Silêncio pode ser mais prejudicial às relações do que divergências, diz especialista
Discussões sobre política, diferenças de opinião e conflitos cotidianos costumam ganhar intensidade em períodos de maior polarização social. Nesse contexto, a dificuldade de manter o diálogo tem afetado relações familiares, amizades e ambientes de trabalho, segundo o consultor em comunicação Wilson Joel Leal Gasino.
O tema é abordado no livro “Tá na Hora da Gente Conversar: Caminhos para buscar conexões verdadeiras em um mundo onde é cada vez mais difícil de se comunicar”, lançado pela Artêra Editorial. Na obra, o autor reúne experiências profissionais e pessoais para refletir sobre os fatores que dificultam a comunicação e contribuem para o desgaste dos relacionamentos.
Com mais de três décadas de atuação na área de comunicação, Gasino analisa situações em que conversas importantes são adiadas ou evitadas, permitindo o acúmulo de ressentimentos e mal-entendidos. Segundo ele, a ausência de diálogo pode ampliar conflitos e enfraquecer vínculos construídos ao longo do tempo.
Ao longo do livro, o autor discute questões como a polarização política, a dificuldade de lidar com emoções e a tendência de interpretar situações de forma precipitada. O impacto desses comportamentos é analisado em diferentes contextos, incluindo relações familiares, profissionais e afetivas.
A publicação também apresenta estratégias voltadas à condução de conversas delicadas. Entre elas estão a busca por pontos de convergência antes da exposição das divergências, a identificação dos sentimentos envolvidos em cada situação e a formulação de pedidos de forma clara e objetiva.
Outro aspecto explorado na obra é a relação entre comunicação e bem-estar emocional. Gasino argumenta que diálogos mais transparentes podem contribuir para a redução de conflitos interpessoais e para uma convivência mais equilibrada em diferentes ambientes.
Em um cenário marcado pela presença crescente das redes sociais e das interações mediadas por algoritmos, o autor propõe uma reflexão sobre os efeitos da falta de escuta e da perda de espaços de conversa nas relações humanas.
Wilson Joel Leal Gasino é jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em Gestão de Empresas. Atuou por mais de 25 anos em jornais de diferentes estados brasileiros e, desde 2014, trabalha na área de comunicação empresarial.
Além da atuação profissional, desenvolve pesquisas sobre temas ligados à comunicação não violenta, psicologia, antropologia, mitologia e história das religiões. É autor dos livros Histórias sobre corrupção e ganância (2006), O reino místico dos pinheirais (2011), Impermanências (2014) e Distrópicos (2018).

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