Do laboratório à moda: Doce Veneno cresce em Divinópolis e amplia capacidade de produção
Há 17 anos no mercado, a Doce Veneno, fábrica de roupas femininas sediada em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, teve um início diferente. A confecção de peças, que seria apenas uma forma de levantar recursos para montar um laboratório de análises ambientais, resultou na criação de uma empresa que hoje vende para vários estados e está em processo de expansão da capacidade produtiva.

Fundadora da Doce Veneno, Janaine Maia se formou em biomedicina e precisava levantar recursos para a construção do laboratório. Foi então que começou a desenvolver e confeccionar peças femininas para vender às amigas. A escolha pelo setor ocorreu em razão da experiência da mãe, que tinha uma confecção voltada para a produção de moda praia, íntima e fitness.
“Na faculdade de biomedicina, enquanto eu planejava trabalhar com análises ambientais e montar um laboratório, comecei a produzir roupas para vender aos colegas e reunir recursos. Comecei a fazer algumas blusas e casaquinhos para vender na faculdade, porque conhecia muita gente. Todo mundo me pedia dicas de moda e eu sempre gostei muito desse ambiente. Então comecei a fazer as peças e vender. O negócio foi vendendo e eu fui aumentando a produção.”
Os primeiros investimentos foram feitos com recursos próprios. Janaine vendeu o celular, e o então noivo, uma moto, para que os dois pudessem comprar os primeiros rolos de tecido. A empresária fazia os moldes, acompanhava a costura e realizava o corte das peças. Com o aumento dos pedidos, novas costureiras foram incorporadas à operação.
Mesmo depois de formada em biomedicina, Janaine decidiu seguir no setor da moda. A estrutura que havia sido construída para receber o laboratório acabou sendo utilizada pela empresa. A Doce Veneno passou pelo varejo em shopping de Divinópolis e, posteriormente, adotou o sistema de representantes, concentrando a operação no atacado.
Atualmente, a marca atende lojistas por meio de 22 representantes, incluindo aqueles que atuam em eventos, e está presente em Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. A empresa também possui clientes pontuais no Acre e no Amazonas.
A Doce Veneno trabalha com peças femininas atemporais, com atenção especial aos tecidos, ao conforto, à qualidade, à modelagem e ao acabamento. A estratégia é oferecer produtos que possam ser utilizados em diferentes temporadas e combinados com itens de outras coleções, evitando a necessidade de substituição frequente do guarda-roupa.
“A gente trabalha mais o atemporal para a pessoa saber formar um guarda-roupa inteligente. Ela vai comprar uma peça, às vezes com um valor mais agregado, mas vai ter aquela peça por muito tempo no guarda-roupa. Se comprar a coleção seguinte, vai ter peças que combinam com as coisas que comprou hoje.”
Hoje, a empresa conta com 25 funcionários na fábrica e mais de 150 pessoas envolvidas em facções externas e em serviços como bordado e estamparia. A empresária continua acompanhando o desenvolvimento das coleções e a área comercial, além de participar dos eventos.
A empresa segue registrando resultados positivos. Neste ano, as vendas da coleção de inverno cresceram 32% em relação às da coleção anterior, e a expectativa é superar esse desempenho com a coleção de verão, cuja comercialização ainda está em curso. A empresa trabalha com uma meta de corte de 5 mil peças por mês.
Neste ano, a Doce Veneno também iniciou a reforma de um galpão ao lado da fábrica. A intenção é transferir o setor de costura para o novo espaço e ampliar a capacidade de produção. Também foram feitos investimentos em maquinário, com a aquisição de uma prensa maior.
“A gente está reformando um galpão para aumentar a nossa capacidade de produção e atender ao crescimento do mercado.”
Apesar dos resultados positivos, Janaine ressalta que o setor enfrenta desafios importantes, que acabam interferindo nos planos de expansão. “O maior desafio que a gente está enfrentando é a falta de mão de obra. Estou com vagas em aberto na fábrica e não estou conseguindo encontrar pessoas capazes de executar os serviços. A gente está investindo em treinamento para as pessoas que estão aqui poderem treinar outras que ainda vão entrar. Isso acaba interferindo no crescimento da empresa.”
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