Turismo mineiro demanda qualificação profissional e atração de fluxo internacional a candidatos ao governo de Minas
Entidades do setor de turismo e eventos entregaram aos candidatos ao Governo de Minas a “Agenda Estratégica Turismo e Eventos Minas Gerais 2027–2030”, com propostas e metas para ampliar a atividade no Estado. Entre os objetivos estabelecidos para 2030 estão superar 500 mil empregos formais no setor, qualificar 100 mil profissionais, ampliar as conexões aéreas e o fluxo de turistas estrangeiros, além de aumentar a permanência e o gasto médio dos visitantes.
Minas Gerais é apontada no documento como o segundo maior destino de viagens pessoais domésticas do Brasil, com 10,2% do fluxo. Para as entidades, o volume reforça o potencial do Estado, mas também coloca como desafio transformar a movimentação de turistas em mais negócios, investimentos e desenvolvimento regional.
No turismo internacional, a participação mineira ainda é pequena. Considerando turistas estrangeiros provenientes da Argentina, do Chile, dos Estados Unidos, do Uruguai e de Portugal, o Estado recebe aproximadamente 0,5% desse fluxo e ocupa a 13ª posição entre os estados brasileiros, segundo o documento.
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A partir desse cenário, a agenda estabelece como uma das metas crescer acima da média nacional no turismo doméstico e ampliar a participação de Minas no mercado internacional. Também estão entre os objetivos aumentar a comercialização de produtos turísticos por operadores e agências e ampliar a captação e o impacto econômico de eventos.
Mais voos e investimentos
No eixo de Acesso e Competitividade, as entidades defendem melhorias nas conexões rodoviárias, ferroviárias e aéreas. O documento coloca o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte como principal porta de entrada de Minas para os mercados nacional e internacional e propõe uma política de atração de novos voos e companhias aéreas.
A agenda também aponta a necessidade de considerar os possíveis impactos da reforma tributária e a competição entre destinos na disputa por novas rotas. A melhoria da infraestrutura rodoviária e ferroviária e a manutenção de um ambiente de negócios com segurança jurídica, administrativa e financeira também aparecem entre as propostas.
Para Rodrigo Cortes, presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, a estratégia depende da integração entre diferentes áreas que influenciam a competitividade do Estado.
“Não adianta promover o destino sem conectividade, ampliar o acesso sem produtos preparados para o mercado ou atrair visitantes sem estrutura para aumentar sua permanência e seu gasto. Os cinco eixos partem justamente dessa visão integrada. Precisamos conectar turismo, eventos, mercado, infraestrutura e desenvolvimento econômico, com prioridades claras e indicadores que permitam medir os avanços até 2030”, afirma.
Gastronomia, patrimônio e natureza
A agenda também propõe ampliar a comercialização dos produtos turísticos mineiros. Gastronomia, cultura, patrimônio, natureza e turismo de experiência são apontados como ativos que podem ganhar espaço nos portfólios de operadoras, agências e plataformas de venda no Brasil e no exterior.
Entre as medidas estão o fortalecimento e a ampliação do Programa Minas Recebe, o incentivo a produtos de turismo de experiência, gastronomia e ecoturismo e a consolidação de uma Rede de Destinos Turísticos Inteligentes.
As entidades também defendem iniciativas para distribuir o fluxo de visitantes durante o ano, com o objetivo de reduzir a sazonalidade e ampliar o movimento turístico em diferentes regiões do Estado.
No mercado internacional, a proposta é fortalecer a marca Minas Gerais e estruturar uma política específica para o segmento Mice, que reúne congressos, convenções, feiras e viagens de incentivo. A agenda cita ainda a necessidade de dar maior destaque a programas relacionados à gastronomia mineira, ao patrimônio histórico, à Cordilheira do Espinhaço e aos parques nacionais e estaduais.
Emprego e qualificação
O quinto eixo concentra propostas relacionadas à geração de emprego, renda e oportunidades no setor. Entre as metas estabelecidas para 2030 está a superação de 500 mil empregos formais em turismo, além da qualificação de 100 mil profissionais.
As entidades também defendem a definição de fontes de recursos para o Fundo Estadual de Turismo, como instrumento para financiar projetos e estimular investimentos. A proposta inclui uma política permanente de qualificação e profissionalização de trabalhadores e empreendedores.
A agenda prevê ainda a consolidação de práticas de turismo sustentável, responsável e regenerativo, associando desenvolvimento econômico à preservação dos patrimônios culturais, ambientais e sociais dos destinos.
Segundo a presidente da FCVB-MG e vice-presidente do JFCVB, Thais de Oliveira Lima, a intenção é manter as propostas além do período eleitoral.
“Esta não é uma pauta apenas para uma eleição, mas uma agenda para Minas Gerais. Reunimos diferentes segmentos e regiões em torno de prioridades comuns e metas que possam ser acompanhadas. Queremos contribuir para que essas propostas avancem e para que o turismo ocupe, de forma permanente, um espaço estratégico no desenvolvimento do Estado”, destaca.
O documento foi apresentado durante sabatina na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG) e reúne propostas da Federação de Convention & Visitors Bureau de Minas Gerais (FCVB-MG), Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, Associação Brasileira de Agências de Viagens de Minas Gerais (Abav-MG), Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais (Fecitur-MG), Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de Minas Gerais (Sindetur-MG) e Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores de Minas Gerais (Sindloc-MG).
A agenda foi entregue a Alexandre Kalil, Flávio Roscoe, Gabriel Azevedo, Mateus Simões, Cleitinho Azevedo e Patrus Ananias. O texto divide as propostas em cinco eixos: Governança e Inteligência; Acesso e Competitividade; Mercado e Internacionalização; Produto e Experiência; e Pessoas, Investimento e Sustentabilidade.
Metas até 2030
Além das propostas, o documento estabelece indicadores para acompanhar os resultados da política de turismo ao longo da próxima gestão. Entre eles estão:
- crescer acima da média nacional no turismo doméstico;
- ampliar o fluxo internacional;
- superar 500 mil empregos formais no setor;
- aumentar o gasto médio e o tempo de permanência dos visitantes;
- expandir as conexões aéreas;
- ampliar a comercialização de produtos turísticos por operadores e agências;
- aumentar a captação e o impacto econômico dos eventos;
- qualificar 100 mil profissionais;
- mobilizar investimentos públicos e privados para o turismo.
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