País rico, povo pobre; uma triste realidade
O Brasil é um país com muitos problemas. Entretanto, ao contrário do que apregoam alguns governantes, dentre as maiores dificuldades da nação não está a falta de recursos financeiros, nem de recursos humanos e talentos. Pelo contrário. Há, ainda, abundância de recursos naturais. Então por que um país tão rico tem um governo igualmente rico e um povo pobre?
Essa contradição merece profunda reflexão. Os governos têm sido eleitos com os votos dos pobres. Então, quem acredita que os governos dos últimos 25 anos tinham ou tem interesse em reduzir a pobreza? Quem trabalharia para reduzir a fábrica de votos necessários para garantir sua própria eleição? A conclusão é de que o governo gosta da pobreza e não dos pobres.
O governo, ao contrário do discurso oficial, tira renda líquida dos pobres e não dá a eles educação de qualidade. O que é fácil de entender, uma vez que a pessoa instruída não serve para a escravidão, qualquer que seja ela.
Isso vem sendo feito de maneira sub-reptícia. A alteração da fórmula de reajuste do salário mínimo (Lei 15.077/2024) retirou R$ 249,00 só em 2026 do bolso de mais de 60 milhões de brasileiros. O governo não reajusta o Bolsa Família desde março de 2023, e a inflação desses anos já corroeu cerca de 16% do benefício.
Após a reforma tributária, a alíquota do IVA deve ser fixada entre 28% e 29%, a primeira ou a segunda maior alíquota sobre consumo do mundo, tornando impossível o País fazer distribuição de renda. Os pobres pagarão tributos elevados e terão menos dinheiro nos bolsos e as famílias, menos alimentos nas mesas.
Na Educação, o Brasil ocupa a 63ª posição em Matemática e a 56ª em Leitura e Ciências no ranking da ONU/OCDE, e o analfabetismo funcional atinge 29% da população adulta.
É possível mudar essa situação? Sem dúvida. Para isso basta restringir os privilégios e penduricalhos, reduzir o gigantismo do Estado que nada devolve à população, e eliminar ou reduzir a corrupção, começando por não tolerar a impunidade.
O Brasil de hoje é caracterizado por uma tragédia em 3 atos que custa por ano mais de 12% do PIB nacional, cerca de R$ 1,5 trilhão jogados anualmente na lata do lixo.
O primeiro ato é o gigantismo do setor público. A máquina estatal custa 13,5% do PIB, contra uma média de 9,3% nos países da OCDE. A diferença de 4,2% representa R$ 567 bilhões/ano, em boa parte gastos com cooptação de aliados e benefícios para os donos do poder.
O segundo ato é a corrupção, que consome 4% do PIB, correspondente a R$ 540 bilhões/ano, segundo a FGV/Ibre.
O terceiro ato são as renúncias fiscais da União, que atingem 5,7% do PIB, muito acima do limite legal de 2% estabelecido pela EC nº 109/2021, extrapolando o permitido em R$ 500 bilhões/ano.
Com menos da metade desse montante desperdiçado, o País poderia dobrar o investimento no SUS, oferecer ensino em tempo integral para 100% dos alunos da rede pública, garantir remuneração digna aos professores, ampliar a segurança pública e investir em infraestrutura.
O Brasil dispõe de recursos financeiros. Falta um plano de metas, gestão competente e honestidade com a coisa pública.
Se permanecer com os olhos fechados para essa realidade, o País nunca corrigirá o rumo.
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