Riqueza na estratosfera, pobreza e fraternidade na sarjeta
“A riqueza não é um fim em si mesma.” (Mayanna, poeta)
Na semana que passou, num mesmo noticiário, dois assuntos capturaram-me a atenção, provocando profunda reflexão sobre os rumos que conduzem a aventura humana.
O primeiro dava conta de um marco inédito na história. Elon Musk, controvertido magnata sul-africano radicado nos EUA, cuja trajetória confunde-se com a audácia tecnológica do nosso tempo, tornou-se o 1° trilionário de nossa Aldeia Global. Alcançou essa culminância everestiana impulsionado pelo sucesso estrondoso da abertura de capital de sua empresa SpaceX. Os cifrões elevam-se a 1,3 trilhão de dólares. A soma equivale a 3% do PIB da maior potência mundial e a 56% do que o Brasil, 10ª economia do mundo, produz em um ano. Essa dinheirama supera o PIB de 175 países, entre eles Taiwan, Irlanda, Suécia, Israel, Argentina e Singapura. A relação de nações com PIB inferior ao patrimônio de Musk contempla toda a América Latina (exceto Brasil e México), toda a África e boa parte da Europa. Seu triunfo não se restringe à conta bancária; reflete o ápice de uma jornada marcada pela ousadia de colonizar o espaço e revolucionar a matriz energética. Símbolo do engenho individual e da capacidade de transformar visões de vanguarda em riqueza.
O segundo registro flagra drama social clamoroso. Em Betim, Região Metropolitana de BH, em arremedos de moradia, refugiados da etnia Warao vivenciaram tragédia humanitária silenciosa. Camila, bebê de 1 ano e 4 meses, nascida em solo brasileiro, filha de indígenas vindos da sofrida Venezuela, teve sua existência ceifada por desnutrição grave. Sucumbiu à fome… Na Terra de Canaã, por assim dizer. Foi mais uma vítima da cruel diáspora que assola grupo de 70 famílias, abrangendo 250 pessoas. Todos vivendo em condições precárias, de favelização extrema, em área desprovida de qualquer vestígio sanitário. A desnutrição crônica alvejou também muitas outras crianças, levadas às pressas para atendimento hospitalar. A problemática cruel atinge de igual modo, adolescentes e adultos. A situação chegou a tal ponto que as autoridades se viram forçadas a decretar estado de emergência na área ocupada pelos Warao, de modo a assegurar um mínimo de cuidados para sua sobrevivência. O caso da bebê índia não é raro, nem isolado. A Unesco denuncia que mais de 1 milhão de crianças, Santo Deus, morrem de fome anualmente.
Que considerações extrair de tudo isso? Pedindo a conhecidos que comentassem numa única frase os dois fatos, deles obtive o que vem na sequência: “Manda parar que eu quero descer”! ; “Riqueza na estratosfera, pobreza e fraternidade na sarjeta”; “A riqueza não pode ser fim em si mesma, mas meio para se atingir um fim, sempre social”; “Em qual versículo da leitura sagrada é dito que o mundo deve funcionar desse jeito? E você, o que acha disso?
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