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Fintech Vitório chega a Minas Gerais com proposta de transformar a indústria em ‘bancos’

Essa expansão para o mercado mineiro reforça a estratégia da fintech de se posicionar junto a polos industriais relevantes
Atualizado em 13 de março de 2026 • 15:42
Fintech Vitório chega a Minas Gerais com proposta de transformar a indústria em ‘bancos’
Foto: Reprodução Adobe Stock

A fintech business-to-business (B2B) Vitório chega ao mercado mineiro com a proposta de transformar indústrias nos próprios bancos de suas redes de distribuição. A expansão para Minas Gerais ocorre em um momento estratégico, devido ao fortalecimento do crédito privado e à relevância crescente do parque industrial mineiro para a economia nacional.

O CEO e co-fundador da Vitório, Rafael Nakamoto, avalia que a chegada a Minas reforça a estratégia da fintech de se posicionar junto a polos industriais relevantes. “Oferecendo às empresas uma alternativa para estruturar financiamento, melhorar governança financeira e ampliar retorno sobre capital, sem depender exclusivamente do sistema bancário tradicional”, completa.

Além do parque industrial local, o empresário destaca que a expansão para o Estado foi motivada pelo perfil das cadeias produtivas locais, que são intensivas em capital e possuem redes complexas de distribuição. Segundo ele, a região concentra diversos setores estratégicos. “Esse ambiente cria uma demanda natural por soluções estruturadas de crédito para financiar distribuidores e parceiros comerciais”, diz.

Outro ponto mencionado por ele é o fato de Minas Gerais possuir forte protagonismo na economia nacional, respondendo por uma parcela expressiva das exportações industriais brasileiras, e abrigar cadeias B2B robustas, exatamente o tipo de operação que a Vitório busca atender.

O relacionamento estabelecido com a equipe da Fiemg Anjos, iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) voltada aos investimentos em startups de tecnologia, também contribuiu para essa expansão para o mercado mineiro. Essa parceria proporcionou a oportunidade para a fintech se conectar com diversas indústrias da região.

“Esse contato funcionou como um importante elemento de validação de mercado, reforçando o potencial de atuação da Vitório no estado e sua capacidade de contribuir para o aprimoramento das relações B2B e para a melhoria da qualidade do crédito dessas empresas”, avalia.

Foco em indústrias com cadeias de distribuição estruturadas

O foco da empresa no Estado, segundo Nakamoto, são empresas industriais com cadeias de distribuição estruturadas e que já concedem prazos comerciais relevantes aos seus parceiros. Isso inclui companhias do setor de metalurgia, siderurgia, mineração, alimentos, bebidas, químico e farmacêutico, fabricantes de bens intermediários e empresas da indústria de transformação.

“Essas companhias geralmente operam em cadeias B2B complexas, com grande número de distribuidores ou revendedores que dependem de crédito para ampliar suas operações”, relata.

A expectativa da empresa é consolidar parcerias com indústrias relevantes do Estado e estruturar operações de financiamento para suas redes de distribuição, utilizando instrumentos do mercado de capitais como os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs).

Proposta da Vitório

A proposta da fintech parte de um diagnóstico comum no setor industrial. Na prática, a indústria já atua como financiadora do crescimento de seus distribuidores, oferecendo prazos longos, assumindo risco de crédito e absorvendo custos financeiros, muitas vezes, sem governança, estrutura adequada ou retorno compatível. A Vitório busca reorganizar esse fluxo, estruturando crédito, risco e funding de forma profissional e escalável.

“A ideia é melhorar a qualidade do processo, trocando um ciclo vicioso de perda de margem e crescimento ao longo da cadeia por um ciclo virtuoso de crescimento para todos os envolvidos”, explica.

Nakamoto destaca que em estados com forte base industrial, como é o caso de Minas Gerais, quem financia o crescimento da cadeia não é o banco, mas sim a própria indústria, com estruturas informais e sem controle de risco e baixo retorno. No mercado, há indústrias que buscam fazer algo diferente, como trabalhar com bancos que oferecem produtos financeiros, como antecipações e capital de giro. Porém, neste caso, a margem e o relacionamento ficam com estes mesmos bancos, destruindo valor no longo prazo.

Há ainda algumas indústrias que optam por criar suas próprias fintechs, mas precisam superar investimentos iniciais de mais de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões por ano, com o risco de desfocar da operação central e não ter o resultado esperado. “A Vitório nasce para inverter essa equação, permitindo à indústria se beneficiar de uma estrutura como se fosse própria, mas com escala profissional e por uma fração do custo e do esforço”, afirma.

Crescimento dos FIDCs no Brasil

Pessoa analisando gráficos financeiros em dois monitores.
Foto: Reprodução Adobe Stock

A fintech combina modelos de negócio já testados pelo fundador em sua passagem por outras empresas, como o uso intensivo de dados, analytics e inteligência artificial (IA) para análise de crédito, além do acesso ao mercado de capitais por meio de FIDCs. “Essa combinação permite escalar operações de financiamento com maior eficiência e controle de risco”, diz.

O movimento de expansão para o mercado mineiro ocorre em um contexto em que o mercado brasileiro de fundos de direitos creditórios saltou de cerca de R$ 300 bilhões para R$ 800 bilhões em apenas dois anos. Esse crescimento foi impulsionado por mudanças regulatórias, maior apetite por crédito privado e busca por alternativas ao sistema bancário tradicional.

O CEO da Vitório ressalta que o Brasil tem mais de R$ 1,6 trilhão em dívida corporativa. “O crescimento dos FIDCs não é moda, é um reposicionamento estrutural do sistema financeiro. Minas Gerais, pelo perfil industrial e pela densidade de cadeias B2B, está no centro dessa transformação”, destaca.

Apesar do momento de forte liquidez, o executivo faz um alerta sobre o excesso de euforia no mercado. Na sua avaliação, os próximos anos devem trazer testes relevantes aos modelos de crédito privado, com maior volatilidade de juros, ciclos econômicos mais desafiadores e aumento da inadimplência.

Ele também pondera sobre as expectativas em torno das duplicatas escriturais como garantia, ressaltando que, embora tragam avanços regulatórios, não eliminam o risco de crédito, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas.

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