criamos o panetone, inventamos o chocottone e sempre buscamos inovar. Na Casa Bauducco isso também acontece. É fundamental atualizar constantemente o projeto arquitetônico, o mix de produtos e a experiência oferecida. Recentemente, passamos por um processo de rebranding, renovando identidade visual, projeto das lojas e cardápio. Fizemos pesquisas na Itália para conhecer produtos típicos e regionais, muitos dos quais foram incorporados ao portfólio. Além disso, convivemos com a chegada constante de novos concorrentes, nacionais e internacionais. O desafio é fazer da Casa Bauducco um destino frequente para o consumidor, ao longo do ano, e sua primeira escolha em datas como Páscoa e Natal.
A Bauducco vai seguir apostando no franchising como principal modelo de expansão?
Sem dúvida. Temos hoje um número expressivo de franqueados multiloja. Na ABF Franchising Expo trabalhamos com políticas comerciais voltadas tanto para novos franqueados, especialmente em regiões onde ainda não estamos presentes, quanto para multifranqueados. Os melhores operadores da rede podem expandir seus negócios por meio de condições diferenciadas em taxa de franquia e royalties. São parceiros que já conhecem a marca e têm experiência. Queremos crescer junto com eles.
O atual cenário macroeconômico, com juros elevados e inflação pressionada, representa um obstáculo para a expansão?
É difícil dizer que não. Mas, ao mesmo tempo, o franchising continua crescendo acima da economia brasileira. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o faturamento do setor cresceu 10,1% no primeiro trimestre deste ano, atingindo R$ 72,7 bilhões. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a receita somou R$ 308,4 bilhões, avanço de 10,7%. Muitas vezes, diante de um mercado de trabalho mais desafiador, pessoas utilizam recursos como a rescisão trabalhista para empreender. Assim, o franchising acaba crescendo até mesmo em cenários econômicos mais difíceis. Como costuma destacar a própria ABF, boa parte das atividades presentes no cotidiano do consumidor está organizada em franquias, seja alimentação, farmácia ou serviços. É um segmento extremamente abrangente.
A expansão da Casa Bauducco e da loja própria abre espaço para novos formatos de negócio?
Neste momento nosso foco está totalmente voltado para consolidar nossos dois modelos de negócio. Precisamos levar a Casa Bauducco de 230 para 500 unidades e ampliar as Bauducco Lojas de 25 para 50 operações. Queremos concluir esse ciclo antes de pensar em novos formatos.
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