Fazenda deve apresentar novo modelo para pagamento da dívida de Minas

Sobre o Acordo de Mariana, Zema afirmou que governo federal e os estados de Minas e do Espírito Santo esperam uma posição da empresa
Atualizado em 9 de março de 2024 • 10:05
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Fazenda deve apresentar novo modelo para pagamento da dívida de Minas
Foto: Elizabete Guimarães / ALMG

O Ministério da Fazenda deve apresentar, até o fim de março, uma proposta de aperfeiçoamento do atual regime de recuperação fiscal, o que poderá por fim ao imbróglio envolvendo a renegociação da dívida de Minas Gerais com a União. A informação é do governador de MG Romeu Zema (Novo), que saiu otimista da reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Fazenda, Fernando Haddad, na noite desta quarta-feira (6).

Além da dívida bilionária de Minas Gerais com a União, a repactuação do Acordo de Mariana foi outro tema tratado pelo líder do Executivo estadual com o alto escalão de Lula.

“Esse ponto é sensível não só para Minas, mas para outros estados que fizeram a adesão ao regime de recuperação fiscal. É um regime que os estados que aderem conseguem pagar no início, mas depois enfrentam dificuldades novamente, porque a receita não acompanha o crescimento da dívida. É necessário rever o indexador e levar em conta a capacidade de pagamento de cada estado”, afirmou.

Vale dizer que a dívida de Minas Gerais com a União é de quase R$ 160 bilhões. Um acordo entre o governo federal e o Estado determinou que o início do pagamento da dívida fosse prorrogado para abril. A data original era dezembro de 2023.

“É um problema que Minas Gerais enfrenta há 30 anos. A solução precisa ser definitiva e não mais uma mudança que, daqui a pouco tempo, coloca os estados novamente em dificuldades. Minas hoje voltou a ter equilíbrio nas contas públicas, mas essa dívida inviabiliza qualquer programa na área de segurança ou saúde. O presidente e o ministro foram compreensíveis e voltaremos a Brasília para ver conhecer as propostas, que serão estendida para os demais estados (em negociação com a União)”, revelou.

Questionado se a federalização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) poderia ser um caminho, Zema disse que é favorável a toda medida que permita equacionar a dívida de Minas Gerais. E que o Estado não vai se opor a essa possibilidade, desde que seja estipulado um valor correto para a estatal.

”Eu sempre fui favorável à empresa primeiramente se tornar uma corporation, o que valorizaria a empresa, a participação do Estado e até mesmo as ações, e o governo federal teria participação numa empresa com uma gestão muito mais profissionalizada, e eficiente, que geraria resultados melhores para todos os acionistas”, argumentou.

Sobre o Acordo de Mariana, Zema afirmou que governo federal e os estados de Minas e do Espírito Santo já estão em consenso e unidos e esperam uma posição da Samarco e de seus acionistas, Vale e BHP. Segundo ele, o modelo atual não está funcionando, ressarcindo ou compensando adequadamente os atingidos.

“Fazemos questão que os atingidos – mineiros e capixabas -, tenham o devido ressarcimento. Provamos que é possível com o acordo da tragédia de Brumadinho, da Vale, que aconteceu três anos depois. No caso de Mariana, até hoje só assistimos um consumo descomunal de recursos da Fundação Renova e pouca coisa chegou aos atingidos”, argumentou.

Confira o vídeo que o governador Zema postou nas redes sociais após o encontro

Nova reunião deve acontecer ainda este mês

Ainda segundo o governador Romeu Zema, uma nova reunião com o ministro da Fazenda deve acontecer ainda este mês, onde a proposta da União deve ser apresentada.

“Eles é que estarão propondo para Minas uma solução. O que será feito por parte do meu pleito é muito na questão da correção da dívida, que onera muito o Estado. A Fazenda e a Secretaria do Tesouro Nacional estão avaliando opções para que essa dívida tenha uma administração mais adequada. Porque hoje a arrecadação do Estado cresce 3% ou 4% ao ano, e o juros cobrado é de 10%. Ou seja, é uma ‘boca de jacaré’, que fica cada vez mais aberta”, disse.

(Com informações de Marco Aurélio Neves)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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