Convenções partidárias começam em Minas e definirão candidatos ao governo até dia 5 de agosto
A corrida eleitoral de 2026 entra oficialmente em uma nova fase a partir de segunda-feira (20), com o início do período das convenções partidárias. Até o dia 5 de agosto, partidos políticos estarão concentrados em definir quais políticos vão disputar o governo de Minas, as duas vagas ao Senado e quais nomes vão compor as chapas proporcionais para concorrer à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Com o início das convenções, a expectativa é de que os partidos intensifiquem as articulações políticas nas próximas semanas. A definição dos candidatos marca o início oficial da disputa eleitoral e dá o tom da campanha que mobilizará o país até as eleições de outubro.
Esse período também é marcado por intensas negociações políticas nos bastidores para formação de alianças e definição das chapas que estarão nas urnas em outubro, além da composição das chapas majoritárias e proporcionais. As convenções são uma das etapas mais importantes do processo eleitoral por serem os momentos em que os partidos homologam seus candidatos aos cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital. Somente após cumprirem essa etapa, os pré-candidatos passam à condição de candidatos e podem solicitar o registro oficial de suas candidaturas. As convenções podem ser realizadas pelas legendas de forma presencial, virtual ou híbrida.
Com os prazos se encurtando, a corrida pelo governo de Minas Gerais começa a ganhar contornos mais definidos e o cenário já conta com nomes confirmados, alguns pré-candidatos que esperam o posicionamento oficial dos partidos e lideranças que ainda vivem um quadro de indefinições sobre seus futuros papéis na disputa. As convenções para homologação das candidaturas terminam em 5 de agosto. Até lá, lideranças partidárias estão se articulando para a composição de alianças.
Alguns partidos já colocaram representantes em pré-campanha, como o governador Mateus Simões (PSD); o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB); o ex-prefeito da Capital, Alexandre Kalil (PDT); Maria da Consolação (Psol); Ben Mendes (Missão); Rafael Duda (PSTU); Túlio Lopes (PCB); Indira Xavier (UP); e Patrus Ananias (PT), que teve seu nome oficializado na segunda-feira (20) pelo partido.
Outras legendas ainda negociam alianças e aguardam definições internas para se posicionarem, como é o caso do Republicanos, com o senador Cleitinho adiando para início de agosto a decisão de disputar ou não o governo de Minas. Já o PL tem pelo menos dois nomes disponíveis, o do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli. O PSB tem quatro nomes no páreo: o ex-procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior; o ex-presidente da Associação Mineira dos Municípiios (AMM), Julvan Lacerda; o ex-vice-governador Clésio Andrade; e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes. As negociações passam por questões como garantir palanque para as campanhas à Presidência da República do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Saiba quem são os pré-candidatos ao governo de Minas até o momento
* nomes em ordem alfabética
Alexandre Kalil (PDT)
Empresário, dirigente esportivo e político brasileiro, Alexandre Kalil ficou conhecido por seus dois mandatos consecutivos como prefeito de Belo Horizonte e o enfrentamento durante a pandemia da Covid-19, além da sua gestão histórica como presidente do Clube Atlético Mineiro, entre 2008 e 2014. Em março deste ano, Kalil rebateu rumores sobre uma eventual inelegibilidade e garantiu que não existe nenhum impedimento jurídico para registrar a candidatura para disputar o governo de Minas. Em 2016, considerado um outsider, Kalil decidiu entrar para a política e venceu sua primeira eleição para prefeito da capital. Em 2020, disputou a reeleição para e alcançou uma vitória histórica e expressiva já no primeiro turno. Em 2022, Kalil renunciou à prefeitura para disputar o cargo de governador de Minas Gerais, quando foi derrotado por Romeu Zema (Novo) no primeiro turno.
Ben Mendes (Missão)
Advogado, jornalista e professor, Ben Mendes ganhou projeção devido aos vídeos que produz e divulga na internet sobre direitos do consumidor para o programa “Ronda do Consumidor”. Filiou-se ao Partido Missão e lançou sua pré-candidatura ao cargo de governador de Minas Gerais, recebendo apoio do Movimento Brasil Livre (MBL).
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
O senador Cleitinho Azevedo continua sendo uma das principais incógnitas da disputa. Apesar de estar em primeiro lugar nas principais pesquisas de intenção de voto como possível candidato ao Palácio Tiradentes, ele afirmou que só vai se decidir em agosto. Por enquanto, Cleitinho disse que vai esperar o cenário político se consolidar mais e avaliar o seu desempenho e a performance dos possíveis adversários nas pesquisas eleitorais antes de definir o futuro. Recentemente, Cleitinho afirmou que deixará a decisão “nas mãos do povo” caso continue liderando as pesquisas. Ao mesmo tempo, o senador, que ainda tem mais quatro anos de mandato no Congresso, descartou que desistiria da disputa devido a pressões políticas. Embora a candidatura ainda dependa de confirmação oficial, as pesquisas divulgadas nos últimos meses colocam o senador na liderança dos principais cenários testados para o Governo de Minas.
Flávio Roscoe
O empresário, que trabalha na indústria têxtil há 34 anos, foi presidente da Fiemg por dois mandatos e é membro do Conselho de Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), assumindo o cargo de vice-presidente. Ainda na CNI, é presidente do Conselho de Infraestrutura (Coinfra). Foi presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais (Sindimalhas) por 16 anos e atua como vice-presidente administrativo financeiro desde 2020. Roscoe deixou a presidência da Fiemg, se filiou ao PL e é um dos nomes cotados para disputar o Palácio Tiradentes.
Gabriel Azevedo (MDB)
O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e pré-candidato ao governo de Minas, Gabriel Azevedo, lançou seu plano de governo na semana passada e afirmou que o documento servirá de base para a construção das alianças eleitorais. Ele disse que só fechará acordos com as siglas que concordarem com as propostas apresentadas. O MDB, segundo Gabriel, tem conversado com 17 partidos, admitindo a possibilidade de formar uma ampla coligação ou até mesmo compor uma chapa exclusivamente com integrantes da própria legenda. Em 2016, foi eleito para o seu primeiro mandato na CMBH, ocasião em que se destacou pela presidência da CPI da BHTrans, que investigou o sistema de transporte público da capital. Em 2020, se reelegeu como o quarto candidato mais votado para o Legislativo de BH. Durante seu segundo mandato na CMBH, Gabriel assumiu a presidência da Casa. Nas eleições de 2024, ele disputou o cargo de prefeito da capital e, atualmente, como presidente do MDB em Belo Horizonte, consolidou-se como o candidato do partido ao governo de Minas.
Indira Xavier (UP)
Em abril deste ano, a Unidade Popular anunciou a pré-candidatura de Indira Xavier ao governo de Minas. Em 2022, ela concorreu nas eleições ao Palácio Tiradentes e, em 2024, disputou a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), terminando o pleito na oitava colocação. A militante de esquerda busca, agora, representar a legenda na corrida pelo Palácio Tiradentes. Filiada ao UP desde 2019, Indira é ativista e militante de movimentos pela habitação popular.
Jarbas Soares (PSB)
No início de junho, o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, oficializou sua pré-candidatura ao governo de Minas por meio de anúncio nas redes sociais. Na ocasião, ele disse que vai se concentrar em temas como desenvolvimento econômico e social, segurança pública e infraestrutura. Jarbas Soares Júnior atuou no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por 36 anos e comandou a instituição por quatro mandatos. Jarbas comandou o órgão de controle entre 2004 e 2008 – durante a gestão do então governador Aécio Neves (PSDB) – e retornou para o biênio 2020-2024 – na gestão de Romeu Zema (Novo) à frente do Executivo de Minas. Em sua última passagem pelo MPMG, ele se destacou pela condução de acordos complexos, como os de reparação pelos desastres de Brumadinho e Mariana. Quando Jarbas deixou o cargo máximo de chefia do órgão, em 2024, encerrando seu segundo biênio consecutivo (2020-2022 e 2022-2024) no posto de procurador-geral, ele permaneceu nos quadros do Ministério Público como procurador de Justiça até se aposentar e se filiar ao PSB.
Maria da Consolação (Psol)
Professora aposentada da rede municipal de Belo Horizonte e da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Maria da Consolação é militante do movimento feminista e dos movimentos social e sindical. Foi diretora do SindUTE e do Sind-Rede, atuou na Central Única dos Trabalhadores (CUT) e foi filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) até 2005. Em seguida, participou da fundação do PSOL. Nas eleições municipais de 2024, disputou uma vaga na Câmara Municipal de Belo Horizonte e é a primeira suplente da federação PSOL/Rede no legislativo. Nestas eleições, lançou sua pré-candidatura com o objetivo de articular a esquerda e criar uma frente que ela chama de “Minas Socialista”. Maria da Consolação já disputou eleições para conquistar vaga no Senado, PBH, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
Mateus Simões (PSD)
Advogado, professor e político, atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões foi eleito vice-governador em 2022, na chapa de Romeu Zema (Novo). Ele assumiu o lugar de Zema em março, após a renúncia do governador para disputar a Presidência da República. Simões iniciou na política em 2016, ao ser eleito vereador de Belo Horizonte pelo Partido Novo. Licenciou-se da CMBH em 2018 para coordenar a transição do primeiro governo de Zema. Entre 2019 e 2022, atuou como secretário-geral de Governo, sendo um dos principais articuladores e coordenadores da gestão estadual. Simões é o candidato do grupo político que governa Minas desde 2019 e disputará a eleição pelo PSD. Ele tenta dar continuidade às políticas implementadas durante a gestão de Zema.
Patrus Ananias (PT)
Com seu nome oficializado nesta segunda-feira (20), o ex-prefeito de Belo Horizonte e atual deputado federal Patrus Ananias é nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para representar o partido na disputa ao governo de Minas. Após as tentativas frustradas de Lula em lançar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), o deputado foi a alternativa de consenso no partido. Patrus Ananias foi vereador de Belo Horizonte de 1989 a1992 e, em 1992, foi eleito prefeito de Belo Horizonte. Como chefe do Executivo entre 1993 e 1996, seu grande marco histórico foi a criação do Orçamento Participativo, em 1993, e a implementação do Restaurante Popular na cidade, em 1994. Seu mandato consolidou as bases das políticas sociais que depois o levariam ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, de 2004 a 2010, nos dois primeiros governos de Lula. Patrus também foi ministro de Desenvolvimento Agrário, de 2015 e 2016, no primeiro governo de Dilma Rousseff. O petista está em seu quarto mandato como deputado federal, tendo sido eleito em 2002, 2014, 2018 e 2022. Nas eleições de 2002, Patrus foi o primeiro parlamentar a ultrapassar a marca dos 500 mil votos em solo mineiro, obtendo 520.046 votos.
Rafael Duda (PSTU)
Operário da mineração e dirigente sindical do Metabase Inconfidentes, atuando principalmente nos municípios de Congonhas e Ouro Preto, na região Central de Minas. Rafael Duda já foi candidato a deputado federal em 2022, a prefeito de Congonhas em 2024 e lançou sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais para as eleições deste ano. Sua plataforma concentra-se em um programa socialista de independência de classe, com oposição tanto aos grupos políticos tradicionais e conservadores quanto à atual administração federal.
Túlio Lopes (PCB)
Ainda em dezembro de 2025, o Partido Comunista Brasileiro lançou o nome de Túlio Lopes ao governo de Minas. Anteriormente, ele já disputou o governo estadual, em 2014, e uma vaga no Senado, em 2018. Túlio é secretário Nacional de Juventude do PCB e secretário político da legenda em Minas, A definição pela pré-candidatura parte da necessidade histórica de construir uma alternativa popular e de esquerda vinculada direta e organicamente às lutas dos/as servidores/as públicos/as estaduais, da juventude e do povo trabalhador mineiro. Túlio é militante do PCB desde 1999 e é almoxarife, técnico em contabilidade, graduado em história, especialista em história e cultura política, mestre e doutor em educação.
Vittorio Medioli (PL)
Além de empresário, Vittorio Medioli foi deputado federal pelo PSDB por quatro mandatos seguidos, entre 1991 e 2006, sendo o mais votado da sigla e o quarto mais votado de Minas Gerais nas eleições de 2002. Em 2016, Medioli foi eleito prefeito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), logo no primeiro turno. O feito se repetiu em 2020, quando foi reeleito para o cargo com 76% dos votos.
Convenções partidárias
20 de julho (segunda-feira)
- Solidariedade
- PRD
- Democrata
- UP
22 de julho (quarta-feira)
- Missão
24 de julho (sexta-feira)
- PSTU
25 de julho (sábado)
- Republicanos
- PCB
26 de julho (domingo)
- PDT
- PSOL
- Rede
27 de julho (segunda-feira)
- PL
30 de julho (quinta-feira)
- Mobiliza
- PV
31 de julho (sexta-feira)
- PT (data ainda pode mudar)
1º de agosto (sábado)
- MDB
- PP
- PCO
2 de agosto (domingo)
- PSD (data ainda pode mudar)
- PSB
Sem data definida
- Agir
- Avante
- Cidadania
- DC
- Novo
- Podemos
- PRTB
- PSDB
- União Brasil
Próximas etapas
Passadas as convenções, os partidos deverão encaminhar à Justiça Eleitoral o pedido de registro dos candidatos escolhidos. O prazo termina em 15 de agosto, um dia antes do início oficial da propaganda eleitoral. A partir de 16 de agosto, candidatos e partidos poderão iniciar a campanha eleitoral, respeitando as regras estabelecidas pela legislação. Também será nesse período que começam as agendas públicas, divulgação de propostas e demais ações autorizadas pela Justiça Eleitoral.
Calendário eleitoral
O calendário das eleições de 2026 prevê uma série de etapas até a votação. Confira as principais datas:
• 20 de julho a 5 de agosto: convenções partidárias para escolha dos candidatos e definição das coligações.
• 15 de agosto: último dia para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
• 16 de agosto: início da propaganda eleitoral.
• 28 de agosto a 1º de outubro: período de exibição do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão para o primeiro turno.
• 4 de outubro: realização do primeiro turno das eleições, com votação das 8h às 17h.
• 25 de outubro: realização do segundo turno, caso necessário.
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