Instituto Amilcar Martins completa 25 anos com acervo de 15 mil títulos em BH
O Instituto Cultural Amilcar Martins (Icam) completa 25 anos de atuação reafirmando seu compromisso com a preservação da memória, da pesquisa e da produção cultural de Minas Gerais. Guardião de um dos acervos mais relevantes dedicados à história do Estado, o Instituto reúne mais de 15 mil títulos e integra o programa Memory of the World, da Unesco, que reconhece conjuntos documentais de excepcional valor histórico para a humanidade.
As comemorações do aniversário serão realizadas no dia 21 de setembro, em solenidade na Academia Mineira de Letras.
Ao longo de sua trajetória, o Instituto consolidou a maior biblioteca especializada em história de Minas Gerais já catalogada. O acervo reúne entre 1.800 e 2.000 obras raras, muitas delas dos séculos XVIII e XIX, incluindo exemplares de extraordinário valor bibliográfico, como a primeira edição de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, publicada em 1792, e uma primeira edição de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, com dedicatória autógrafa do escritor.
Além da biblioteca, o Instituto desenvolve projetos permanentes de incentivo à pesquisa, promove seminários, exposições e cursos de conservação e restauro de livros e documentos, realiza ações de digitalização de acervos e publica obras relevantes sobre a história de Minas Gerais.
Com essas iniciativas, o Icam contribui para a preservação, a valorização e a difusão da memória, da história e da cultura mineira, ampliando o acesso da população a esse patrimônio.
A Biblioteca do Instituto Cultural Amilcar Martins é aberta ao público e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
Publicação apresenta as obras raras que guardam séculos da história do Estado
O Instituto Cultural Amilcar Martins (Icam) lança o livro “As Joias da Coroa”, que apresenta a Coleção de Obras Raras da instituição, considerada a joia de seu acervo bibliográfico. Formada por 1.807 títulos dos séculos XVIII, XIX e das primeiras décadas do século XX sobre a história de Minas Gerais, a coleção reúne livros, opúsculos, periódicos, mapas e manuscritos de grande importância histórica e cultural.
Em 2016, a Coleção de Obras Raras do Icam foi reconhecida como parte da Memória do Mundo pela Unesco, por meio do programa Memory of the World. Foi o primeiro acervo bibliográfico brasileiro a receber o título.
A obra seleciona vinte livros para representar a riqueza e a diversidade da coleção, com base em referências de especialistas brasileiros e estrangeiros em bibliografia, história e bibliofilia, como Rubens Borba de Moraes, José Mindlin, José Honório Rodrigues, Hélio Gravatá e Pedro Corrêa do Lago.
O livro também discute o que caracteriza um exemplar como raro, defendendo que a antiguidade, isoladamente, não determina a raridade de uma obra. Entram na avaliação aspectos como edição, autoria, local e data de publicação, características físicas, ilustrações, encadernação, dedicatórias, estado de conservação e marcas de propriedade. Segundo a publicação, o principal fator de valorização é o interesse que a obra desperta entre pesquisadores, bibliófilos e colecionadores: um livro antigo só se torna verdadeiramente raro quando mantém relevância e continua sendo procurado.
Entre os temas centrais da coleção está a influência da religião católica na vida dos mineiros no século XVIII, com destaque para obras ligadas às grandes festas barrocas de Vila Rica e Mariana, como “Triunfo Eucarístico” e “Áureo Trono Episcopal”. O acervo também preserva registros sobre a medicina praticada em Minas no período colonial, como o “Erário Mineral”, de Luís Gomes Ferreira, e relatos sobre as supostas curas da Lagoa Grande, atual Lagoa Santa.
Outro conjunto relevante trata da história política de Minas Gerais, incluindo a Guerra dos Emboabas, a Revolta de Vila Rica e a Inconfidência Mineira, além de relatos de viajantes estrangeiros, como John Mawe e Auguste de Saint-Hilaire, sobre a natureza, a sociedade e os costumes mineiros no século XIX.
A literatura colonial mineira também tem espaço de destaque na coleção, com obras dos poetas inconfidentes Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, além de Silva Alvarenga, Basílio da Gama e Santa Rita Durão. Entre os itens mais valiosos estão “Obras Completas”, de Cláudio Manuel da Costa, a raríssima primeira edição de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, e “O Uraguay”, de Basílio da Gama.
O livro aborda ainda controvérsias bibliográficas que seguem em aberto, como o caso de “Glaura”, cuja primeira edição, de 1799, só foi identificada recentemente, e o “Exame de Bombeiros”, cuja origem e local de impressão ainda são objeto de discussão entre especialistas.
Um dos destaques do acervo é reunir obras dos três poetas inconfidentes, entre elas, a primeira edição de “Marília de Dirceu”, de 1792, e dois dos apenas três poemas que Alvarenga Peixoto publicou em vida, além de um manuscrito do poema “Vila Rica”, de Cláudio Manuel da Costa, datado de 1773.
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