Reta final, debates à parte

Encontro entre os presidenciáveis se converteu em uma incivilizada arena de apupos, acusações transversais e mesquinharias
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Reta final, debates à parte
Foto: RS / Fotos Públicas

“Debate negativo à parte, o que se espera, desta reta final da eleição presidencial, é que o Brasil saia das urnas qualificado para as conquistas políticas, sociais e econômicas que conduzam ao progresso e ao desenvolvimento”. (Domingos Justino Pinto, educador)

Debate que é bom mesmo não aconteceu. O que se viu, no duro da batatolina, como era de costume dizer-se em tempos de antigamente, foi uma maçante troca de desaforos, ao vivo e em cores. O encontro dos candidatos na TV Bandeirantes, longe de projetar um fórum de ideias para o futuro da Nação, transfigurou-se numa incivilizada arena de apupos, acusações transversais e mesquinharias. Em vez de um confronto altivo, à altura das expectativas da sociedade brasileira, que pudesse trazer propostas e projetos político-econômico-sociais com visão de futuro, assistiu-se a um espetáculo de picadeiro alimentado por táticas eleitorais rasteiras.

Um dos símbolos mais marcantes disso ficou configurado nos gestos, movimentações e trejeitos no palco assumidos pelo candidato da oposição durante a fala de seu oponente. Eu disse fala, mas o que se ouviu mesmo, de parte a parte, foram vociferações. De certo modo, ao optarem por tonitruantes acusações, os gladiadores verbais, com o contributo de claques emocionalmente despreparadas, apequenaram um evento expressivo do saudável processo democrático. Certeiramente, o episódio descrito entra na série das discussões públicas pré-eleitorais, iniciada com a benfazeja redemocratização, como o de teor menos positivo, ou melhor, o mais negativo.

A esperança das ruas é de que o segundo e último debate a ser promovido na TV Globo, na antevéspera da convocação dos eleitores para o epílogo da campanha presidencial, não se converta em novo vaudeville político. Ao reverso, se mantenha dentro dos padrões republicanos e democráticos corretos, traduzindo um instante de elevação cívica do qual possamos sempre nos orgulhar.

Por derradeiro, levando-se em conta o efervescente clima eleitoral vigorante, gerador de estratégias voltadas à conquista de votos numa disputa tão renhida, afigura-se previsível a ocorrência, na última hora, de atos políticos capazes, pelo seu caráter provocativo, de suscitar outras acesas polêmicas. É bastante provável que assim seja encarada, por exemplo, a decisão tomada por Lula junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral, autorizando a quebra do sigilo telefônico e de suas contas bancárias, bem como de sua esposa e filhos, num repto ao seu adversário para que proceda da mesma forma, de maneira a deixar às claras com quem estará a razão no caso das recíprocas acusações de corrupção envolvendo candidatos e parentes.

Cesar Vanucci
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Cesar Vanucci

Jornalista [email protected]


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