O Supremo saiu menor da sessão

Clima de mal-estar cívico se instalou diante do que se viu durante a semana na Suprema Corte brasileira
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O Supremo saiu menor da sessão
Foto: Antônio Augusto / STF

“Autêntico mal-estar cívico.” (Ministra Carmem Lúcia, pedindo desculpas à nação)

Clima de mal-estar cívico. A única voz feminina do colegiado do STF, ministra Cármen Lúcia, soube captar impecavelmente o sentimento das ruas ao formular pedido emocionado de desculpas à nação pelos últimos acontecimentos envolvendo a alta Corte do País.

O que todos assistimos, consternados e com dose elevada de inconformismo, nas tribunas da Casa do Judiciário, na terça-feira, dia 15 de setembro de 2026, foi a réplica de uma briga enfezada entre inflamados torcedores num estádio de futebol.

De nada adiantou o tom apaziguador adotado pelo presidente. Nas palavras introdutórias da histórica reunião, o ministro Edson Fachin conclamou seus ilustres pares a que obedecessem rigorosamente, nos debates que se travariam no recinto, às boas regras da convivência fraternal, abordando com objetividade, serenidade e bom senso as questões constantes da agenda anunciada. Registrou a imperiosa necessidade de que o Supremo saísse, aos olhos da sociedade a que serve, maior e mais fortalecido em seu papel institucional.

Aconteceu exatamente o contrário. O Supremo deixou o campo, quer dizer, deixou o local em que se desenrolou a magna sessão, após sucessivas horas de acaloradas discussões, sem chegar a lugar nenhum. Menor do que quando entrou.

A espetacularização imprimida aos debates, tão deplorada nas palavras da ministra, colocou à mostra, outra vez mais, o inchaço egolátrico que vem conduzindo, volta e meia, reações de um que outro magistrado à cata da celebridade.

Assim que se desfizer a onda de perplexidade que os fatos aludidos criaram, os juristas, a imprensa e a gente do povo obviamente perguntarão: e agora? O que virá adiante? A resposta a essas indagações, cristalizada majoritariamente no modo de perceber as coisas da sociedade, é uma só. É preciso colocar a bola no chão. Recuperar a sensatez perdida e tornar mais célere o jogo das apurações envolvendo o escândalo que galvaniza as atenções. É imprescindível que a história toda ganhe clareza solar, transparência absoluta, doa a quem doer. É o que a cidadania está a exigir das autoridades competentes.

Outro ponto de reflexão. Estamos à beira de importante eleição, que vai apontar os destinos nacionais no quatriênio vindouro. Faz-se mister, ainda, em momento assim, observar o seguinte: manter serenidade na avaliação quanto ao procedimento pessoal na cabine indevassável de votação, expungindo do processo de escolhas para os cargos públicos as paixões incendiárias. Manter, também, acesa a atenção para um voto sensato, acordar com sua convicção quanto aos riscos de contaminação de informações capciosas, lançadas em redes sociais com o intuito de confundir.

Quanto à outra sessão programada, o que se aconselha, por óbvia cautela, é que seja realizada com os ânimos já apaziguados, num outro instante.

Cesar Vanucci
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Cesar Vanucci

Jornalista ([email protected])

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