Maracutaia infernal

Eventos relacionados ao caso do Banco Master mostraram falcatruas dentro do sistema bancário brasileiro
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Maracutaia infernal
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres.” (Ministro Edson Fachin)

Aos primeiros indícios de que algo grave, violentando frontalmente normas consolidadas do sistema bancário, estaria ocorrendo nas atividades do Banco Master, analistas do mercado financeiro e da vida política emitiram, a uma só voz, certeiro e fulminante diagnóstico. As averiguações sobre supostas falcatruas desembocariam, fatalmente, numa maracutaia infernal, sem precedentes, estremecendo de certo modo as engrenagens dos Poderes. O noticiário nosso de cada dia documenta, doridamente, o acerto do prognóstico. Prognóstico esse que a esclarecida opinião pública faria de tudo, por razões éticas e cívicas, para não dar certo, se as circunstâncias assim permitissem.

O poder de sedução do grupo mafioso foi longe demais. Envolveu gregos e troianos, sumérios e nabateus e assim por diante, em seu processo de desagregação institucional.

Se dessa escabrosa história pode-se extrair alguma lição, alguma consequência positiva, conforta-nos saber que vivemos neste nosso Brasil, “um país tropical, bonito por natureza”, em regime de plenitude democrática. Tão alvissareira condição permite-nos apurar devidamente os fatos e apontar responsabilidades, ao invés de varrer tudo para debaixo do tapete. Por mais desagradável que seja presenciar o tremor nas colunas da República, o antídoto para os desmandos não é o enfraquecimento das instituições, mas o seu fortalecimento sob a luz da legalidade e da transparência. A sociedade brasileira espera que as investigações em curso sejam conduzidas até o desfecho com o completo desmonte de todas as “ligações indesejáveis”, doa a quem doer.

A fala do presidente do Supremo, Ministro Edson Fachin, a propósito dos últimos acontecimentos trazidos a público implicando, ao que tudo indica, figuras da alta cúpula judiciária, reveste-se de significado como expressão do regramento democrático.

Ouçamos o que foi dito: “Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do STF, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição. Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem serenidade, responsabilidade e firmeza. A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal. Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias.”

Aguardemos as providências prometidas.

Cesar Vanucci
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Cesar Vanucci

Jornalista ([email protected])

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