Artigo

Quando o seguro deixa de ser custo e se torna condição de crescimento

Mesmo com expansão, o espaço a percorrer é considerável, especialmente entre micro, pequenas e médias empresas
Quando o seguro deixa de ser custo e se torna condição de crescimento
Foto: Reprodução Adobe Stock

Minas Gerais vive um momento singular. Com mais de R$ 500 bilhões em aportes privados atraídos desde 2019, o Estado ocupa posição de destaque no mapa econômico nacional. Obras estruturantes, novos contratos e a expansão de empresas de todos os portes fazem de Minas um dos ambientes mais férteis para os negócios no Brasil.

O mercado de seguros é um termômetro desse movimento. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), considerando Seguros de Danos e Pessoas, mostram que o mercado de seguros no Estado cresceu 10,96%, comparando o período de 2024-2025 a 2023-2024, com destaque para produtos diretamente ligados à atividade econômica.O destaque reside em setores ligados à atividade produtiva, como responsabilidade civil (16,3%), transporte (15%) e, especialmente, o segmento patrimonial, que saltou mais de 30%.

Corroborando esse cenário, ainda segundo a Susep, no País, o segmento Patrimonial como um todo movimentou R$ 35,7 bilhões, avanço de 12,8% apenas no ano passado em prêmio direto. São números que refletem algo concreto: empresas assumindo contratos maiores, ativos mais valiosos e uma exposição a riscos que, há alguns anos, simplesmente não existia na mesma escala.

Ainda assim, o espaço a percorrer é considerável, especialmente entre micro, pequenas e médias empresas, onde o déficit de cobertura permanece expressivo. Boa parte dessas empresas opera sem proteção patrimonial estruturada, sem cobertura de responsabilidade civil e sem qualquer mecanismo formal de continuidade de negócios.

Por muito tempo, o seguro empresarial foi visto como complexo, caro e distante das prioridades cotidianas do gestor. Esse quadro vem mudando por razões práticas. Contratos de maior envergadura chegam com cláusulas mais exigentes. Parcerias com grandes empresas e órgãos públicos demandam apólices específicas como condição de habilitação. O seguro passou a ser, em muitos casos, o que viabiliza o acesso a oportunidades que antes estavam fora do alcance.

Esse movimento é visível em Minas. A demanda por Seguro Garantia e Riscos de Engenharia cresceu de forma expressiva no estado ao longo de 2025, acompanhando o avanço das obras e dos novos projetos de infraestrutura. O perfil do empresário que busca seguro hoje é diferente do de cinco anos atrás: há mais consciência sobre exposição a riscos jurídicos, mais atenção à governança e uma compreensão mais clara de que a proteção faz parte da estratégia de crescimento, e não é acessório dela.

O corretor de seguros tem papel central nessa transformação. É ele quem traduz a realidade do negócio em cobertura adequada, quem percebe que uma empresa em expansão tem exposições diferentes de uma empresa estabilizada e quem garante que a apólice acompanhe esse movimento. A venda consultiva, apoiada por especialistas que conhecem profundamente os setores em que atuam, é o que converte o seguro de obrigação em ferramenta de gestão.

Minas Gerais tem condições concretas de continuar crescendo. O ciclo de investimentos é real e o empresariado mineiro tem demonstrado capacidade de aproveitá-lo. A questão que se coloca, para o mercado segurador e para os próprios empresários, é se essa base de crescimento está sendo construída com a solidez que ela exige. Crescer com consistência pressupõe estar preparado também para o que não estava no planejamento.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas