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Sucessão fica mais cara e impulsiona recorde de testamentos no Brasil

Alta recorde de testamentos e novas regras tornam o processo mais caro e complexo
Sucessão fica mais cara e impulsiona recorde de testamentos no Brasil
Foto: Reprodução Adobe Stock

O Brasil entrou em um novo ciclo para a transmissão de patrimônio, e ele é mais caro e mais complexo. Em 2025, o País registrou 38.740 testamentos, o maior número da série histórica, segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal. Ao mesmo tempo, mudanças nas regras do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), impulsionadas pela reforma tributária, elevaram o custo e a complexidade da sucessão, com alíquotas progressivas e maior alcance sobre bens no exterior.

O movimento revela uma mudança de comportamento, mas também escancara um descompasso: mais brasileiros passaram a se preocupar com o tema, porém muitos ainda adiam decisões, mesmo diante de um cenário mais oneroso.

Na prática, esse atraso cobra um preço. “Empresas e famílias que deixam o planejamento sucessório para depois tendem a enfrentar menos alternativas, maior carga tributária e mais riscos no momento da transferência de patrimônio”, afirma a sócia e especialista em Consultoria Societária e Patrimonial da BLB Auditores e Consultores, do Grupo BLB, Liz Azevedo. Em muitos casos, o tema só entra na agenda quando há um gatilho, como venda da empresa, reorganização societária ou eventos inesperados, quando já é mais difícil e caro estruturar soluções.

O impacto vai além da esfera familiar e chega ao centro das decisões empresariais. Empresas familiares, que respondem por cerca de 65% do PIB nacional, segundo dados apresentados no Vision Tech Summit Agro 2025, são particularmente expostas. Sem uma estrutura sucessória clara, aumentam os riscos de conflito, descontinuidade na gestão e perda de valor.

Esse efeito já é percebido pelo mercado. Bancos, fundos e investidores passaram a olhar com mais atenção para a organização societária e patrimonial das empresas. “Falhas nesse campo são interpretadas como risco, o que pode afetar o acesso a crédito, pressionar o valuation e até travar operações de fusões e aquisições”, explica Liz Azevedo.

Liz Azevedo
Em muitos casos, o tema só entra na agenda quando há um gatilho, como venda da empresa, reorganização societária ou eventos inesperados, diz Liz Azevedo | Foto: Divulgação Grupo BLB

Outro ponto de atenção, segundo Liz Azevedo, é a internacionalização do patrimônio. A maior incidência do ITCMD sobre ativos no exterior adiciona uma camada de complexidade que exige planejamento mais sofisticado e reduz o espaço para decisões de última hora.

Nesse cenário, o planejamento sucessório deixa de ser uma medida patrimonial e passa a ser uma alavanca estratégica. Mais do que definir herdeiros, trata-se de organizar ativos, reduzir ineficiências tributárias e garantir continuidade e governança.

O aumento no número de testamentos mostra que o tema entrou no radar. Mas, com as novas regras, a discussão muda de patamar: não é mais sobre “se” planejar, mas “quando”. E, no atual ambiente, esperar pode significar uma decisão mais cara e com menos controle.

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