Gerdau adia início de operação da expansão da mina de Miguel Burnier para o 4º trimestre

Projeto de R$ 3,2 bilhões ampliará a produção de pellet feed em 5,5 milhões de toneladas anuais

A Gerdau adiou para o quarto trimestre de 2026 (4T26) o início da operação da expansão da mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais. A informação foi confirmada nos resultados do terceiro trimestre de 2026, divulgados pela empresa nessa segunda-feira (26).

Até então, a previsão divulgada pela Gerdau era de que a unidade começasse a produzir minério de ferro com qualidade comercial no terceiro trimestre deste ano (3T26). Segundo a companhia, o projeto de R$ 3,2 bilhões está na fase final dos testes integrados.

O empreendimento é um dos maiores investimentos da siderúrgica no Brasil e prevê ampliar em 5,5 milhões de toneladas por ano a capacidade de produção de pellet feed, minério de ferro de alta qualidade utilizado na fabricação de aço. Em agosto, a expectativa divulgada pela empresa era iniciar a produção comercial ainda no terceiro trimestre, após um atraso de aproximadamente seis meses em relação ao cronograma original.

A expansão deverá abastecer a usina siderúrgica de Ouro Branco, também na região Central de Minas, e gerar excedente para comercialização. A estimativa apresentada anteriormente pela Gerdau era destinar cerca de 3,5 milhões de toneladas anuais à unidade siderúrgica e disponibilizar entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas ao mercado.

Outro ponto importante é que a utilização de minério próprio deverá diminuir a necessidade de compras de terceiros, enquanto a qualidade superior do material poderá reduzir o consumo de coque e carvão mineral nos altos-fornos. A companhia ainda não havia definido o destino comercial do excedente, entre o mercado interno e as exportações.

Leia mais: Mina da Gerdau em Miguel Burnier entra em operação neste trimestre

Resultados do terceiro trimestre

O anúncio do novo prazo para Miguel Burnier ocorre em um trimestre de avanço na rentabilidade da Gerdau. A companhia registrou EBITDA ajustado de R$ 3,8 bilhões entre julho e setembro, alta de 9,9% em relação ao segundo trimestre de 2026 (2T26) e de 37,8% na comparação com o mesmo período de 2025 (3T25). A margem EBITDA ajustada alcançou 20,2%, o maior patamar desde o segundo trimestre de 2023.

A receita líquida consolidada somou R$ 18,7 bilhões, crescimento de 4,6% na comparação trimestral e de 3,9% em relação ao 3T25. Já o lucro líquido ajustado chegou a R$ 1,5 bilhão, avanço de 3,9% quando comparado ao trimestre anterior e de 39,7% em um ano.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações da América do Norte, que responderam por 76,4% do EBITDA ajustado consolidado, com R$ 2,9 bilhões e margem de 27,7%. A região se beneficiou dos reajustes de preços implementados ao longo do ano e da demanda sustentada em segmentos como construção não residencial, centros de processamento de dados e energia renovável.

No Brasil, o EBITDA ajustado foi de R$ 741 milhões, alta de 5,2% em relação ao 2T26. O resultado refletiu a maior participação do mercado interno nas vendas e a melhora dos preços em algumas linhas de produtos, apesar da concorrência elevada e da pressão sobre a demanda doméstica. Na América do Sul, por outro lado, o indicador recuou 22% no trimestre, para R$ 160 milhões, afetado por paradas programadas de manutenção, custos maiores e demanda enfraquecida em mercados como Argentina e Uruguai.

As vendas consolidadas de aço ficaram praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior, totalizando 2,9 milhões de toneladas. Na comparação anual, houve queda de 5,6%, principalmente em razão da redução dos volumes vendidos no Brasil. A produção consolidada de aço bruto recuou 6,5% ante o 2T26, para 3 milhões de toneladas, refletindo paradas programadas de manutenção em diferentes operações.

Investimentos e retorno aos acionistas

A Gerdau investiu R$ 955 milhões em despesas de capital (CAPEX) no terceiro trimestre, elevando o total aplicado nos nove primeiros meses de 2026 para R$ 3,1 bilhões. Além do avanço nos testes integrados de Miguel Burnier, a companhia iniciou a operação de um centro de reciclagem em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, para ampliar a capacidade de abastecimento metálico e fortalecer a competitividade das operações brasileiras.

O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 1,4 bilhão no trimestre, ante R$ 237 milhões no 2T26. No acumulado de janeiro a setembro, o indicador somou R$ 1,7 bilhão, revertendo o resultado negativo de R$ 1 bilhão registrado no mesmo período de 2025.

Com base no resultado trimestral, a companhia aprovou a distribuição de R$ 667 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,34 por ação, com pagamento previsto para 15 de dezembro de 2026. A dívida líquida correspondeu a 0,58 vez o EBITDA ajustado, abaixo das 0,69 vez registradas no trimestre anterior e das 0,81 vez do 3T25.

O Diário do Comércio procurou a Gerdau para comentar o assunto, mas não havia recebido retorno até a publicação da matéria.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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