Supermercados BH e DMA Distribuidora removem 12 lojas de transação após avaliação do Cade

Ajuste ocorre após avaliação do Cade apontar risco de concentração de mercado em Minas Gerais
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Supermercados BH e DMA Distribuidora removem 12 lojas de transação após avaliação do Cade
Foto: Diário do Comércio Leonardo Leão

As varejistas mineiras Supermercados BH e DMA Distribuidora, dona das redes Epa e Mineirão, apresentaram um aditivo contratual que exclui da transação as 12 lojas que apresentaram risco de elevada concentração de mercado. O objetivo é solucionar os riscos concorrenciais apontados na nota técnica divulgada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Dessa forma, as unidades retiradas permanecem como ativos do grupo DMA, que seguirá atuando no mercado de Minas Gerais, e a quantidade negociada reduz de 120 para 108 operações no Estado. Essa é a primeira alteração no contrato firmado entre as partes e também promove o ajuste no preço da operação.

Das lojas removidas da negociação, oito operam sob a bandeira supermercadista Epa Plus e quatro da rede de atacarejo Mineirão. Em documento enviado ao órgão regulador, ambas as empresas ressaltam que essa iniciativa elimina a potencial sobreposição horizontal apontada na nota técnica. Elas ainda reiteraram o pedido para que a transação seja analisada e aprovada sem restrições.

A Superintendência-Geral do Cade havia declarado, no dia 31 de agosto, a operação como “complexa”. A nota técnica identificou uma concentração de mercado elevada, sem evidências de rivalidade efetiva por parte de concorrentes nos mercados relevantes em torno das 12 lojas excluídas. A participação combinada das varejistas nesses mercados pode variar de 50% a 90%.

A exclusão cumpre um dos itens do documento, que faculta às partes envolvidas apresentarem proposta de soluções para os riscos concorrenciais apontados. Elas tinham até 15 dias, contado da publicação do despacho da Superintendência-Geral, para a apresentação.

Aprofundamento da análise

Lojas das redes Supermercados BH e Epa Plus em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Foto: Diário do Comércio Leonardo Leão

A nota ainda apontava para a necessidade de aprofundar a análise dos potenciais riscos à concorrência decorrentes da operação, como a possibilidade de exercício de poder de mercado pelo Supermercados BH após a aquisição. O órgão determinou o aprofundamento imediato da análise em três frentes: o nível de rivalidade entre os concorrentes, as condições de entrada de novos agentes e o contexto geral da concorrência nos mercados considerados relevantes.

As 120 operações estão distribuídas por 23 municípios do Estado. Lembrando que o Cade havia identificado sobreposição horizontal em mercados relacionados a 113 unidades, com ambas empresas possuindo operações que disputam os mesmos mercados relevantes.

De acordo com as envolvidas, a operação não provocará sobreposição horizontal nos mercados relacionados a sete lojas: uma em Ipatinga, no Vale do Aço; uma em Ribeirão das Neves, na região metropolitana; e cinco em Belo Horizonte.

Lembrando que, em maio deste ano, o Cade já havia autorizado a venda de 45 operações do grupo DMA Distribuidora para o Supermercados BH. A transação envolveu 40 lojas nos formatos supermercado e atacarejo, três postos de combustíveis e dois centros de distribuição (CDs), localizados nos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rondônia.

A operação foi revelada, em primeira mão, pelo Diário do Comércio em abril. De acordo com projeções da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), com base nos dados do Ranking Abras 2026, essa transação poderá ampliar o faturamento da rede Supermercados BH para aproximadamente R$ 34,6 bilhões.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.

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