Copasa terá condições de universalizar serviços com Equatorial, diz CEO
A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) tende a se beneficiar da experiência acumulada pela Equatorial em outras empresas de serviços público de energia e saneamento, disse à Folha Marília Carvalho de Melo, presidente da estatal.
Para ela, a Copasa terá condições de “fazer as entregas necessárias, especialmente a dos investimentos para universalização” dos serviços de água e esgoto do estado.
A Equatorial se tornou investidor de referência da Sabesp com uma fatia de 15% das ações, após a conclusão da privatização da companhia em 2024 pelo estado de São Paulo. Em junho, o grupo se tornou acionista de referência da Copasa, ao fazer uma proposta para comprar 30% da empresa mineira. O grupo foi o único a apresentar proposta ao governo mineiro.
“É um resultado que o governo do estado avalia como muito positivo. O Grupo Equatorial é uma referência no setor de energia, já com diversas concessões em todo o Brasil e com resultados muito efetivos. E também no saneamento. A Sabesp tem incrementado muito essa capacidade de investimento no estado de São Paulo”, afirma Melo à reportagem.
A desestatização da Copasa foi concluída na última terça-feira (16), com a liquidação e transferência das ações, em uma cerimônia realizada na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.
Melo afirma que o processo de privatização da Copasa dependerá, agora, da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Segundo a Copasa, a Equatorial poderá assumir sua parte na empresa somente após a aprovação do Cade. Depois disso, poderá haver também novas nomeações para a diretoria da companhia de saneamento.
A Copasa já era uma companhia de capital aberto desde 2003 -três anos depois, a empresa fez seu IPO (oferta pública inicial de ações).
Antes da desestatização, o governo de Minas Gerais possuía uma fatia de 50,3% das ações, que agora foi reduzida a pouco mais de 5%.
O estado terá direito a uma “golden share”, ação preferencial que dá poder de veto à administração pública em decisões específicas, como mudança de nome e da sede da companhia.
“Toda a estruturação foi feita na manutenção dos 5% para garantia do acompanhamento do governo do estado nas instâncias de governança interna da companhia, inclusive as cláusulas de ‘lock-up’ [do inglês ‘travar’]”, diz a executiva.
Pelo acordo estabelecido na oferta de ações, o sócio estratégico terá de se comprometer com uma trava que proíbe a venda das ações por um período de quatro anos. Depois a Equatorial deverá se manter vinculada à Copasa com ao menos 50% das ações adquiridas até 2033 -ou até o cumprimento das metas de universalização de água e esgoto.
Segundo o Novo Marco do Saneamento, até 2033, até 99% da população deverá ter acesso a água tratada e 90% a esgoto coletado e tratado.
A Equatorial fez uma oferta de R$ 49,03 por ação, o que representa um investimento total de R$ 5,5 bilhões para arrematar a fatia de 30% da companhia de saneamento. O processo reencenou o episódio da desestatização da Sabesp, em que também só a Equatorial apresentou uma oferta.
No caso da Copasa, a Aegea chegou a apresentar uma proposta no fim de maio em um consórcio liderado pelos seus acionistas: Equipav, GIC (fundo soberano de Singapura) e Itaúsa. À época, tanto a proposta da Aegea quanto a da Equatorial ficaram abaixo do preço mínimo definido pelo governo estadual -o valor não havia sido revelado.
O processo foi, então, suspenso, e o governo teve de fazer uma nova tentativa, com valor mínimo por ação fixado em R$ 47,23.
Questionada pela Folha sobre a desistência da Aegea, Melo disse que a Copasa abriu “uma agenda extensa de roadshows” que perdurou por três semanas, período no qual a empresa ficou à disposição de potenciais investidores, afirma a executiva.
“Nesse momento a gente pôde ter as interações com todos que buscavam informações sobre a oferta. Foram 229 instituições financeiras acessadas, 151 investidores nacionais, 78 internacionais, 359 reuniões presenciais e virtuais realizadas nesse processo intenso de road show.”
Ainda segundo Melo, o investidor de referência assumirá a companhia em um bom momento.
“A Copasa nos últimos anos teve um ganho efetivo de gestão. Hoje nossa capacidade de investimentos é diferenciada. Fechamos o ano passado com R$ 2,9 bilhões de investimentos; este ano com previsão de R$ 3 bilhões. Avançamos no processo de universalização. A companhia tinha ficado muito tempo sem investimentos significativos, isso foi retomado. Não é só uma questão de recurso, é uma questão de capacidade operacional interna também das nossas equipes”, diz.
Raio-x da Copasa
- Fundação: 1963
- Lucro líquido 2025: R$ 1,42 bilhão
- Funcionários: 9.400
- Municípios atendidos: 636
Conteúdo distribuído por Folhapress
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