Quando a passagem sobe, a economia local perde
A reforma tributária foi apresentada aos brasileiros como um passo importante para simplificar o sistema de arrecadação, reduzir burocracias e estimular o crescimento econômico. Esses objetivos são legítimos e necessários. Mas nenhuma reforma será bem-sucedida se ignorar a realidade de setores estratégicos para o País. O turismo é um deles.
Nos últimos dias, executivos das principais companhias aéreas brasileiras acenderam um sinal de alerta ao afirmar que a carga tributária sobre o setor pode crescer significativamente a partir de 2027. O receio é que esse aumento seja repassado ao consumidor, tornando as passagens mais caras e reduzindo a demanda por viagens.
O problema não se limita às empresas aéreas; elas são apenas a porta de entrada de uma cadeia econômica muito maior. Cada passageiro que desembarca em um destino turístico movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, bares, agências de viagens, motoristas, guias, parques, museus, centros de convenções, eventos culturais e centenas de pequenos empreendedores. Quando viajar fica mais caro, toda essa engrenagem sente os efeitos.
O impacto tende a ser ainda mais severo fora dos grandes centros urbanos. Em muitos municípios, especialmente aqueles que encontraram no turismo uma alternativa de desenvolvimento, a atividade representa emprego, renda e oportunidades, algo que dificilmente seria substituído por outros setores.
Em Minas Gerais, o turismo sustenta cidades históricas, fortalece rotas gastronômicas, impulsiona o enoturismo, valoriza o patrimônio cultural e movimenta centenas de festivais e eventos tradicionais ao longo do ano. Menos visitantes significam menos consumo, menor arrecadação e menos oportunidades para milhares de famílias.
A preocupação também alcança agências de viagens, operadoras e demais empresas da cadeia turística, que já convivem com margens apertadas e dependem de regras tributárias claras para continuar investindo e gerando empregos.
O Brasil possui uma das maiores diversidades turísticas do mundo. Temos patrimônio histórico, natureza exuberante, gastronomia, cultura, eventos e uma hospitalidade reconhecida internacionalmente. O desafio é ampliar a competitividade do país e facilitar o acesso dos brasileiros aos seus próprios destinos.
Não podemos criar obstáculos para quem quer viajar. Para transformar o turismo em um verdadeiro vetor de desenvolvimento regional, geração de renda e atração de investimentos, precisamos de uma reforma tributária que compreenda a importância estratégica do setor. Quando o custo de viajar aumenta, não é apenas o turista que perde. Perdem os pequenos negócios, os trabalhadores, as cidades. E perde o Brasil.
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