Lula defende integração financeira e comércio entre países do Brics para combater protecionismo
Em reunião virtual do Brics convocada pelo Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (8) que a integração financeira e o comércio entre os integrantes do bloco sejam usados para mitigar os efeitos do protecionismo no comércio mundial.
“Regras e normas mutuamente acordadas são essenciais para o desenvolvimento. O comércio e a integração financeira entre nossos países oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo”, afirmou.
Em uma cúpula chamada para discutir a situação do comércio mundial depois das tarifas implementadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula fez um duro discurso em que chamou as medidas norte-americanas de “chantagem tarifária”.
“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas. A imposição de medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições”, afirmou.
Em entrevista à Reuters, há um mês, o presidente afirmou que conversaria com os demais países do bloco para trabalhar em uma reação conjunta às tarifas norte-americanas.
Desde a Cúpula do Brics, há dois meses, no Rio de Janeiro, Brasil e Índia passaram a ser alvos das maiores taxas aplicadas pelos EUA, 50%. No caso do Brasil, Trump usou as tarifas como pressão para exigir o fim do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por tentativa de golpe de Estado.
Já na Índia, a acusação do governo norte-americano é a compra de combustível russo por parte do governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
“Sanções secundárias restringem nossa liberdade de fortalecer o comércio com países amigos. Dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo. Cabe ao Brics mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”, completou Lula.
O governo brasileiro aposta no aumento do comércio intrabloco e também na abertura de novos mercados para compensar a queda inevitável das exportações para os EUA. Com um mês de aplicação das tarifas — que ainda têm várias exceções — as exportações para o país caíram 18,5% na comparação com o mesmo período de 2024.
Apesar disso, as exportações brasileiras como um todo cresceram 35,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, com aumentos significativos de exportações para a China, Argentina e México, principalmente.
“Aumentar barreiras e complicar transações não ajudará. Tampouco ajudaria vincular medidas comerciais a questões não comerciais”, disse Modi, segundo discurso divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do país.
O presidente da China, Xi Jinping, também criticou a guerra tarifária durante a reunião.
“Certos países iniciaram guerras comerciais e tarifárias, impactando gravemente a economia mundial e minando seriamente as regras do comércio internacional”, disse o líder chinês, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.
Formado por 11 países do chamado Sul Global, o Brics hoje representa 40% da economia mundial e 29% do comércio global.
“Temos, portanto, a legitimidade necessária para liderar a refundação do sistema multilateral de comércio em bases modernas, flexíveis e voltadas às nossas necessidades de desenvolvimento. Para isso, precisamos chegar unidos na 14ª Conferência Ministerial da OMC no próximo ano”, defendeu Lula.
Conteúdo distribuído por Reuters
Publicidade Legal
Impresso
Ver outras datasDigital
Ver outras datasOuça a rádio de Minas