Com a crise, empresa passou a apostar ainda mais na venda de garrafas no lugar do chope | Crédito: Divulgação

Quase seis meses após ter início a maior crise do mercado cervejeiro artesanal de Minas Gerais, com a contaminação da cerveja Belorizontina, da Backer, maior e mais famosa marca do Estado, aos poucos o setor vem se reerguendo e tentando driblar também os desafios impostos pelas medidas de distanciamento social em combate ao novo coronavírus (Covid-19).

Este é o caso da cervejaria Läut, com fábrica no bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Fundada em 2016 e com capacidade atual de produzir 100 mil litros de cerveja artesanal por mês e envasar 400 caixas de cerveja por dia, a empresa está em plena expansão e, nos próximos meses, vai aumentar em 50% a capacidade fabril e expandir em oito vezes a capacidade de envase. O valor a ser investido não foi revelado.

As informações são do fundador e diretor comercial da Läut, Henrique Neves Santiago de Paula. Segundo ele, o investimento é, ao mesmo tempo, fruto dos resultados já observados e aposta no aumento na demanda no decorrer dos próximos meses.

“Por causa das medidas de isolamento e o fechamento de bares e restaurantes perdemos parte da nossa receita, que vinha da venda dos chopes. Com isso, passamos a apostar ainda mais nas garrafas e, por isso, estamos ampliando nossa capacidade de envase. A aceitação tem sido muito positiva”, revelou.

Assim, as cervejas da Läut já podem ser encontradas no mercado de autosserviço e nas principais redes supermercadistas da RMBH. Outro ponto de venda da marca é o Ao Gosto Carnes Nobres com uma parceria íntima que gera frutos desde 2018.

O empresário destacou também que uma das apostas para essa chegada mais intensa no sistema de autosserviço é o preço competitivo, compatível com grandes players do mercado. Ele citou que os estilos Pilsen, Dark Lager, Pale Ale, Weiss, Session IPA, American IPA, Double IPA são todas puro malte e elaboradas com ingredientes de qualidade, mas estão inseridas nas gôndolas com valores acessíveis. “É uma forma de atrair novos consumidores para o mercado de artesanais”, destacou.

Além do delivery, que foi expandido e está sendo muito utilizado nesse momento, a empresa aposta também no sistema de e-commerce e, em breve, vai lançar uma loja virtual, que está em fase final para o lançamento.

Com isso, a expectativa da empresa é encerrar 2020 com crescimento da mesma ordem das expansões. Para Santiago de Paula, existe uma demanda reprimida em função da saída da Backer do mercado. Ao mesmo tempo, conforme ele, o consumidor mineiro voltou a consumir cervejas artesanais, ao perceber que se tratou de um problema pontual daquela cervejaria.

“As pessoas já voltaram a confiar no segmento das artesanais, até porque o Ministério da Agricultura se posicionou e indicou que o problema era pontual. Já existe, inclusive, uma normativa do setor proibindo o uso de anticongelantes com qualquer nível de toxidade. Somos fiscalizados constantemente e não fazemos uso deste tipo de produto”, garantiu.

Caso Backer – A cervejaria Backer, localizada no bairro Olhos d’Água, na região do Barreiro, segue interditada desde 11 de janeiro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A empresa foi alvo de inquérito da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais depois que 42 pessoas se intoxicaram e nove morreram ao ingerir a cerveja Belorizontina contaminada pela substância dietilenoglicol.

No mês passado, a fábrica foi parcialmente liberada a remover os 472 mil litros de cerveja acumulados desde que teve as operações suspensas. Segundo a empresa informou, na época, o conteúdo dos tanques foi direcionado para a fabricação de álcool 70% para doação para a rede pública de saúde.