Crédito: Pixabay

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) tem investido em ações voltadas ao enfrentamento e mitigação de danos provocados pelo Covid-19.

Além da divulgação de chamada emergencial para financiamento de pesquisas sobre o tema, a Fundação também direcionou recursos financeiros adicionais ao Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V).

De acordo com o coordenador do INCT-V, Ricardo Gazzinelli, também professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador sênior do Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), a equipe mudou radicalmente sua rotina para enfrentar essa ameaça. Grande parte dos pesquisadores foi reajustada para trabalhar em duas frentes: diagnóstico e desenvolvimento da plataforma de uma vacina contra o coronavírus.

As ações estão reunidas no projeto Desenvolvimento de testes de diagnóstico molecular e sorológico para Covid-19, que, além da Fapemig, também conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Gazzinelli coordena o estudo, que trabalha com várias plataformas de vacinas.

Uma delas utiliza o vírus da influenza como um vetor vacinal. Segundo o pesquisador, o vírus usado é atenuado, ou seja, não replica a doença, mas induz a resposta imunológica. “Como a influenza e o coronavírus infectam as mesmas células, achamos que essa pode ser uma vacina eficiente”, explica. O grupo trabalha com o coronavírus, expressando o vírus da influenza, “A ideia é usá-la como uma vacina ambivalente, servindo contra a influenza e contra o coronavírus”.

Longo caminho – O coordenador lembra, entretanto, que o desenvolvimento de uma vacina não é tão rápido com se gostaria. “Normalmente, o processo demora de um ano a um ano e meio, mesmo em tempos de urgências, como o que estamos vivendo”.

Será preciso aguardar para a obtenção de uma vacina contra o coronavírus, mas o aprimoramento dos testes se encontra a todo vapor no CT-Vacinas. Liderado pela professora da UFMG Santuza Teixeira, o grupo do INCT-V conseguiu rapidamente estabelecer o teste molecular em Minas Gerais.

Segundo Ricardo Gazzinelli, atualmente o grupo presta serviço para vários hospitais mineiros, além de ter repassado a metodologia para outros laboratórios da UFMG que, por sua vez, também realizam serviços para hospitais. “Dessa forma, o CT-Vacinas desempenhou um papel central para atender a comunidade na realização de testes moleculares do coronavírus”, destaca.

Já a professora da UFMG Ana Paula Fernadez está desenvolvendo a aplicação de um teste rápido para o coronavírus que forneça o resultado em até uma hora. “Isso é fundamental para se fazer a triagem em uma grande população. Já tínhamos essa tecnologia funcionando, agora estamos a modificando para o enfrentamento do Covid-19”, ressalta.

Gazzinelli destaca que o investimento na ciência não pode parar. “Imagine um carro: é preciso muito mais força para fazer um carro andar quando ele está totalmente parado, do que quando ele está andando – ainda que devagar. É preciso que a ciência seja financiada o tempo todo para que esses grupos não precisem recomeçar do zero quando tivermos um problema desses”, ressalta.

CT-Vacinas – O Centro de Tecnologia de Vacinas é um laboratório instalado no Parque tecnológico de Belo Horizonte (BHTec) com o objetivo estabelecer um ambiente de pesquisa adequado para o desenvolvimento e inovação tecnológica. Sua criação ocorreu graças à iniciativa de um grupo de pesquisadores da UFMG e Fiocruz Minas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCT-V).

De acordo com Gazzinelli, o INCT-V atua basicamente com três linhas de pesquisa: entendimento dos mecanismos de defesa do organismo contra processos infecciosos; aquisição de tecnologias de vacina; e testes das vacinas. Ele destaca que, atualmente, existem várias metodologias para fazer uma vacina “Pode-se usar uma proteína recombinante ou um patógeno atenuado essa variedade é muito importante, já que podemos variar nas formulações”, conta.

Fapemig financiará pesquisas – A Fapemig divulgou chamada para financiamento de pesquisas relacionadas ao Covid-19. O programa emergencial de apoio a ações de enfrentamento da pandemia causada pelo novo coronavírus (chamada 01/2020) tem como objetivo fortalecer ações inovadoras nas instituições científicas, tecnológicas e de inovação públicas, localizadas no Estado.

Dentre os objetivos específicos da chamada estão estimular a cooperação entre pesquisadores e órgãos de pesquisa, apoiar ações voltadas ao enfrentamento e mitigação dos danos causados pelo Covid-19 e estimular a busca por procedimentos eficazes no combate à pandemia. Ao todo, serão investidos R$ 2 milhões nas propostas aprovadas, sendo que cada uma não pode ultrapassar, individualmente, o valor de R$ 400 mil.

As propostas devem ser submetidas pelo sistema Everest até o dia 10 de abril. Os resultados serão divulgados ainda em abril, no dia 30. Detalhes podem ser conferidos na chamada, que está disponível no site da Fundação. Lembrando que, com o atendimento presencial suspenso, dúvidas podem ser esclarecidas pelo Fale Conosco.

Enfrentamento – Desde o início do mês de março, a Fapemig tem se encontrado com grupo de pesquisadores dos campos da virologia, epidemiologia e saúde coletiva, além de gestores da área de assistência e saúde pública, para tratar do enfrentamento ao Covid-19 em Minas Gerais.

A ideia é identificar caminhos e contribuições do setor acadêmico para combater um possível surto. O lançamento da chamada é uma das ações priorizadas. Estão previstas, ainda, suplementação de projetos em andamento que tratam do tema e mapeamento de ideias e soluções de auxílio ao enfrentamento da Covid-19 e à superação dos danos sociais e econômicos por ela causados.

EPSA produz máscaras para população carente

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a procura por produtos de higiene e limpeza se intensificou em várias partes do País. A busca por máscaras cirúrgicas, por exemplo, registrou um aumento de 624% em relação à semana anterior ao isolamento social, segundo a plataforma Consulta Remédios.

Na contramão do movimento, uma parcela da sociedade segue à margem do vírus, que está provocando uma das maiores crises sanitárias mundiais, como moradores em situação de rua. Tendo em vista a alta dos preços e a escassez no mercado de produtos que previnem a disseminação do Covid-19, a Escola Profissionalizante Santo Agostinho (EPSA) promoveu um mutirão para confecção de máscaras de proteção que estão sendo distribuídas gratuitamente a pessoas carentes.

De acordo o diretor da EPSA, Marco Henrique Silva, em apenas três dias foram produzidas cerca de 1.300 máscaras para doação. “Isso só foi possível graças ao empenho de um grupo de ex-alunas do curso de Corte e Costura, que apoiaram a causa e receberam os materiais em suas casas para a confecção”, explica.

O diretor explica que a iniciativa compõe uma série de ações sociais conduzidas pela Arquidiocese de Belo Horizonte, em parceria com a Pastoral de Rua, para garantir auxílio emergencial aos mais pobres. “A campanha está arrecadando, também, alimentos e itens de higiene e limpeza”. Interessados em fazer doações devem entrar em contato pelo telefone (31) 9-8374-5587 ou (31) 9-9402-6451.

Com mais de 4 mil pessoas vivendo nas ruas da capital mineira, Marco Silva avalia que a mobilização social é necessária diante do momento delicado que estamos vivendo.

“Entre muitas iniciativas de voluntariado que estão acontecendo no País, a produção das máscaras é um gesto solidário e agostiniano em defesa da vida, especialmente daqueles que estão mais fragilizados nesse momento”, analisa. (Da Redação)

Lemgruber estuda antecipar investimento

A Lemgruber, fabricante de luvas de procedimentos para a área da saúde localizada em Paraíba do Sul (RJ), estuda antecipar um investimento de R$ 20 milhões que estava previsto para o segundo semestre de 2020.

De acordo com a diretora executiva de Marketing e Operações Comerciais, Flavia Malta, o aumento da demanda fez a empresa rever seu planejamento para ampliar o atendimento ao mercado.

“Após o avanço do coronavírus, nossa venda apresentou aumento de 40% nos últimos dois meses. Para os próximos anos, pretendemos investir mais de R$ 30 milhões na modernização e ampliação da nossa linha de produção com o objetivo de aumentar o nosso market share e tornar o Brasil mais independente do mercado asiático”, explica.

Atualmente, o mercado de luvas movimenta cerca de R$ 1 bilhão anualmente no País, mas a indústria nacional do setor é afetada diretamente pelos altos impostos da matéria-prima, além de fraudes e irregularidades e impedem o crescimento mais acelerado. “Estamos trabalhando com toda a capacidade. Temos muito espaço para ampliar, mas para isso precisamos de um maior apoio para garantir o crescimento da indústria nacional e a gerar novas vagas de trabalho. Hoje, por exemplo, cerca de 75% do mercado é dominado por produtos estrangeiros, na grande maioria asiáticos (Malásia, Tailândia e China)”, esclarece a diretora.

A Lemgruber é a maior fabricante de luvas de procedimento não cirúrgico do Brasil e possui uma fábrica localizada em Paraíba do Sul (RJ), com produção atual de 110 milhões de luvas por mês, que abastece direta e/ou indiretamente hospitais públicos e privados, clínicas e laboratórios clínicos em todas as regiões do Brasil.

“Estamos acompanhando a situação em todo o mundo, e no Brasil, o Ministério da Saúde já declarou sua preocupação com o abastecimento de máscaras e luvas. Em tempos de escassez de luvas no mercado mundial, a produção nacional favorece a população brasileira protegendo sua saúde”, observa Flávia Malta. (Da Redação)

Boa Impressão 3D distribuirá protetores faciais

A informação correta, as ações preventivas de higiene e o isolamento social são as melhores armas no combate ao Covid-19. Diversas medidas de segurança estão sendo recomendadas pelos órgãos de governo e veiculadas nos meios de comunicação.

Médicos, enfermeiros e profissionais da área de saúde se desdobram nas unidades de atendimento e hospitais para atender às demandas, orientar a população em relação aos sintomas e aos cuidados necessários em época de pandemia de coronavírus.

Mas como eles também precisam se cuidar e usar os equipamentos adequados para se proteger, uma comunidade internacional de mulheres – chamada de Women in 3D Printing Brazil – criou o www.projetohigia.com.br cujo objetivo é confeccionar protetores faciais e destinar gratuitamente a esses profissionais.

Tecnologia a serviço do bem comum – Em Curitiba, a Boa Impressão 3D participa dessa causa. “Dispensamos os funcionários para home office ou férias, mudamos a rotina interna e colocamos 8 Stella 2 (impressoras 3D) para trabalhar ininterruptamente e confeccionar os protetores faciais para ajudar no combate ao coronavírus”, diz a diretora Vanessa Peixoto.

Ela e o marido Thiago Peixoto coordenam a atividade na companhia. Já os colaboradores que têm as máquinas 3D em suas residências também ajudam nas impressões.
“A meta inicial é produzir pelo menos 700 kits, que serão doados à Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação. Uma equipe dessa agência vai recolher e fazer a entrega nos hospitais e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital paranaense”, explica Vanessa Peixoto.

Para evitar contaminações, o casal toma as devidas precauções de higiene, faz a limpeza de todos os materiais utilizados na produção dos kits e envia um manual de orientações por escrito que explica como montar o kit antes do uso.

Ação de solidariedade nacional – Em todo Brasil, a meta do Projeto Hígia é confeccionar 100 mil protetores faciais. Para isso, foi criada uma vaquinha virtual na internet para arrecadar R$ 50 mil. Os recursos serão destinados à compra de filamentos para impressão 3D, elásticos, acessórios, custear o transporte e o envio dos materiais aos hospitais.

A doação pode ser feita via internet. Até agora o projeto tem 200 apoiadores e foi coletado mais de R$ 29 mil.

Proteção extra – Os protetores faciais não substituem o uso da máscara e sim formam uma barreira a mais para o rosto e pescoço.

Cada protetor é formado por uma haste para a cabeça que pode ser impressa com qualquer tipo de filamento para modelagem por fusão e deposição, em impressoras 3D, montado com uma folha de acetato transparente.

“Ao chegar aos hospitais e UPAS, esses itens estarão desmontados e embalados em uma caixa. Inserimos também um manual de orientações – por escrito – que reforça o jeito certo de como eles devem ser montados. Depois da higienização rotineira para entrada de equipamentos e acessórios em hospitais, os médicos e enfermeiras podem colocar sobre o rosto e pescoço e se resguardar ainda mais”, explica Vanessa Peixoto.

Quem reside em Curitiba e região metropolitana e quiser ajudar com a doação de insumos – como folhas de acetatos transparentes ou lâminas de acrílico – pode entrar em contato com a Boa Impressão 3D pelo telefone (41) 3180-0113 (também é WhatsApp) ou direto nas redes sociais @boaimpressao3d.
Quem deseja ser um voluntário no projeto, quiser fazer doações ou mesmo se o hospital

quer solicitar os protetores faciais, eles devem entrar no www.projetohigia.com.br e ver todas as informações. (Da Redação)