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Entorno do Monte Carmo Shopping deve concentrar serviços públicos e área hospitalar em Betim

Desapropriação do centro comercial é primeiro passo para projeto que visa abrigar prefeitura, TJ, MPMG e mais, reestruturando a cidade
Entorno do Monte Carmo Shopping deve concentrar serviços públicos e área hospitalar em Betim
Área onde está instalado o Monte Carmo Shopping em Betim | Foto: Arquivo Prefeitura de Betim

A desapropriação do Monte Carmo Shopping, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), para sediar a administração municipal é vista como o primeiro passo de um projeto mais ambicioso. Além da prefeitura, o complexo poderá abrigar o Tribunal de Justiça, o Ministério Público de Minas Gerais, a Câmara Municipal e uma área hospitalar, formando um novo polo administrativo e de serviços na cidade.

O início da reestruturação deve ocorrer a partir do segundo semestre do próximo ano, desde que não haja maiores entraves. A informação foi confirmada pelo prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), em entrevista ao Diário do Comércio na tarde dessa terça-feira (19).

As tratativas para a transferência da sede, segundo ele, foram motivadas por uma série de inadequações do Centro Administrativo João Paulo II, onde funciona parte dos serviços públicos municipais. Guimarães destaca que a unidade enfrenta problemas estruturais, como riscos à salubridade, deficiências de acessibilidade, limitações operacionais, alto custo de manutenção, além de pressões da Justiça do Trabalho.

“Temos uma estrutura fragmentada e muito comprometida, e não é financeiramente viável realizar uma reforma. Apenas a climatização custaria pelo menos R$ 20 milhões”, ressalta.

Diante desse cenário, uma oportunidade considerada estratégica para a gestão surgiu a partir da estrutura do Monte Carmo Shopping, com cerca de 100 mil metros quadrados de área construída e estacionamento para mais de 2 mil veículos. Segundo o prefeito, o empreendimento, inaugurado há 15 anos, não conseguiu se consolidar comercialmente, mas possui estrutura capaz de atender às necessidades da administração pública, com climatização central, sistema de segurança, infraestrutura elétrica completa e localização estratégica.

Segundo Guimarães, o aporte estimado em R$ 450 milhões estaria quase 60% abaixo do valor real da estrutura do espaço. Os R$ 240 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal permitem prazo de 15 anos para pagamento, com parcelas mensais de até R$ 3 milhões.

Para viabilizar a operação, a administração municipal planeja um modelo de concessão em que a empresa concessionária será responsável pela gestão de ativos, pela administração das áreas comerciais e pela coordenação do complexo. “Com o aluguel, queremos pagar o próprio financiamento”, argumenta o prefeito.

Projeto prevê integração com obras e equipamentos no entorno do Monte Carmo Shopping

A ideia é transformar o Monte Carmo Shopping em um centro administrativo funcional para Betim, mesclando serviços administrativos, comércio e prestação de serviços. Dentro da proposta, está prevista a manutenção da praça de alimentação, supermercado, academia, boliche, além de algumas lojas compatíveis com a nova proposta do local. O prefeito ainda detalha que o cinema será mantido, porém em espaço reduzido. Das atuais sete salas, três devem ser transformadas em auditório.

Os demais espaços irão abrigar todas as secretarias municipais, órgãos administrativos e centros logísticos das áreas de educação e saúde, entre outras operações que devem ser unificadas.

No entorno do shopping, está prevista a conclusão do Viaduto Monte Carmo, parado há sete anos, além da instalação de unidades do Tribunal de Justiça, do Ministério Público e de uma área hospitalar. “Estamos em conversas com a Câmara Municipal para que também vá para a mesma região, concentrando a área administrativa e fortalecendo a integração dos serviços públicos”, acrescenta Guimarães.

Após o anúncio da desapropriação do Monte Carmo Shopping, o projeto será enviado à Câmara Municipal de Betim e precisará ser aprovado em dois turnos. Com a aprovação, será firmado o contrato. “Esperamos passar pelo período eleitoral, porque não pode haver desembolsos. Em seguida, começa a carência: teremos um ano para estruturar a concessão, mobiliar e setorizar o shopping”, explica o prefeito.

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