Ease Labs prevê exportação de produtos à base de cannabis
A obtenção do Certificado de Boas Práticas de Fabricação de Insumos Farmacêuticos Ativos (CBPF) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para canabidiol obtidos por extração vegetal pela Semeya – braço farmoquímico do Grupo Ease Labs e responsável pelas etapas de purificação e padronização de canabinoides realizadas no Brasil -, leva a empresa, sediada em Belo Horizonte, a projetar um novo ciclo de expansão comercial com a venda de medicamentos à base de cannabis para a Europa e outros territórios.
De acordo com o co-CEO e fundador do Grupo Ease Labs, Guilherme Franco, apesar de não ser obrigatório para a operação no Brasil, o CBPF reforça a posição do grupo como fornecedor de produtos de cannabis de alta qualidade, o que favorece a entrada em mercados internacionais.
“A Anvisa é internacionalmente reconhecida como uma das vigilâncias sanitárias mais qualificadas e importantes do mundo, então essa certificação reconhece e atesta o quanto os nossos processos obedecem aos mais rigorosos critérios de boas práticas internacionais. Com isso, planejamos um novo ciclo de expansão comercial dentro e fora do Brasil”, explica Franco.
A conquista ocorre em um momento de expansão do mercado brasileiro de produtos à base de cannabis e de avanço do ambiente regulatório, com destaque para o varejo farmacêutico, atualmente o segmento de maior crescimento do setor. Segundo a Close-Up International, consultoria especializada em inteligência de mercado para a área da saúde, as vendas de produtos à base de cannabis em farmácias e no canal hospitalar registraram crescimento médio de 55,4% nos últimos quatro anos, movimentando R$ 433,3 milhões, de acordo com relatório divulgado em outubro de 2025.
Para o executivo, mais do que um reconhecimento institucional, o CBPF representa um avanço para toda a cadeia produtiva nacional, fortalecendo a capacidade do Brasil de desenvolver, produzir e fornecer insumos farmacêuticos com elevado padrão de qualidade, contribuindo para o crescimento da indústria e para a ampliação do acesso a tratamentos à base de cannabis no País.
Outro ponto importante é o combate às controvérsias e fake news que ainda rondam o uso dos medicamentos à base de cannabis. A certificação ajuda a comprovar a qualidade não só da Ease Labs, como referenda a seriedade da cadeia produtiva brasileira.
“A nossa estrutura está pronta para suportar a expansão comercial, tanto com produtos de marca própria como para outras indústrias farmacêuticas, na nossa divisão B2B. Agora é hora de olhar para onde vamos. A Europa é um grande mercado em potencial. Temos produtos de qualidade e um custo competitivo, além da chancela de um regulador gabaritado. Austrália e Nova Zelândia também estão no nosso radar, além dos Estados Unidos dependendo do caminho que a regulação tomar naquele país”, destaca.

A notícia da abertura das negociações sobre um futuro acordo comercial entre o Mercosul e o Japão, no último dia 16, também anima o empresário, apesar desse processo poder durar anos. A perspectiva é de que novos postos de trabalho sejam abertos nas operações brasileiras e na Colômbia à medida que esses mercados sejam abertos.
“A possibilidade de abertura comercial é sempre muito boa. O Japão pode ser uma ótima porta de entrada para o mercado asiático que ainda é pouco regulamentado. Enquanto isso, ao passo em que os mercados internacionais e o brasileiro forem crescendo, vamos aumentar a produção e contratar tanto para as indústrias, em Belo Horizonte, como para a parte agrícola, na Colômbia”, pontua.
Em meio a esse planejamento, a Ease Labs celebra a transferência de tecnologia para a Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” (Furp) – laboratório farmacêutico do Governo do Estado de São Paulo, vinculado à Secretaria da Saúde de São Paulo.

O acordo vai permitir que a Furp produza e distribua os medicamentos à base de cannabis produzidos pela EaseLabs para o Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo. “Esse é um momento especial porque damos um grande passo no propósito de democratizar o acesso a uma classe de medicamentos que está na fronteira do conhecimento e que tem uma gama crescente de aplicações. Estamos muito satisfeitos porque conseguimos antecipar esse projeto em um ano”, comemora o co-CEO e fundador do Grupo Ease Labs.
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