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Eliminações podem frustrar previsões de venda de cerveja, e Ambev amarga perdas na Bolsa

Relatório do Morgan Stanley aponta queda nas projeções do terceiro trimestre para as cervejarias
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Eliminações podem frustrar previsões de venda de cerveja, e Ambev amarga perdas na Bolsa
Foto: Nathália Segato/Adobe Stock

Torcedores do Brasil e do México despertaram nesta segunda-feira (6) ainda com o gosto amargo das eliminações na Copa do Mundo. Para as empresas cervejeiras, a sensação talvez seja parecida.

A saída das duas seleções do torneio pode frustrar as projeções de vendas de cerveja no terceiro trimestre, diz relatório do Morgan Stanley divulgado nesta segunda. Ainda que a Copa continue, as derrotas dos países que estão entre os maiores consumidores da bebida no mundo provavelmente levarão a um consumo menor do que o esperado se ambos os times tivessem avançado para as fases seguintes da competição.

A Ambev — subsidiária da América Latina da AB InBev, gigante cervejeira da Bélgica — é a mais exposta a esse risco, afirmam os analistas. As ações caíam mais de 3% no pregão da Bolsa Brasileira às 14h30, e os papéis fecharam em queda de 4% em Bruxelas. Nos Estados Unidos, a Constellation Brands, que distribui as marcas Corona e Modelo no país, caía 6%.

A Heineken, que também tem exposição “significativa” aos mercados brasileiro e mexicano, caiu 1,4% no pregão de Amsterdã.

“Acreditamos que a concentração do aumento no volume de cerveja provém de jogos que avançam para as fases finais dos torneios”, dizem os analistas do Morgan Stanley.

O Brasil amargou uma derrota para a Noruega e, assim, enfileira o maior jejum de títulos em Copa do Mundo na história. A seleção pentacampeã não conseguiu chegar às quartas de final pela primeira vez desde 1990, vendo o sonho da sexta estrela do brasão derreter após dois gols de Erling Haaland.

A eliminação precoce da seleção provavelmente vai ser mais danosa às vendas de cerveja do que a saída do México, afirmam os analistas. Isso porque o mercado de consumidores é maior — e o sonho pelo Hexa, mais mobilizante do que as expectativas dos torcedores mexicanos, que nunca viram o El Tri levantar a taça da Fifa.

O México perdeu para a Inglaterra em uma partida eletrizante de cinco gols e uma expulsão, com o zagueiro inglês Jarell Quansah sendo retirado de campo ainda no começo do segundo tempo.

“Consideramos esse impacto negativo principalmente como uma ausência de crescimento incremental que teria ocorrido se qualquer uma das equipes tivesse avançado mais na competição”, afirma o Morgan Stanley.

As esperanças do mercado cervejeiro agora se concentram no avanço dos Estados Unidos às próximas etapas do torneio. A seleção americana enfrenta a Bélgica nesta segunda, e cerca de 20% da receita da AB InBev vem do mercado norte-americano.

Não é possível dizer, porém, se o avanço dos Estados Unidos na Copa será o suficiente para compensar as perdas previstas na América Latina.

“Dada a história mais recente do futebol no país, o impacto positivo da cerveja em caso de uma campanha avançada ainda não foi amplamente comprovado e pode trazer uma surpresa positiva se a seleção continuar avançando, especialmente considerando o contexto de país-anfitrião e a magnitude do mercado de cerveja nos EUA”, dizem.

O presidente Donald Trump ainda agiu para manter o sonho vivo. O republicano admitiu ter ligado para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir revisão de cartão vermelho dado ao atacante Folarin Balogun, que fez uma falta sobre Tarik Muharemovic no duelo contra a Bósnia-Herzegovina. O lance foi revisado pelo árbitro de vídeo e terminou com a expulsão do camisa 20.

Trump também atacou o árbitro brasileiro Rafael Claus, responsável pela punição ao atleta americano. “Esse árbitro é um tanto suspeito se você verificar o passado dele. Não quero dizer isso, pois não gosto de criar polêmica, mas isso é muito suspeito”, disse Trump.

A Fifa anulou o cartão e liberou Balogun para entrar em campo na partida contra a Bélgica nesta noite. Os americanos podem chegar às quartas de final pela primeira vez desde 2002 caso vençam.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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