Grupo NotreDame amplia operação no mercado mineiro

26 de maio de 2021 às 0h27

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De acordo com Irlau Machado Filho, Minas já estava no radar do grupo há alguns anos | Crédito: Divulgação

Com investimentos de R$ 1,7 bilhão em cinco aquisições no último ano, o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI), maior operadora de saúde do Brasil, está fortalecendo a presença em Minas Gerais. Hoje já são, ao todo, 10 centros clínicos e oito hospitais, dos 88 e 29 distribuídos respectivamente em todo o País.

O mais recente deles diz respeito ao Hospital Lifecenter, localizado em Belo Horizonte, cuja compra foi recentemente aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sob inversões de R$ 240 milhões.

De acordo com o CEO do GNDI, Irlau Machado Filho, Minas Gerais já estava no radar do grupo há alguns anos. A empresa vinha prospectando e estudando os ativos nas diversas regiões do Estado e, no ano passado, iniciou as aquisições por meio da compra do Grupo Santa Mônica, em Divinópolis (Centro-Oeste). Segundo ele, a intenção é conferir ao mercado mineiro os atributos que a operadora já detém em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina, oferecendo uma complementaridade de serviços de saúde para grande parte da população.

“Temos planos regionais e microrregionais. Não é possível falar em regiões, mas seguimos acompanhando o mercado. Minas é um Estado amplo com uma distribuição populacional capilar interessante. Queremos contribuir com a disponibilidade e a qualidade da saúde, por meio de investimentos em tecnologia médica, aprimoramento dos hospitais, reformas físicas das estruturas e expansão dos atendimentos. Temos um plano ousado para contribuir com o desenvolvimento do setor em Minas”, revelou.

E o advento de telemedicina ajudará neste processo, propiciando a chegada e a atuação do grupo em regiões menores, por meio de sistemas de apoio locais com clínicas e unidades de pronto-atendimento, utilizando as redes hospitalares para oferecer o serviço completo. É o que prevê a atuação concêntrica do grupo, em termos de complexidade hospitalar. Por meio das unidades de maior capacidade de atendimento consegue-se expandir o atendimento, e à medida que se faz necessário, abre-se mais hospitais, de forma a levar o acesso ao cuidado primário a toda população.

A rede própria da operadora de saúde possui uma estrutura de atendimento que soma, atualmente, 28 hospitais, 88 centros clínicos, 23 prontos-socorros autônomos, 14 centros de medicina preventiva, 12 unidades para exames de imagem, 86 pontos de coleta de análises clínicas e dois centros de saúde exclusivamente dedicados ao público 50+ (NotreLife 50+).

“Como somos uma operadora, nosso foco é sempre evitar o desperdício e oferecer um serviço de qualidade. Para isso, custo e eficácia devem ser acompanhados de perto. Quem lucra com isso é a sociedade. A sustentabilidade está no nosso DNA e nossa missão é prover saúde de qualidade a preços acessíveis a gerações de brasileiros. E, para conciliar sustentabilidade com eficiência é preciso eliminar vícios e abusos e fazer o que é certo para o paciente”, ressaltou.

Relatório de sustentabilidade

Neste contexto, o relatório de sustentabilidade da empresa de 2020 mostrou que a empresa está atenta às questões de ESG, com ações como a realização de um inventário de gases de efeito estufa contemplando todas as unidades, com verificação por auditoria e compensação de 100% das emissões tornando o GNDI “Carbono Neutro”; a implantação do Projeto de Compostagem em algumas unidades, transformando resíduos orgânicos em adubo; instalação de iluminação LED em 73% dos hospitais, gerando uma redução de 48% do consumo de energia. Além de 11 transações de M&A no decorrer do ano passado, avaliação máxima de desempenho pela Agência Nacional de Saúde (ANS); 22 unidades assistenciais com Acreditação ONA e quadro de colaboradores composto por 81% de mulheres.

Segundo o CEO, um dos grandes desafios para alcançar as metas e manter os negócios alinhados com os propósitos foi e está sendo a pandemia de Covid-19. Não apenas pelos percalços já impostos pela crise sanitária em si, principalmente em se tratando de um gigante do setor médico-hospitalar. Mas também sob o ponto de vista do negócio, em virtude da crise econômica causada pelo coronavírus.

“Na saúde houve alguns impactos desafiadores, como a escassez de materiais e medicamentos em níveis mundiais. Isso gerou custos altíssimos, em alguns casos aumentados em mais de 1.000%. As luvas hospitalares sofreram aumentos de mais de 600%, os aventais de 1.400%, medicamentos para intubação com incrementos superiores a 800%. O cenário ocasionou impactos na indústria como um todo, inclusive na saúde, o que nos faz refletir sobre os custos do setor e a perenidade de cada um desses investimentos. No caso de UTIs e respiradores, muito provavelmente, teremos um reflexo na qualidade assistencial no futuro para todos os operadores e até para o governo”, explicou.

Apenas o GNDI investiu em na abertura de mais de mil leitos, implementou a telemedicina e realizou 805 mil atendimentos via plataforma digital, bem como 3 mil consultas multidisciplinares (Nutrição e Psicologia), 1,7 milhão de prescrições realizadas e 191 mil prescrições de receita especial.

“A pandemia em si continua sendo um problema. Temos um patamar altíssimo de pacientes internados, o isolamento social não está sendo obedecido, cumprido ou estipulado na magnitude necessária, a vacinação ainda é lenta e tudo isso compõe um cenário ácido para o poder público e para o setor privado. Ainda há pouco entendimento de como isso pode refletir futuramente em termos de acessos e custos. A diferença e o que temos frente aos demais é que, como somos donos da maior parte da nossa cadeia de valor, com vários hospitais, laboratórios próprios e centros clínicos, o impacto acaba sendo positivo no médio prazo, uma vez que temos maior controle sobre possíveis abusos e desperdícios”, justificou.

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