Jota alcança 300 mil clientes e movimenta R$ 3,5 bilhões em pouco mais de um ano
A fintech Jota alcançou 300 mil clientes e um volume transacionado anualizado de R$ 3,5 bilhões em pouco mais de um ano de operação. Criada pelo empreendedor cearense Davi Holanda, a empresa oferece um assistente financeiro que funciona pelo WhatsApp e em aplicativo próprio, com foco principalmente em pequenos negócios.
Desde a fundação, a companhia captou R$ 210 milhões em duas rodadas de investimentos. A primeira, de R$ 60 milhões, foi liderada pela MAYA Capital, com participação de HOF Capital, Big Bets, Alter Global e North Ventures.
Posteriormente, o Jota recebeu um aporte Série A de R$ 150 milhões, equivalente a US$ 30 milhões. A rodada foi liderada pela norte-americana Haun Ventures, em seu primeiro investimento no Brasil, e contou também com HOF Capital, Alter Global e Greyhound Capital.
A operação avaliou a fintech em US$ 185 milhões. Para Holanda, a entrada de fundos estrangeiros indica que problemas identificados no mercado brasileiro podem dar origem a produtos com potencial de expansão internacional.
“Atrair investidores globais para uma empresa nascida olhando para o empreendedor brasileiro mostra que problemas locais podem gerar soluções com relevância internacional”, afirma.
Gestão financeira
A proposta do Jota é permitir que pequenos e médios empreendedores controlem vendas, recebimentos, cobranças e fluxo de caixa por mensagens de texto ou áudio. O sistema utiliza inteligência artificial conversacional para reduzir a necessidade de operar plataformas financeiras mais complexas.
A solução foi desenvolvida a partir das dificuldades enfrentadas por trabalhadores autônomos e microempreendedores individuais. Segundo Holanda, muitos desses profissionais ainda registram vendas, pagamentos e dívidas manualmente.
“Cresci vendo pequenos empreendedores fazerem contas no papel, anotarem vendas em caderno e dependerem de processos muito manuais para tocar o negócio. Isso moldou a forma como eu enxergo a tecnologia até hoje: ela só faz sentido quando simplifica a vida das pessoas”, diz.
O empresário já defendia, em 2020, que aplicativos de mensagens se tornariam uma interface relevante para serviços financeiros. O avanço da inteligência artificial generativa permitiu reunir pagamentos, organização financeira e atendimento conversacional em uma mesma ferramenta.
“Eu não queria simplesmente construir mais um banco ou mais uma plataforma financeira. A pergunta era como tirar a complexidade da frente do empreendedor. Se ele já passa boa parte do dia no WhatsApp, por que não levar a vida financeira dele para dentro de uma conversa?”, explica.
Segundo o fundador, o produto foi pensado para comerciantes e prestadores de serviços que trabalham no balcão de lojas, salões e oficinas ou realizam vendas pelo próprio WhatsApp. A ferramenta também foi desenvolvida para reconhecer diferentes formas de falar e contextos regionais.
Experiência
Antes de criar o Jota, Holanda trabalhou durante seis anos como diretor do PagBank, antigo PagSeguro. No período, participou da criação de mais de 15 produtos e da entrada da companhia nos mercados de maquininhas, cartões pré-pagos e cartões de crédito.
O executivo também atuou na preparação do PagBank para a abertura de capital na Bolsa de Nova York, realizada em 2018. A experiência, segundo ele, ajudou a compreender como desenvolver produtos financeiros para milhões de usuários sem tornar a operação mais difícil para o cliente.
No mesmo ano, Holanda fundou a Bankly, fintech de infraestrutura bancária baseada no modelo Banking as a Service. A empresa atingiu faturamento de R$ 70 milhões em dois anos e foi adquirida pela Méliuz. Posteriormente, o negócio foi vendido ao Banco BV, em uma operação concluída no fim de 2023.
Depois da venda, o empresário concentrou-se na combinação entre serviços financeiros, aplicativos de mensagens e inteligência artificial. A nova empresa nasceu voltada principalmente para os cerca de 15 milhões de microempreendedores individuais existentes no País.
Aos 44 anos, Holanda associa o crescimento empresarial à disciplina adquirida no ciclismo, atividade que pratica seis vezes por semana. Para ele, períodos de rápida expansão exigem atenção redobrada à gestão.
“Levo muitos aprendizados do esporte para os negócios, mas o principal é a importância de manter atenção justamente nos momentos de maior velocidade e crescimento”, afirma.
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