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VAR: A tecnologia não elimina erros, mas reduz injustiças

Descubra os prós e contras do VAR: como ele alterou o ritmo do jogo e a percepção dos torcedores
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VAR: A tecnologia não elimina erros, mas reduz injustiças
Foto: Reprodução Adobe Stock

Poucas coisas conseguem irritar tantas pessoas ao mesmo tempo quanto o VAR. O árbitro para a partida coloca a mão no ouvido, vai ao monitor e o estádio inteiro começa a reclamar. Muitos afirmam que o futebol perdeu ritmo. Outros dizem que a emoção foi substituída pela espera. Em certos momentos, a análise do lance parece gerar mais tensão do que o próprio lance.

Antes do VAR, porém, as reclamações não eram menores. Durante décadas, o futebol conviveu com erros de arbitragem que marcaram a história das Copas do Mundo. A mão de Maradona em 1986 é o exemplo mais famoso. Em 2010, a Inglaterra teve um gol legítimo de Frank Lampard contra a Alemanha que não foi validado, apesar de a bola ter cruzado a linha. Outros impedimentos, pênaltis e gols irregulares também influenciaram resultados e classificações.

Isso não significa que o VAR tenha acabado com as polêmicas. O futebol continua sendo um esporte de interpretação. A diferença é que muitos erros evidentes deixaram de acontecer. O jogo pode parar por alguns minutos, mas a chance de uma injustiça diminuiu. Nem sempre a tecnologia produz a decisão correta, mas frequentemente evita uma decisão errada.

Assim como o futebol mudou com a chegada do VAR, a sociedade também passou a incorporar tecnologias capazes de esclarecer fatos, registrar acontecimentos e corrigir interpretações equivocadas. Muitas situações que antes dependiam apenas da memória ou da opinião passaram a contar com evidências mais confiáveis. Câmeras de segurança ajudam a esclarecer acidentes e crimes, exames de DNA corrigem erros judiciais, registros digitais permitem reconstruir acontecimentos e sistemas eletrônicos reduzem falhas em processos administrativos.

A tecnologia não substitui o julgamento humano. Quem interpreta imagens, laudos e informações continua sujeito a erros. Ainda assim, decidir com mais informações costuma ser melhor do que decidir com menos. Grande parte das injustiças nasce justamente da falta de evidências ou da impossibilidade de verificar o que realmente aconteceu.

A tecnologia não elimina erros, mas reduz injustiças. Essa talvez seja a principal lição do VAR. O objetivo não é criar um sistema perfeito, mas reduzir falhas que poderiam determinar o resultado de uma partida ou a vida de uma pessoa.

Enquanto milhões de torcedores aguardam a revisão de um lance, vale lembrar que estão assistindo a uma tentativa de tornar o jogo mais justo. No futebol ou na vida em sociedade, alguns segundos ou alguns minutos dedicados à busca pela justiça não parecem tempo demais.

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