Thyssenkrupp prepara fábrica de Ibirité para ampliar exportações

Unidade de componentes automotivos prevê operar em três turnos para atender novos mercados e investe em eficiência industrial e sustentabilidade

A Thyssenkrupp Springs & Stabilizers prepara a fábrica de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), para ampliar as exportações de componentes de suspensão automotiva, com foco no mercado europeu. A unidade pretende intensificar as vendas externas a partir de novembro de 2026, movimento que deverá aumentar a utilização da capacidade produtiva e gerar novas oportunidades de trabalho.

Com a expansão, 18% do volume de molas helicoidais produzidas na fábrica será destinado ao mercado internacional. Para atender à nova demanda, a empresa prevê aumentar em 10% o quadro de funcionários operacionais.

“A gente vai entrar no mercado de exportação, nos próximos meses, de forma bem agressiva. Já estaremos com os processos em aprovação e começaremos a exportar para o mundo”, afirma o gerente da fábrica (plant manager) de Ibirité, Leonardo Fagundes.

Segundo ele, a unidade já exporta pequenas quantidades para alguns clientes, mas se prepara para ampliar significativamente as vendas externas.

A expectativa é que o avanço das vendas externas aumente a utilização da capacidade produtiva. Segundo Fagundes, a fábrica deverá operar em três turnos para atender à demanda. A empresa não divulga os volumes de produção por questões de compliance, mas o executivo afirma que a unidade deverá operar próxima de sua capacidade máxima com a expansão dos negócios.

A preparação envolve investimentos e mudanças nos processos industriais para aumentar a eficiência e atender às exigências de novos mercados. Entre as iniciativas está a intensificação da metodologia Lean, sistema de gestão voltado à redução de desperdícios, à padronização das operações e ao aumento da produtividade.

Uma das iniciativas é a inauguração de um Centro de Desenvolvimento Prático de 6S na fábrica de Ibirité. O espaço utiliza simulações de situações da rotina industrial para capacitar os funcionários em práticas de organização, limpeza, inspeção e identificação de falhas. A unidade também adota ferramentas de melhoria contínua, como Kaizen, Gemba, TPM, A3 e trabalho padronizado.

A estratégia busca solucionar problemas na origem, aumentar a estabilidade da produção e melhorar a qualidade dos componentes fornecidos às montadoras. Segundo a empresa, a fábrica já apresentou avanços nos indicadores de desempenho avaliados por clientes do setor automotivo.

“O Lean na unidade não se resume a um conjunto de soluções; é uma filosofia de gestão e uma mentalidade vivenciada no dia a dia”, afirma a gerente de Segurança do Trabalho, Meio Ambiente e Melhoria Contínua da Thyssenkrupp Springs & Stabilizers no Brasil, Rita Souza.

Aço especial e agenda ambiental

A preparação para ampliar as exportações também envolve o fornecimento de matérias-primas e os processos de fabricação. Segundo Fagundes, a maior parte do aço utilizado pela unidade é adquirida de fornecedores nacionais. Cerca de 10% do consumo, porém, corresponde a material importado para uma linha de produção que utiliza aço com tratamento especial para processamento a frio.

Segundo o executivo, a decisão de importar considera tanto os custos quanto as características técnicas do material. Embora existam fornecedores nacionais, a produção desse tipo de aço com o tratamento necessário exigiria investimentos elevados, o que poderia comprometer a competitividade do produto.

O processo também apresenta vantagens ambientais. Como o material dispensa a etapa convencional de aquecimento, há redução do consumo de energia elétrica e gás nessa fase da fabricação.

A agenda de exportação ocorre paralelamente ao avanço das iniciativas de sustentabilidade da companhia. Segundo Rita Souza, a trajetória ambiental da unidade começou em 2007, com a certificação ISO 14001, e passou a incorporar medidas como aterro zero, certificação I-REC, contratação de energia no mercado livre e gestão da pegada de carbono.

Entre os próximos passos estão a substituição do gás natural por biometano, o desenvolvimento de fornecedores e produtos de aço verde e a ampliação das exigências de sustentabilidade na cadeia de suprimentos. Segundo a companhia, a meta é reduzir em 80% as emissões de CO₂ até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2045.

Segundo Rita Souza, os investimentos em eficiência industrial e sustentabilidade também fazem parte da estratégia para ampliar a participação no mercado automotivo internacional e preparar a fábrica para atender às exigências de novos clientes.

“Temos sete centros de engenharia, oito fábricas e sete escritórios ao redor do mundo, distribuídos na Europa, Américas e Ásia. Eles estão bem localizados no globo, de forma estratégica, para que a gente tenha inovação, qualidade e desenvolvimento de forma bastante rápida para atender as expectativas e necessidades dos nossos clientes ao redor do globo”, conclui.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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