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Franquias mineiras ganham força e ampliam presença no exterior

Minas Gerais se consolida como polo de franchising, com empresas expandindo nacional e internacionalmente e recebendo selos de excelência
Franquias mineiras ganham força e ampliam presença no exterior
Foto: Reprodução Adobe Stock

Terceiro Estado mais importante na composição do PIB brasileiro em 2025, Minas Gerais representou aproximadamente 9,1% do total, consolidando seu PIB em R$ 1,157 trilhão, segundo dados divulgados pela Fundação João Pinheiro (FJP). A esses números soma-se uma população de 20 milhões de habitantes, formando um mercado poderoso, capaz não só de atrair marcas de todo o mundo como de dar origem a empresas que espalham suas unidades pelo Brasil e pelo mundo. É nesse cenário que o franchising mineiro avança.

Franqueadoras mineiras de diferentes segmentos têm ganhado escala e vivido bons ciclos de expansão nacional e internacional por meio do modelo. Embora não existam dados oficiais, analistas de mercado julgam que o Estado seja o quarto com maior número de franqueadoras, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A força do Estado do Sul do Brasil vem, especialmente, do sucesso de O Boticário, com sede em Curitiba. A marca de cosméticos é a segunda maior franqueadora do País, com 3.898 unidades até o fim do ano passado, segundo a Pesquisa de Desempenho do Franchising 2025, publicada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), em março deste ano.

Entre as 50 maiores franqueadoras brasileiras listadas pela entidade, a primeira mineira é a Localiza, em 41º lugar, com 601 unidades e sede em Belo Horizonte. Logo depois, aparece a rede de cafeterias e empório Cheirin Bão, com 588 unidades, sediada em Varginha (Sul de Minas); e, em 49º lugar, a Arezzo, com 424 unidades. E, entre as 20 maiores microfranquias, a única mineira é a Emive Franchising, que aparece em oitavo lugar, com 954 unidades.

E a maior das franqueadoras mineiras continua com apetite para crescer no Brasil e no mundo. O modelo foi iniciado em 1983 no Brasil e, em 1992, expandido para outros países da América do Sul, contribuindo para consolidar a Companhia como a maior rede de aluguel de carros do continente. Atualmente, são 75 agências franqueadas no Brasil e 70 agências distribuídas em cinco países da América do Sul: Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai.

Cristina Vaz
Investimento inicial para abertura de uma unidade Localiza é a partir de R$ 1,2 milhão, afirma Cristina Vaz | Foto: Divulgação Localiza&Co

A Companhia, de acordo com a diretora de Franchising da Localiza, Cristina Vaz, segue investindo no crescimento consistente, com foco em capilaridade, e no fortalecimento da rede de franquias. O investimento inicial para abertura de uma unidade varia de acordo com o local de instalação da agência e o mix de frota, a partir de R$ 1,2 milhão.

“Acreditamos que a parceria com empreendedores locais, que conhecem profundamente as necessidades e características da região, é fundamental para o sucesso desse movimento. Em 2026, a nossa prioridade é concluir o processo de recomposição do ROIC spread (medida de geração de valor), estabelecer as bases para uma nova agenda de crescimento sustentável, seguir avaliando oportunidades de expansão internacional com geração de valor, além de avançar na renovação e otimização da frota. Nesse cenário, o franchising segue como um dos pilares estratégicos de crescimento da Localiza, contribuindo para a ampliação da capilaridade da marca, o fortalecimento da presença regional e a geração de valor de forma consistente, tanto no Brasil quanto no exterior”, afirma Cristina Vaz.

Minas Gerais segue estratégica nos planos da Localiza e hoje conta com oito franquias e com 15 agências distribuídas em 13 cidades. Ao mesmo tempo em que cuida da própria casa, a empresa segue em busca de boas oportunidades no exterior. A expansão internacional também exige adaptação às dinâmicas locais de mercado, operação e comportamento do consumidor, além de uma avaliação criteriosa das condições econômicas e regulatórias de cada país.

“A internacionalização é um movimento estratégico de longo prazo, sempre pautado por disciplina na alocação de capital, eficiência operacional e geração de valor. Nesse contexto, um dos principais desafios é identificar mercados em que seja possível replicar e escalar os diferenciais competitivos construídos pela Companhia ao longo de mais de 40 anos. Nossa estratégia não se limita à origem do investidor. Buscamos parceiros alinhados à nossa visão de longo prazo, o que pode envolver tanto empreendedores locais e investidores estrangeiros quanto brasileiros com experiência e capacidade de atuação nos mercados internacionais. O foco está sempre em garantir alinhamento estratégico, excelência operacional, geração de valor e consistência na entrega da experiência da marca em todos os mercados onde atuamos”, pontua.

ABF reconhece franquias mineiras

Em maio, a ABF agraciou 289 redes franqueadoras com o Selo de Excelência em Franchising (SEF), entre elas, 12 mineiras. A distinção, concedida anualmente com base na avaliação dos próprios franqueados, reconhece redes com alto padrão de gestão, suporte e rentabilidade.

Na categoria Master, foram reconhecidas: Constance (moda), Localiza (serviços automotivos) e NTW Contabilidade (serviços), da Capital; Farmelhor (saúde e bem-estar), de Piumhi (Centro-Oeste de Minas); e Orthocrin (casa e construção), de Santa Luzia (Região Metropolitana de Belo Horizonte, RMBH).

Na categoria Sênior, o selo foi concedido à Só Multas (serviços), de Belo Horizonte, e à Viva Eventos (entretenimento), de Juiz de Fora (Zona da Mata).

E na categoria Pleno, foram chanceladas: Avantar (serviços), de Caratinga (Vale do Aço); Clube de Permuta (serviços) e Tutoreanos (serviços), de Belo Horizonte; Mr Shake Sorvetes (alimentação), de Curvelo (região Central); e Oral Centter (saúde e bem-estar), de Montes Claros (Norte de Minas).

Em Belo Horizonte, o Clube de Permuta mantém o velho estilo mineiro de não se afobar e aposta em uma expansão gradual e sólida, com um forte processo de seleção de franqueados. A plataforma funciona com um sistema de trocas multilaterais. Nesse modelo, a transação comercial acontece de forma que mais de duas partes concordam em trocar produtos e serviços entre si, sem a necessidade de um encontro de interesses, valores e disponibilidade. A troca pode ser realizada em momentos distintos das necessidades dos envolvidos. A necessidade de produto ou serviço e o valor de negócios são individuais. Cada parte compra o que precisa na hora que precisa.

De acordo com o CEO do Clube de Permuta, Antônio Bortoletto, com unidades em Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, além de Minas Gerais, a marca acaba de desembarcar na capital paulista em um momento estratégico.

“Tivemos a oportunidade de desembarcar na capital paulista em 2017, mas entendemos que precisávamos de um nível de entrega muito maior, então decidimos esperar. Começamos, então, por cidades importantes do interior. Enquanto isso, nos fortalecemos tecnologicamente, aprimoramos o nosso processo de seleção de franqueados e até começamos nossa internacionalização pela Colômbia e Portugal”, relembra Bortoletto.

Com 22 unidades abertas e mais cinco negociações abertas no Brasil, sendo duas no Nordeste, duas no interior de São Paulo e uma no Triângulo Mineiro, além de outras duas internacionais, ainda na fase inicial, o empresário garante ter dito mais nãos do que sins para candidatos a franqueados.

“O Clube de Permuta não é um negócio para empreendedores de primeira viagem; o candidato tem que ter passado por grandes empresas. Atualmente, todos os nossos franqueados têm outros negócios. Como nos tornamos uma empresa nacional, nos apropriamos de várias culturas, mas há uma coisa específica de Minas que é um dos nossos pilares e que as pessoas, às vezes, não percebem: a paciência. Não fazemos por fazer, nem sempre o melhor caminho é a agilidade. Embora o franchising seja, via de regra, um modelo de aceleração de expansão, cada negócio tem suas necessidades e seu ritmo próprio. Então, para nós, ele funciona, sim, como um acelerador, mas não na velocidade de outros tipos de negócio”, avalia o CEO do Clube de Permuta.

Interior mostra força no franchising mineiro

Chancelada pelo Selo de Excelência em Franchising (SEF) da ABF na categoria Pleno, a Oral Centter, com sede em Montes Claros (Norte de Minas), é uma dessas franqueadoras mineiras que chegam devagarinho ao mercado, mas com apetite para conquistar o País.

Criada pela dentista e empresária Priscila Campos Gusmão, após o fim traumático de uma antiga franquia de clínicas odontológicas, a Oral Centter tem como principal estratégia o crescimento concêntrico, especialmente por cidades do interior. Atualmente, são 70 unidades em operação e outras 74 negociadas. A expectativa é chegar ao fim do ano com 100 clínicas abertas. O formato é enxuto, com duas ou três cadeiras e investimento médio de R$ 300 mil.

“Talvez eu esteja perdendo oportunidade, mas ainda prefiro vender o modelo que pratico. Sei operar bem um sistema enxuto de duas ou três cadeiras. Temos muito critério quanto à região; fazemos a expansão em espiral. Hoje não temos no Sul do País, por exemplo. O período da pandemia reforçou a mudança de consumo para a proximidade. Fomos para os bairros com centros comerciais fortes, antes de irmos para o centro da cidade. Nos bairros existem mais pertencimento, fidelização e menor custo”, avalia Priscila Gusmão.

Acostumada a fazer conversão de bandeira, ela não acredita no sucesso do chamado sócio-investidor e não vende mais de uma unidade para o mesmo parceiro. Além de controlar o ritmo de expansão por meio de uma rígida seleção dos franqueados, ela aposta na tradição mineira de serviços de excelência.

“O franqueado ideal é aquela pessoa que tem fome, que arregaça as mangas e que acredita no que pregamos e executa. Os resultados da conversão de bandeiras são muito bons. É um empreendedor mais maduro e grato. E entendo que a mineiridade nos traz a questão do cuidado, da cordialidade e da empatia, sem deixar de ter muita qualidade de entrega”, conclui a fundadora da Oral Centter.

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