Negócios

Vale assume patrocínio do Mercado Central de Belo Horizonte

Mineradora investirá em infraestrutura e ações para a comunidade até 2029, mantendo o nome original do ponto turístico sem naming rights
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Vale assume patrocínio do Mercado Central de Belo Horizonte
Foto: Pedro Gravatá

A mineradora Vale anunciou o patrocínio ao Mercado Central de Belo Horizonte. A parceria prevê investimentos, melhorias na infraestrutura e ações voltadas à comunidade até 2029, quando completará cem anos. A empresa optou por não exercer o direito de naming rights previsto em contrato, inaugurando uma nova modalidade de patrocínio: o Right Naming, que mantém o nome “Mercado Central” sem somar a marca parceira.

O contrato de dois anos não teve os valores divulgados. De acordo com o diretor de Comunicação e Marca da Vale, Leandro Modé, o modelo de investimento também reflete o compromisso da mineradora com a história e o legado de um dos maiores símbolos da Capital.

Todas as melhorias serão definidas de forma participativa, a partir das demandas levantadas pelos próprios lojistas. As prioridades serão discutidas em assembleias e aprovadas por meio de votação, garantindo que as decisões venham de quem conhece de perto as necessidades do espaço.

“À Vale caberá viabilizar essas melhorias, contribuindo para a qualificação da experiência de visitantes e trabalhadores. O Mercado Central permanece com o nome que o tornou referência para gerações de belo-horizontinos e visitantes, enquanto ganha um parceiro comprometido com sua continuidade e valorização”, explica Modé.

Para o presidente do Mercado Central, Geraldo Campos, a parceria representa um olhar para o futuro sem perder de vista a essência de um dos principais pontos turísticos do Hipercentro.

“Contar com uma empresa como a Vale, que respeita nossa história e valoriza a participação dos lojistas, é fundamental para seguirmos evoluindo. Temos que manter um prédio antigo, da década de 1970, com manutenção cara. Os parceiros são importantes para melhorar as receitas e podermos investir em infraestrutura e para realizar uma série de ações e eventos, como a Corrida do Mercado e o nosso aniversário, em 7 de setembro, sem cobrança de ingressos. Além de ser um centro de abastecimento, nos posicionamos como atrativo turístico. Isso dá muita visibilidade e atrai o interesse das empresas para associar a sua marca ao Mercado. O que interessa é o frequentador, que ele tenha uma experiência agradável”, afirma Campos.

Vale bancará melhorias no Mercado Central para lojistas e visitantes

Diverso, colorido e democrático, o Mercado Central recebe cerca de 15,5 milhões de visitantes por ano. Em seus 24 mil metros quadrados, abriga aproximadamente 400 lojas. Aberto de domingo a domingo, reúne diariamente um público diverso, formado por pessoas de diferentes origens e classes sociais, sendo um dos mais representativos espaços da cultura mineira.

Um dos primeiros e mais importantes projetos de infraestrutura que o Mercado deve começar é a adequação do projeto elétrico, já em fase de planejamento e conversas com a Cemig.

“Por conta do aumento do uso de sistemas de refrigeração e ar-condicionado, o consumo de energia elétrica vem crescendo muito e exige a modernização de toda a estrutura. Esse é um projeto caro e prioritário para nós. Tudo isso, lembrando que todas as obras e modernizações do Mercado Central são feitas com ele em pleno funcionamento”, explica Geraldo Campos.

Essa não é a primeira vez que o Mercado Central tem um patrocinador. A casa de apostas KTO chegou a assumir os naming rights do Mercado Central em setembro de 2024. No entanto, após forte reação negativa da população, o contrato foi rompido antecipadamente.

No caso da Vale, envolvida em dois dos maiores desastres ambientais da história do Brasil – os rompimentos das barragens de Fundão, em Mariana (Região Central), em 2015; e Córrego do Feijão, em Brumadinho (Região Metropolitana de Belo Horizonte – RMBH), em 2019, a associação com o Mercado Central também já sofre críticas nas redes sociais.

“A Vale é uma empresa muito grande, em Minas há 84 anos. É claro que o rompimento das barragens causou prejuízos e traumas gigantescos, mas a empresa precisa e quer se reinventar, se aproximar das pessoas. Ela patrocina muitos eventos culturais no Estado. E nós precisamos de parceiros que nos ajudem a seguirmos nos modernizando. Então, podemos não só emprestar nosso prestígio como um pouco dos nossos conhecimentos de quem vem se reinventando há quase um século. Começamos com o centro de abastecimento da cidade, enfrentamos a chegada do Mercado Novo, da CeasaMinas, dos hipermercados e agora do comércio on-line, então temos tradição também em reinvenção”, completa o presidente do Mercado Central.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas