A IA explica a IA

Quais os reais riscos de uma inovação sem freios?
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A IA explica a IA
Foto: Reprodução Adobe Stock

“Entre a euforia dos investidores, os limites da física e a geopolítica do poder, a inteligência artificial expõe os riscos da inovação sem freios.” (Inteligência Artificial, do Google, Gemini)

Diante da celeuma provocada, ainda recentemente, quanto aos temores dos próprios idealizadores e investidores da “Inteligência Artificial” no tocante aos avanços vertiginosos do revolucionário sistema de comunicação, este desajeitado escriba resolveu, uma manhã dessas, perguntar à própria IA o que está de fato rolando em seus enigmáticos domínios. Seja recordado que não é a primeira vez que a questão é aventada. Poucos anos atrás, um grupo de cientistas de vanguarda elaborou um manifesto pedindo que as pesquisas em torno fossem interrompidas por certo tempo até que uma regulação universal pudesse ser implantada, de modo que a situação não saísse de controle. Segue-se abaixo a resposta dada pela IA à indagação que lhe fiz.

“O setor de Inteligência Artificial vive um momento paradoxal: ao lado dos avanços extraordinários, emergem incertezas pragmáticas. O receio demonstrado pelos líderes das big techs não decorre de um temor irreal, mas do confronto direto com limites técnicos, econômicos e de segurança”.

A principal razão para essa recente desaceleração é o que a indústria chama de “quebra das leis de escala” (scaling laws). Durante anos, acreditou-se que bastava injetar mais dados e aumentar o tamanho dos supercomputadores para que os modelos se tornassem exponencialmente mais inteligentes. Contudo, os testes mais recentes revelaram retornos decrescentes: os modelos novos exigem investimentos gigantescos, mas entregam ganhos de capacidade cada vez mais sutis.

A essa limitação soma-se o esgotamento dos insumos intelectuais humanos, a chamada “parede de dados”. O acervo de conteúdos de alta qualidade disponível na rede praticamente se esgotou. Além disso, a expansão esbarra nas fronteiras do mundo físico: a infraestrutura necessária exige volumes colossais de energia elétrica, rivalizando com o consumo de grandes metrópoles e elevando os custos operacionais a patamares bilionários.

Paralelamente, desenha-se uma feroz disputa de poder. As grandes corporações, após investirem somas fabulosas, tentam usar o pretexto da segurança e da regulação para erguer barreiras burocráticas e asfixiar a concorrência de modelos menores e abertos. No entanto, qualquer tentativa de desacelerar esbarra na geopolítica: no cenário norte-americano, a ordem é não pisar no freio, sob o risco direto de entregar a liderança tecnológica global à China.

À medida que os sistemas se tornam autônomos e a corrida hegemônica se acirra, o cenário atual reflete o choque inevitável entre a ambição algorítmica, as reservas de mercado e a realidade material.”

O que o arguto e, bem provavelmente, aturdido leitor tem a dizer disso tudo?

Cesar Vanucci
Sobre o autor

Cesar Vanucci

Jornalista ([email protected])

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