Déficit da balança comercial gera impacto na indústria têxtil mineira

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Déficit da balança comercial gera impacto na indústria têxtil mineira
Para o ano que vem, as estimativas da Abit são mais otimistas: é esperada alta de 8,3% em volume de produção em 2021 | Crédito: Manu Dias/SECOM

O déficit da balança comercial da indústria têxtil mineira chegou a US$ 112 milhões nos primeiros 11 meses de 2020. O valor representa 3,5% do saldo brasileiro, que ficou negativo em US$ 3,173 bilhões. Ao todo, o Estado exportou US$ 37,7 milhões e importou US$ 150,6 milhões neste ano até novembro.

Embora a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) não tenha disponibilizado os números de faturamento, no ano passado, a indústria têxtil do Estado respondeu por 13% do resultado do setor em âmbito nacional, chegando a R$ 24,1 bilhões. No País, o valor foi de R$ 185,7 bilhões em 2019.

Para 2020, as expectativas não são as mais otimistas. Em coletiva de imprensa, o presidente da Abit, Fernando Pimentel, destacou que o setor vem apresentando recuperação desde julho, em ritmo acima do esperado, mas que vem estável em termos de produção desde setembro. E, por isso, encerrará o ano no negativo.

A produção do setor deverá ser de 1,87 milhão de toneladas, queda de 8,8% sobre o exercício anterior, quando a produção foi de 2,05 milhões. Em valor, o setor deverá movimentar R$ 50,1 bilhões, baixa de 5,8% na mesma base de comparação.

Apenas de janeiro a outubro, a produção no País caiu 11,4% sobre a mesma época de 2019. No acumulado de 12 meses, a queda é de 9%.

“O setor de vestuário é o terceiro maior consumo das famílias em termos de bens. Quando adicionamos outras atividades como roupas, cama e mesa, calçados, automóveis e outros, atingimos o segundo lugar. O setor vai para além da moda e integra uma infinidade de segmentos, como construção, automotivo e geotêxtil, sem falar na área de higiene e saúde, começando pelo algodão. Estamos falando de um megamercado que poderia ser ainda maior, se o País como um todo tivesse crescido”, explicou.

2021 – Para o ano que vem, as estimativas são mais otimistas. Conforme o dirigente, é esperada alta de 8,3% em volume de produção em 2021, o que significa 2,03 milhões de toneladas. Caso os números se confirmem, o setor poderá recuperar toda a perda de faturamento causada pela pandemia em 2020.

O presidente, alertou, porém, sobre o risco trazido pelos novos casos de contaminação de Covid-19 e a possibilidade de fechamento das atividades econômicas novamente.

“Quando projetamos os números não estávamos ainda considerando que a propagação maior viria e geraria um novo quadro no varejo, preocupação que voltou a fazer parte do cenário. Vínhamos em um certo controle e, de repente, tudo mudou no Brasil e no mundo. Ainda não sabemos o que isso vai gerar, mas tudo indica que entramos em uma segunda fase de restrições de mobilidade e isso pode afetar a economia”, ponderou.

De toda maneira, ele lembrou que o setor têxtil brasileiro é um dos poucos no mundo com produção em todos os elos da cadeia, contando com fornecedores, insumos, universidades, centros de pesquisas, etc.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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