Quanto custa um banho quente? Veja o impacto de 5, 10 e 15 minutos na conta de luz
No inverno, os banhos costumam ficar mais quentes e demorados. Essa mudança aparentemente pequena de hábito pode ter um impacto importante na conta de luz, já que o chuveiro elétrico está entre os equipamentos de maior potência utilizados nas residências.
Uma simulação realizada pela área de Eficiência Energética da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) ajuda a dimensionar esse impacto. Segundo a estatal, considerando um chuveiro elétrico com potência de 5,5 mil watts e uma família de quatro pessoas, a redução do banho diário de 12 para oito minutos por morador pode gerar uma economia estimada de R$ 50,54 por mês.
A companhia aponta que a diferença de apenas quatro minutos por banho representa 16 minutos a menos de chuveiro ligado por dia em uma família de quatro pessoas. Ao longo de 30 dias, isso equivale a oito horas a menos de funcionamento do equipamento.
Minutos a mais fazem diferença no fim do mês
De acordo com o analista de Eficiência Energética da Cemig Filipe Randazzo, o impacto fica mais evidente quando alguns minutos adicionais são considerados em todos os banhos realizados ao longo do mês.
“Às vezes, quatro ou cinco minutos parecem pouco quando pensamos em um único banho. Mas esse tempo precisa ser multiplicado pelo número de pessoas da casa e por todos os dias do mês. Como o chuveiro possui potência elevada, uma mudança simples de hábito pode representar uma economia importante na fatura”, explica.
Quanto custa um banho?
Com os mesmos parâmetros da simulação da Cemig, é possível estimar o impacto de diferentes tempos de banho no consumo de energia. Um chuveiro com potência de 5,5 mil watts consome aproximadamente 0,46 quilowatt-hora (kWh) em cinco minutos, 0,92 kWh em dez minutos e 1,38 kWh em 15 minutos.
Considerando a tarifa utilizada na simulação da companhia, o custo estimado é de aproximadamente R$ 0,53 para um banho de cinco minutos, R$ 1,06 para dez minutos e R$ 1,59 para 15 minutos.
A diferença pode parecer pequena quando considerada em um único banho, mas ganha outra dimensão ao longo do mês. Em uma residência com quatro pessoas, cada uma tomando um banho por dia, cinco minutos adicionais por morador podem representar cerca de R$ 63 a mais na conta de luz ao fim do mês, mantidas as mesmas condições da simulação.
A Cemig informa que os valores são estimativas e podem variar conforme a potência e a regulagem do chuveiro, a tarifa aplicável à unidade consumidora, os impostos e a bandeira tarifária vigente.
“Quanto maior a potência do aparelho e maior o tempo em que ele permanece ligado, maior será o consumo. Por isso, controlar o tempo de banho é uma das formas mais simples de utilizar energia de maneira eficiente sem abrir mão do conforto”, destaca Randazzo.
Hábitos simples ajudam a reduzir o consumo
Além de reduzir o tempo de banho, a Cemig recomenda evitar que o chuveiro permaneça ligado desnecessariamente. Outro cuidado é utilizar adequadamente as opções de temperatura disponíveis no aparelho, seguindo as orientações do fabricante.
A empresa reforça ainda que eficiência energética não significa deixar de utilizar equipamentos elétricos, mas evitar desperdícios e fazer escolhas mais conscientes. No caso do chuveiro, a redução de poucos minutos no banho diariamente pode representar várias horas a menos de funcionamento do equipamento ao fim do mês.
Banhos mais curtos também reduzem impacto ambiental
Além da economia de energia elétrica, a bióloga, mestre em sustentabilidade e doutora em recursos hídricos Fernanda Raggi destaca que a redução do tempo de banho também gera benefícios ambientais.
“Quando abrimos o chuveiro, estamos consumindo água potável que precisou ser captada em um manancial, tratada, bombeada e distribuída até a residência. Depois do banho, essa água ainda precisa ser coletada, transportada e tratada como esgoto. Portanto, quanto menor o consumo, menor é a pressão sobre todo esse sistema de abastecimento e saneamento, e sobre os mananciais”, alerta.

Além disso, a redução do consumo de energia, conforme aponta a especialista, pode contribuir para diminuir as emissões de gases de efeito estufa associadas à geração de eletricidade. Fernanda explica que, no Brasil, essa relação ganha relevância porque a matriz elétrica do País é predominantemente renovável, mas não está livre de emissões. “Em 2024, por exemplo, o setor elétrico brasileiro emitiu 59,9 quilos de dióxido de carbono (CO₂) equivalente por megawatt-hora (MWh) gerado”, diz.
Ela acrescenta que, analisada individualmente, a economia pode parecer pequena, mas, quando multiplicada por milhões de pessoas e por todos os dias do ano, o efeito sobre os recursos naturais pode ser significativo.
“A água que chega ao nosso chuveiro não chega sozinha: existe energia, infraestrutura e trabalho ambiental envolvidos em cada litro”, conclui.
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