MarAmar chega aos 40 anos com negócios diversificados no setor de mergulho

MarAmar completa 40 anos com mais de 17 mil alunos formados e aposta na formação continuada em meio aos desafios para atrair novos mergulhadores

A MarAmar, escola de mergulho, completa 40 anos em 2026, com um modelo de negócios que acompanha as transformações do mercado de mergulho recreativo. Com sede em Belo Horizonte, a empresa ampliou a atuação para além dos cursos de formação e passou a reunir, em uma mesma estrutura, treinamento, organização de viagens nacionais e internacionais e comercialização de equipamentos. A diversificação foi uma estratégia para ampliar os serviços oferecidos e atender às diferentes necessidades dos praticantes.

A trajetória da empresa começou em 1986, a partir da iniciativa de um pai, caçador submarino, e da filha, Vanessa Camilo, que pretendia se tornar bióloga marinha. A operação chegou a Belo Horizonte por meio de uma franquia, que posteriormente foi substituída pela marca MarAmar. Em 1996, Paula Loque, hoje diretora da empresa, e o marido assumiram o negócio e reformularam o modelo de atuação, diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela escola anteriormente.

“Quando assumimos, entendemos que a empresa não poderia ser apenas uma escola de mergulho. Passamos a oferecer os cursos para iniciantes e para aperfeiçoamento, organizar as viagens para os alunos realizarem as etapas práticas e disponibilizar uma linha completa de equipamentos para quem quisesse continuar mergulhando”, disse Paula Loque.

A mudança ampliou as possibilidades de receita e permitiu à empresa acompanhar o desenvolvimento do turismo de mergulho. A programação de viagens inclui destinos nacionais, como Arraial do Cabo (RJ) e Fernando de Noronha (PE), além de locais no Caribe, Mar Vermelho e Galápagos, no Equador. A operação atende tanto quem precisa completar a formação quanto mergulhadores que buscam conhecer novos pontos de mergulho.

Ao longo das quatro décadas, o perfil do público também mudou. Segundo Paula Loque, a atividade, antes associada principalmente a homens jovens com elevado condicionamento físico, tornou-se mais acessível com a evolução dos equipamentos de segurança, o aumento do conforto nas operações e a diversificação dos praticantes. Hoje, crianças a partir dos 10 anos e pessoas com até 70 anos fazem parte desse mercado atendido pela escola.

Equipe MarAmar
Foto: Divulgação MarAmar

“A atividade ficou mais democrática. Antes, o mergulho tinha um perfil muito masculino e exigia um preparo físico maior. Com equipamentos mais seguros e confortáveis, as mulheres passaram a participar mais, muitas vezes trazendo os filhos e outros familiares. Hoje, temos famílias com três gerações de mergulhadores”, disse.

A ampliação do público também alterou a demanda pelos serviços. A empresa registra procura por cursos de iniciação, mas, de acordo com a diretora, o crescimento mais expressivo ocorre na formação continuada, voltada a quem deseja aprimorar a técnica e ampliar as possibilidades de viagem. A MarAmar já formou mais de 17 mil alunos nos 30 anos de gestão de Paula Loque, além de ter realizado mais de 22 mil embarques em viagens e de ter recebido 42 premiações nacionais e internacionais em diferentes categorias.

O mercado enfrenta desafios em função da situação econômica do País, dos juros e do dólar altos, mas, por outro lado, a procura pelo mergulho como opção de atividades de lazer associadas ao bem-estar cresceu. Conforme Paula Loque, a experiência subaquática, que exige concentração e controle da respiração, atrai pessoas interessadas em se afastar temporariamente da rotina e do ambiente digital.

“O mergulho proporciona um momento de concentração em que a pessoa precisa estar inteiramente dedicada à atividade. Muitos praticantes encontram nessa experiência uma forma de desacelerar e melhorar a qualidade de vida. Isso também contribui para que o mergulho seja incorporado à rotina, e não apenas a uma viagem ocasional”, afirma Paula Loque.

Apesar da ampliação do público potencial, o cenário econômico tem limitado a entrada de novos praticantes. A diretora da MarAmar aponta os juros e a cotação do dólar como fatores que afetam as decisões de consumo, uma vez que a atividade envolve cursos, aquisição de equipamentos e despesas com deslocamentos e hospedagem.

Mergulho em Fernando de Noronha
Foto: Divulgação MarAmar

Em 2026, a procura para o curso de iniciantes vem apresentando estabilidade, enquanto os clientes que já incorporaram o mergulho ao estilo de vida mantêm o interesse, ainda que reduzam a frequência das viagens. Assim, os cursos de aprimoramento seguem com demanda crescente.

“Para quem já escolheu o mergulho como estilo de vida, a tendência é manter a prática, mesmo que viaje menos. O desafio está em atrair novos alunos em um cenário de juros elevados e dólar caro. Estamos no mercado há quatro décadas e já atravessamos diferentes períodos de instabilidade econômica”, explicou.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.